Humberto Pinho da Silva
Quando era adolescente
conheci a filha de Guerra Junqueiro, que diziam não primar pela beleza.
Recebeu-me com tanta simpatia e afetividade, que nem sequer reparei se era bela
ou não.
Mas, não é da filha do
ilustre poeta que pretendo escrever, mas do pai, famoso autor de
"Moleirinha".
O poeta era conhecidíssimo na terra natal, Freixo de Espada à Cinta, onde possuía a “Quinta da Batoca”; mas muito mais em Lisboa, onde era deputado da nação.
Passaram os anos e
passaram os homens, e se os notáveis são esquecidos, quanto mais o simples
mortal, que no dia seguinte ao enterro já ninguém fala nele, por vezes nem os
familiares...
No início do século,
entrevistei dezenas de individualidades ou filhos destes, quando os pais tinham
falecido.
Uma senhora, muito
elegante, que recebera avultados bens do avô, quando lhe perguntei por dados
biográficos do antepassado, respondeu-me, apontando o indicador para retrato a
óleo:
- É o meu avô!... Nada
mais sabia... Ia perguntar ao pai...
Voltando ao assunto que
pretendo tratar:
Guerra Junqueiro era
baixinho. Possuía enormes barbas, e vestia-se modestamente na terra natal.
Homem sem vaidade, conversava com todos, não ligando a posições sociais.
Andando a espairecer pela sua terra, encontrou pequeno chavelho, e foi o levando aos pontapés, distraidamente.
Ao passar diante de venda
deparou grupo de camponeses muito altos e fortes, que ao vê-lo naquele
brinquedo, desataram-se às gargalhadas, que figurou ao poeta, troça.
Não foi necessário mais
para que Junqueiro lhes desse troco, e bastante “forte":
- Ah! Ah! Ah!... quê?!
Tantos e tão grandes, a rir à custa do tão pequeno!...
Os lapuzes não perceberam
a "farpa", e levaram a coisa para as estaturas, e não para os
"chifres", possíveis ou imaginários...
Assim termino, com anedota
verdadeira, passada em terras transmontanas entre Junqueiro e simples aldeões.
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Como Eça explica a falta de patriotismo
Pode haver leigos na Igreja?
Ótimo conselho do Rei de Aragão
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