Telmo Azevedo Fernandes
Não existe «direito à
habitação». A repetição sistemática da patranha, não a torna verdadeira, nem a
banha-da-cobra das «acampadas» disfarça o embuste. A afirmação de que «todos
têm direito à habitação» adquiriu uma falsa superioridade moral de quem deliberadamente
esquece que a escassez de casas não é abolida através da magia de proclamações
políticas.
A Constituição diz que todos
têm direito a uma habitação adequada, mas não cria a obrigação jurídica de que
alguém nos ofereça uma casa. A habitação é uma necessidade fundamental das
pessoas, mas não é um direito a exigir que terceiros a satisfaçam. Se todos têm
direito a receber uma casa, quem está obrigado a fornecê-la? Quem paga? Quem
constrói? Quem é tributado?
A Constituição cria a ilusão
de que a aspiração social de «uma casa para todos» se concretiza
automaticamente na realidade. Os líricos alienados, consideram qualquer
objecção a esta ideia uma afronta à dignidade humana.
Evidentemente que uma sociedade civilizada protege os vulneráveis. Mas uma coisa é perguntar se o Estado deve apoiar situações concretas de infortúnios que deixam alguém sem teto, e outra, bem diferente, é proclamar que todos têm direito a uma casa. Uma prestação social não faz de uma política pública um «direito», pois exigir de terceiros uma casa é esquecer os direitos alheios.
Os ativistas invocam
solenemente a Constituição democrática enquanto exaltam a revolução leninista,
a expropriação do capital ou a «okupação» de imóveis. Reivindicam para si
liberdades que negam aos outros na organização política da sociedade que
defendem. Para os ativistas o património dos outros é um alvo político que
legitima a sua apropriação. O investimento é tratado como suspeito, a
propriedade como obstáculo e o lucro como indecência. Curiosamente depois de
hostilizar e combater quem constrói casas esperam que a oferta aumente e
apareçam casas em abundância a preços acessíveis.
Invocar a Constituição para
reclamar que outros atendam às nossas próprias necessidade e desejos é o
caminho para a ruína e a tirania. Não é progresso social.
A minha crónica-vídeo de hoje,
aqui:
Título, Texto e Vídeo: Telmo
Azevedo Fernandes, Corta-fitas,
21-10-2026
"uma coisa é reivindicar melhores condições de vida, outra é transformar um protesto numa situação de desordem."
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