Gabriel Mithá Ribeiro
Ser socialista, comunista, bloquista ou, em geral, esquerdista é pertencer à raça divina à qual os restantes humanos vivem forçados a reconhecer-lhe o direito inquestionável de criarem o mundo, os deuses que dão nomes a lugares, pessoas, fenómenos. O nome é a essência da coisa.
Um primeiro detalhe é o de esses deuses não darem nomes ao que eles mesmos criam. São divindades-ladras. Mudam apenas levianamente os nomes de criações antecedentes. Tal usurpação de espaços ou edificações tem a particularidade de atropelar as identidades das pessoas que, na substância, estão filiadas ao nome da terra ou lugares onde nasceram, estudaram, passaram férias, fizeram amizades e ódios, circularam, associam a romances que leram, músicas que ouviram, filmes que viram, por aí adiante.
Em Portugal, caminhamos para gerações que acreditarão que a Ponte 25 de Abril foi construída na sequência da revolução de 1974, passará a ser a grande obra dos ditos revolucionários. Os exemplos são infindáveis do imperialismo toponímico do 25 de Abril & Associados, uma mega manipulação contra a mais elementar lógica do tempo histórico.
O fenómeno é necessariamente um atentado contra a condição humana, contra a memória social. Na menos ofensiva das possibilidades, ao menos que se substitua a toponímia odiada ou desprezada pelos novos deuses por designações neutras da mesma época da original ou de épocas antecedentes. Pelo menos a lógica racional do tempo histórico ficaria salvaguardada, precondição fundamental para a saúde mental das sociedades que, desse modo, serão mais resistentes a fenómenos de alienação mental.
Um par de anos depois, com a revolução de 1974-1975 pelo meio, a mesma conversa:
As mesmas pessoas. As mesmas conversas. Porém muito distintas no pormenor. O diabo está no detalhe. Ainda há quem duvide da violência mental progressista.





























