Paulo Hasse Paixão
Mais de 148 mil pessoas continuam sujeitas a mandados de detenção em aberto na Alemanha, e apenas 11,2% delas têm cidadania exclusivamente alemã. No total, 87% dos suspeitos com mandado de detenção são estrangeiros, segundo dados fornecidos pelo Ministério Federal do Interior em resposta a uma consulta parlamentar.
Os estrangeiros representam
87,3% do total de suspeitos procurados, enquanto outros 1,5% são cidadãos
alemães que também possuem uma segunda nacionalidade. Os dados já estão a
contribuir para o debate sobre a imigração em massa e a criminalidade, especialmente
num país
onde a violência,
as violaçõese os crimes graves são cometidos
de forma desproporcional pela população estrangeira.
O jornal Welt obteve a resposta do ministério do interior a uma pergunta
do deputado Sebastian Münzenmaier, do partido Alternativa para a Alemanha
(AfD).
Münzenmaier declarou ao Welt a
este propósito:
“Os números falam por si: a
esmagadora maioria dos criminosos procurados por mandados de detenção não
possui passaporte alemão”.
O deputado defendeu uma
“mudança radical de rumo” que inclua controlos fronteiriços permanentes e
completos, o termo imediato da permanência de criminosos estrangeiros na
Alemanha e o cumprimento das penas de prisão no país de origem.
Alexander Throm, porta-voz
para a política interna do grupo parlamentar da União Democrata Cristã (CDU),
um partido que é em grande parte responsável pelas políticas de imigração do
regime alemão, afirmou:
“Cada mandado de detenção
em aberto representa um risco para a segurança. A elevada proporção de
criminosos estrangeiros, incluindo muitos de outros países da UE, demonstra que
devem ser tomadas medidas”.
Throm observou ainda que os
controlos fronteiriços introduzidos em Setembro de 2024 fizeram mais do que
limitar a imigração ilegal:
“Não se limitaram a reduzir
a imigração ilegal. Desde o seu início, em Setembro de 2024, mais de 17.500
pessoas foram detidas nas nossas fronteiras com mandados de detenção em
aberto”.
Heiko Teggatz, presidente do Sindicato da Polícia Alemã, considerou os números preocupantes, afirmando:
“É evidente que representam
um problema de política de segurança. As forças policiais raramente têm
efectivo suficientes para realizar buscas dedicadas e a maioria das detenções
ocorre por acaso ou captura acidental”
O sindicato há muito que cita
a escassez de pessoal como um obstáculo central à melhoria da segurança
pública.
Marcel Emmerich, porta-voz
para a política interna do Partido Verde e defensor de uma política de
fronteiras abertas, reconheceu que o volume de mandados de detenção em aberto
constitui um problema sério, “especialmente quando se trata de pessoas
perigosas, extremistas, criminosos violentos ou sexuais”. No entanto, Emmerich
rejeitou o alargamento dos controlos fronteiriços, referindo:
“Em vez de esperar por
acertos aleatórios nos controlos fronteiriços, são necessárias buscas direcionadas,
especialmente para identificar criminosos violentos, ameaças e pessoas
envolvidas em crimes com motivações políticas”.
Sebastian Fiedler, porta-voz
do Partido Social Democrata para os assuntos internos no Bundestag, alertou
para que o número total não fosse interpretado como prova de que 148 mil
criminosos perigosos ainda estariam em fuga do país.
“Uma parcela significativa
deve-se à substituição de multas não pagas por penas de prisão. Na Renânia do
Norte-Vestfália, mais de metade de todos os mandados de detenção pendentes
referiam-se a estes casos.”
Os mandados também podem
permanecer ativos contra pessoas que já tenham deixado a Alemanha ou tenham
sido deportadas, para que qualquer pena restante possa ser executada caso
regressem. Fiedler explicou a situação nestes termos:
“Por exemplo, os seus
mandados continuarão a ser acionados para busca e apreensão, para que, se
reentrarem no país, a pena de prisão restante possa ser executada.”
Embora os crimes possam
incluir muitas infracções menores, os totais são alarmantes e a percentagem de
estrangeiros também. Os cidadãos alemães, que constituem 81% da população,
representam uma ínfima parte dos mandados de captura em aberto.
Ainda assim, seria pertinente
saber que percentagem dos 11,2% de cidadãos alemães com mandados de captura ativos
são descendentes de imigrantes.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
20-10-2026

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