O problema é que a peça está em cartaz
há tanto tempo que até os cupins já aprenderam a decorar as falas.
E continuam devorando o cenário.
O Brasil não precisa apenas de uma
mudança de governo. Precisa de uma boa dedetização.
A infestação tomou conta da casa. Está
nas instituições, nos gabinetes, nos corredores do poder e, pior, entrou pelas
portas das nossas próprias famílias.
A violência saiu das estatísticas e
ganhou as ruas. A insegurança deixou de ser apenas física. Tornou-se econômica,
social e até jurídica. Já não sabemos se podemos caminhar em paz, investir com
segurança ou confiar que a lei de hoje continuará valendo amanhã.
Empresas fecham as portas.
Trabalhadores perdem seus empregos. Os juros alcançam alturas que fariam inveja
aos aviões comerciais. A corrupção continua circulando com desenvoltura,
enquanto o contribuinte, esse eterno patrocinador involuntário do espetáculo,
recebe a conta.
E que conta!
Há alguns anos, um candidato prometeu
que a esperança venceria o medo.
Venceu foi a eleição.
O medo, esse sim, venceu as portas das
nossas casas, instalou-se nas ruas, sentou-se à mesa das famílias e passou a
frequentar até os tribunais.
A esperança, coitada, anda precisando
de cuidados intensivos.
Enquanto isso, os mesmos personagens
oferecem as mesmas receitas, repetem os mesmos discursos e prometem consertar
aquilo que tiveram décadas para resolver.
É como contratar o cupim para
restaurar o armário.
E ainda lhe entregar a chave da
marcenaria.
Está na hora de experimentar algo
realmente diferente.
O novo pode não ser o melhor adubo
para fazer florescer o Brasil, mas, nas circunstâncias atuais, parece ser o
único inseticida disponível.
Não se trata de acreditar em milagres.
Muito menos de imaginar que uma legenda partidária tenha recebido dos céus o
monopólio da virtude.
Políticos não são santos. E partidos
não são igrejas.
E, convenhamos, nem todas as igrejas
são santas.
Trata-se de compreender que, quando
uma casa está infestada, não adianta trocar as cortinas, pintar as paredes ou
mudar os móveis de lugar.
É preciso combater a infestação.
E, se o produto escolhido não
funcionar, daqui a quatro anos teremos o direito de substituí-lo.
Essa é uma das grandes vantagens da
democracia: ninguém precisa receber um mandato de confiança eterna.
O voto não é uma certidão de
casamento. Muito menos um pacto de fidelidade até que a morte nos separe.
É um contrato com prazo de validade.
O novo pode não nos levar ao paraíso,
mas pode nos ajudar a sair do inferno em que estamos vivendo.
E, convenhamos, depois de tantos anos
ouvindo promessas de salvação, já seria um extraordinário progresso encontrar
alguém disposto a começar pela dedetização.
Quanto a mim, entre o medo e a
esperança, já fiz a minha escolha.
Eu não desisti do Brasil.
Título, Imagem e Texto: Marcelo
Duarte Lins, Facebook,
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