quinta-feira, 29 de outubro de 2020

[O cão tabagista conversou com…] Da Gama: “vi um anúncio da Varig sobre admissão de aeromoço e aeromoça, aí minha vida mudou.”

Nome completo:
Orlando Oliveira da Gama 

Nome de Guerra: Da Gama 

Onde e quando nasceu?
Rio de Janeiro, 12 de março de 1936

Onde estudou? 
Colégio Afrânio Peixoto, Nova Iguaçu – RJ 

Onde passou a infância e juventude? 
Como o meu pai era militar, passei minha infância e juventude nos estados do Norte, Nordeste e também no Sudeste. 

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude? 
A minha infância e juventude foram marcadas pela educação e disciplina, horários a ser cumpridos e respeito aos mais velhos. 

Quando começou a trabalhar? 
Comecei a trabalhar com quatorze anos de idade, trabalhava e estudava. 

Ora muito bem, onde trabalhava e o que estudava? 
Concluí o 2° grau e depois fiz o serviço militar na escola de paraquedistas do exército. 

Trabalhei como funcionário da Sears e Cássio Muniz Veículos, depois ingressei na Varig em 1963. 

Na Sears em Botafogo? 

 
Sim, na Sears em Botafogo. 

O seu terceiro emprego foi então na Varig… o que o atraiu para a RG? 
Como fui paraquedista, para saltar tínhamos que voar muito, me apaixonei pelo salto e pela aviação!! 

Terminado o ciclo no Exército, depois de quase 240 saltos, vi um anúncio da Varig sobre admissão de aeromoço e aeromoça, aí minha vida mudou. Aprovado, fui para São Paulo, fazer o curso!! 

Lembra do seu primeiro voo? 
Sim!! Fiz um voo para Natal, com diversas escalas, no Curtis Command, o C- 46. 

Foto: Vito Cedrini
E o seu Instrutor, lembra? 
Infelizmente não me lembro. 

Quanto tempo ficou no Curtis antes da próxima promoção? 
Nessa época aspirar a uma promoção para voar nas linhas internacionais, era um sonho!! 

Cheguei a voar por mais de cinco anos na RAN, voei todos os equipamentos que a VARIG possuía. 

Voei Electra, fazendo até um voo, que decolava do Galeão, com escala em Recife e Ilha do Sal, atravessava o Atlântico e pousava em Lisboa. 

Fui promovido para a RAI e comecei a voar internacional! (RAN = Rede Aérea Nacional; RAI = Rede Aérea Internacional; NdE) 

Foi promovido para a RAI em 1970? Nessa época eram os DC-8 e Boeing-707 que faziam as linhas internacionais… 
Exatamente!! Meu primeiro voo foi um Buenos Aires, meu instrutor, uma fera, em todos os sentidos, Cmro. Wenhardt, um senhor Comissário de Bordo! 

Nessa época, o recém promovido para a RAI ficava fazendo Buenos Aires, ou Montevidéu, ou Santiago, nos primeiros dois meses. Foi assim com você? 
Sim, é verdade. Essas rotas, onde os voos estavam sempre lotados eram usadas como um curso presencial para os recém promovidos. 

Qual o seu voo favorito no B-707? 
Roma. 

Quando é promovido a 1º Comissário? 
Não lembro bem a data, acho que foi em 1978. 

E a Chefe de Equipe? 
Em 1980. 

Quando vai para o DC-10? 
Em 1981. 
Arquivo pessoal
Como passava o tempo em Roma? 
Inicialmente eu fazia muito turismo, conheci muito a Itália, eu dominava o idioma italiano e isto facilitava. 

Que diferença (diferenças) sentiu no DC-10 em relação ao 707? 
Bem, apesar de gostar muito do B 707, voar um avião moderno foi muito importante. O DC 10 era um equipamento muito importante para a política comercial da Empresa. 

Revendo as datas acima, julgo que deve haver enganos… você foi para a RAI (B-707) em 1970… deve ter sido promovido a 1º Comissário bem antes de 1978… 
Os dois primeiros DC-10 chegaram em julho de 1974, e em dezembro desse mesmo ano mais dois; os três primeiros Jumbos chegaram em fevereiro e março de 1981… 
Sim, pode ser. Pode até ter erros de datas, tenho de recorrer a documentos, vou ver, para lhe informar o mais corretamente. 

Veja bem quantos anos se passaram, quase 40. A memória de um idoso de 84 anos, falha às vezes!! 😉 

Arquivo pessoal
Não esquenta. Bom, aí, no DC-10, quais os pernoites de que mais gostava? 
Como já falei, Roma era o meu pernoite favorito. Também gostava de Paris, Nova Iorque e Frankfurt!! 

Passou por algum perrengue na sua vida profissional? 
Passei por momentos complicados em três voos. 

No início de minha carreira, estávamos retornando de um voo, de Natal para o Rio de Janeiro, com escalas em Recife, Maceió, Aracajú e Salvador. Tivemos uma pane hidráulica no C 46 entre Recife e Maceió. Tivemos que retornar e alijar o combustível, pousamos só com um trem de pouso, e depois de um "cavalo de pau" (termo de aviação), fomos parar num matagal no fim da pista. Situação muito difícil. 

Depois da chegada dos bombeiros, após nosso desembarque e dos passageiros, ficou tudo tranquilo. 

Tripulação: Comandante Dau, Copiloto Magalhães, Rádio Operador João de Souza e Comissário Albuquerque. 

O segundo problema foi um pouso em Anchorage, debaixo de nevasca e ventos fortes, apavorante!! 

Aeroporto Ted Stevens, em Anchorage – Imagem: Umnak [CC]
O terceiro, um voo de Electra para Montevideo. Tivemos que parar o serviço de bordo na chegada por causa de uma turbulência muito forte. Passageiros que não afivelaram foram jogados ao chão, alguns se machucaram. Terrível o sufoco! 

Você acredita em Deus? 
Sim, acredito em Deus! 

Voou até quando? 
A minha aposentadoria foi em junho de 1991. 

Arquivo pessoal
Bem antes do fechamento da empresa… 

Você foi presidente do Gefuvar (Grêmio Esportivo dos Funcionários da Varig), certo? Por quanto tempo? 
Sim, fui presidente do GEFUVAR por 15 anos. 


Depois que se aposentou, em 1991, abraçou alguma outra atividade? 
Depois de minha aposentadoria fui convidado para gerenciar o campo de grama sintética, da Área de Lazer, fiquei até à falência da empresa. 

Falando em Área de Lazer, li algures que ela vai ser leiloada… 
A respeito do leilão não tenho conhecimento. 

Na sua opinião, que fator (fatores) contribuíram para o falecimento da RG? 
Foram vários fatores: o primeiro deles foi político, e os outros, econômicos e de gestão. 

Tem saudades da empresa? 
Sim, muita saudade da Empresa e de voar!! 

Arquivo pessoal, 1975

Atualmente, em que cidade reside? 
Moro no Rio de Janeiro. 
Arquivo pessoal
Como está a Cidade e o Estado do Rio de Janeiro? 
O Rio de Janeiro já esteve melhor, hoje está sem governo, municipal e estadual. Só carioca para aguentar esta situação. 

E o Brasil, como está? 
Eu sou muito suspeito em falar do Brasil e das situações, da pobreza, da corrupção, educação e saúde!!! Mazelas de governos anteriores que o atual governo ainda não conseguiu resolver de imediato, sem apoio do Congresso e STF. 

Eu acredito num governo honesto sem corruptos, eu iria estender muito, fico por aqui. 

Sinta-se à vontade para se ‘estender’ tanto quanto (e quando) lhe apetecer… 

Então, o Brasil tem jeito? 
Claro que o Brasil tem jeito. Eu acredito neste governo, por enquanto. Se continuar sem corrupção, conseguindo diminuir o desemprego, e o Brasil conseguir impulsionar os preceitos básicos de uma economia forte o Brasil deslancha, apesar de um Congresso e um STF que não correspondem aos anseios de um povo democrático. 

Uma pergunta que não foi feita? 
Primeiro, eu gostaria de lembrar: se não fosse a Varig teríamos o Aerus?? Mesmo com todas as dificuldades, com as lutas, lutando contra tudo e todos, estamos recebendo um pagamento digno, podendo pagar nossas despesas, nossos planos de saúde e nosso lazer. 

Falando em luta, não posso esquecer a APRUS! 

A derradeira mensagem:
Aos leitores do blog, quero deixar a esperança de que o Brasil vai melhorar e vencer.

Agradeço aos amigos do blog Cão que fuma a gentileza e paciência comigo. 

Um abraço fraternal. 

Obrigado, Da Gama! 

Conversas anteriores: 

2 comentários:

  1. Boa tarde a todos.
    Excelente entrevista com o da Gama.
    Ele fez uma brilhante carreira na VARIG sempre com muita determinação.
    Pessoa de alma positiva, feliz e de bons fluídos.
    Nossos parabéns ao Da Gama e família!
    Grande abraço do amigo
    Sidnei SILVA
    Assistido Aerus
    Rio de janeiro

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