terça-feira, 20 de outubro de 2026

O melhor inseticida


Há quem diga que o Brasil precisa de um novo governo. Outros defendem uma nova política. Alguns, mais otimistas, acreditam que basta trocar os personagens e conservar o espetáculo.

O problema é que a peça está em cartaz há tanto tempo que até os cupins já aprenderam a decorar as falas.

E continuam devorando o cenário.

O Brasil não precisa apenas de uma mudança de governo. Precisa de uma boa dedetização.

A infestação tomou conta da casa. Está nas instituições, nos gabinetes, nos corredores do poder e, pior, entrou pelas portas das nossas próprias famílias.

A violência saiu das estatísticas e ganhou as ruas. A insegurança deixou de ser apenas física. Tornou-se econômica, social e até jurídica. Já não sabemos se podemos caminhar em paz, investir com segurança ou confiar que a lei de hoje continuará valendo amanhã.

Empresas fecham as portas. Trabalhadores perdem seus empregos. Os juros alcançam alturas que fariam inveja aos aviões comerciais. A corrupção continua circulando com desenvoltura, enquanto o contribuinte, esse eterno patrocinador involuntário do espetáculo, recebe a conta.

E que conta!

Há alguns anos, um candidato prometeu que a esperança venceria o medo.

Venceu foi a eleição.

O medo, esse sim, venceu as portas das nossas casas, instalou-se nas ruas, sentou-se à mesa das famílias e passou a frequentar até os tribunais.

A esperança, coitada, anda precisando de cuidados intensivos.

Enquanto isso, os mesmos personagens oferecem as mesmas receitas, repetem os mesmos discursos e prometem consertar aquilo que tiveram décadas para resolver.

É como contratar o cupim para restaurar o armário.

E ainda lhe entregar a chave da marcenaria.

Está na hora de experimentar algo realmente diferente.

O novo pode não ser o melhor adubo para fazer florescer o Brasil, mas, nas circunstâncias atuais, parece ser o único inseticida disponível.

Não se trata de acreditar em milagres. Muito menos de imaginar que uma legenda partidária tenha recebido dos céus o monopólio da virtude.

Políticos não são santos. E partidos não são igrejas.

E, convenhamos, nem todas as igrejas são santas.

Trata-se de compreender que, quando uma casa está infestada, não adianta trocar as cortinas, pintar as paredes ou mudar os móveis de lugar.

É preciso combater a infestação.

E, se o produto escolhido não funcionar, daqui a quatro anos teremos o direito de substituí-lo.

Essa é uma das grandes vantagens da democracia: ninguém precisa receber um mandato de confiança eterna.

O voto não é uma certidão de casamento. Muito menos um pacto de fidelidade até que a morte nos separe.

É um contrato com prazo de validade.

O novo pode não nos levar ao paraíso, mas pode nos ajudar a sair do inferno em que estamos vivendo.

E, convenhamos, depois de tantos anos ouvindo promessas de salvação, já seria um extraordinário progresso encontrar alguém disposto a começar pela dedetização.

Quanto a mim, entre o medo e a esperança, já fiz a minha escolha.

Eu não desisti do Brasil.

Título, Imagem e Texto: Marcelo Duarte Lins, Facebook, 20-10-2026, 4h

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Um comentário:

  1. Lula antecipou o pagamento do Bolsa Família reajustado a todos os beneficiários para antes do segundo turno. O pretexto picareta é o de mitigar os efeitos do El Niño. Francamente, Lula é um sem-vergonha, e a Justiça brasileira é uma piada sem graça.

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