domingo, 25 de outubro de 2020

O meu bem-haja

Ao nosso parlamento que pensa por nós. À dra. Ana Gomes que diz e não pensa. Ao movimento “Não TAP os Olhos” agora reconvertido em "Olhos completamente TAPados". À falsa sensação de segurança… 

Helena Matos 

Ao nosso parlamento que em boa hora decidiu que não podemos votar a eutanásia. Fez o parlamento muito bem. Numa democracia progressista como é a nossa tudo se baseia no voto do povo desde que, obviamente, o povo vote bem. Não se podem repetir erros como o da regionalização: os senhores deputados, ministros e demais altas individualidades a quererem dar esse passo em frente e o povo a impedi-los desse avanço civilizacional! O povo está cá para pagar impostos e ocupar o seu lugar nos planos governamentais. Tudo o mais é populismo. 

O meu bem-haja aos promotores do movimento outrora chamado “Não TAP os Olhos” agora reconvertido em “Olhos completamente TAPados” por terem contribuído de forma decisiva para os avanços na investigação a essa idiossincrasia crescente que são as cataratas socialistas.  As cataratas comuns acontecem, segundo me informa o google, quando o cristalino perde a transparência e se torna opaco, dificultando a passagem da luz e instalando-se uma névoa que diminui a qualidade da visão. As cataratas socialistas de que o google estranhamente não fala são exatamente o mesmo só que em vez de atacarem os cristalinos envelhecidos atacam sim os cristalinos da esquerda: em 2014, a privatização da TAP era, segundo afirmava aos quatros ventos o cineasta António Pedro Vasconcelos [foto], que por essa altura passava por especialista de aviação, “um crime de lesa-pátria“.  

Em 2020, a TAP nacionalizada despede, cancela rotas e voos… e os “Olhos completamente TAPados” nada veem. Ou só veem através da visão estratégica dos planos e dos anúncios do que há de ser.  As cataratas socialistas que impedem os socialistas de ver o presente, isto se o governo for socialista, não têm tratamento cirúrgico apenas eleitoral: assim que o governo deixa de ser do seu agrado, os pacientes das cataratas socialistas recuperam a vista. 

À senhora deputada Ana Gomes por nos ter mostrado como nada, nem sequer o ser candidata à presidência da República, a faz pensar um bocadinho antes de falar. Defendeu a senhora candidata, com aquela assertividade que a caracteriza, que  “É obrigação do Estado ir buscar as crianças” dos jihadistas portugueses, Ex-eurodeputada defende que Estado deve introduzir filhos de jihadistas portugueses em programas de desradicalização para não haver “surpresas desagradáveis”. 

Ana Gomes tem sempre certezas sobre tudo mesmo particularmente sobre o que desconhece como aconteceu no caso da compra dos submarinos e demais material militar. Desde que possa apontar culpas e obrigações nada a detém. Por exemplo, aquelas que Ana Gomes apresenta como “crianças dos jihadistas portugueses” têm mães. No caso das mães viúvas que não têm nacionalidade portuguesa iria o Estado português tirar-lhes os filhos? E estes pais e mães, cuja pertença à jihad não é fácil de ser provada nos tribunais portugueses, aceitariam a integração dos seus filhos em “programas de desradicalização”? Se essa integração for forçada quem vai assumir a responsabilidade dessa decisão?… Cada caso será um caso, mas antes de advogar seja o que for, convém lembrar que não existem soluções perfeitas nesta matéria e que as “surpresas desagradáveis” podem ser muitas. 

Às nossas autoridades tão sabedoras, tão ilustradas e tão previdentes que agora, na segunda vaga do Covid, decidiram que é muito inteligente e acertado fazer aquilo que há alguns meses só os estúpidos e os irresponsáveis defendiam. Ou seja os nossos extraordinários governantes rejeitam agora o confinamento que em março era imperioso e tornaram obrigatórias as máscaras que há uns meses segundo eles apenas davam uma falsa sensação de segurança. O meu bem-haja não só por transformarem em acerto o que era desacerto (e também o seu contrário que vai dar ao mesmo) mas sobretudo por nunca terem dúvidas. Cabecinhas assim são uma benção e uma garantia de que vai acabar tudo bem! Para as autoridades, obviamente.  Por mim, espero que alguém consiga explicar como é que compatibilizamos o discurso da Europa como região do mundo com melhores serviços de saúde e os governos mais ilustrados do planeta com os números do Covid. Mas à cautela vou esperar sentada. 

Ao empresário Pedro Abrunhosa que agora movimenta capitais que lhe permitem ser acionista da TVI e já não se dedica a lamentar  a emigração dos jovens que querem ficar nos braços das mães. É certo que em 2019 o número de enfermeiros que pediram certificado de equivalência para exercer no estrangeiro foi 4506 contra os 2366 profissionais que fizeram o mesmo pedido em 2013, o ano em que Pedro Abrunhosa cantava “Vim em passo de bala/ Um diploma na mala/ Deixei o meu amor pra trás/ Faz tanto frio em Paris/ Sou já memória e raiz/ Ninguém sai donde tem paz/ (…) Quero voltar/ Para os braços da minha mãe.” Não posso deixar de repetir o meu bem haja ao senhor Pedro Abrunhosa por a vida lhe ter corrido tão bem que passou de cantor de protesto a empresário de altos voos e o meu maior bem haja ao nosso Governo por ter conseguido que o senhor Abrunhosa e amigos não andem por aí a cantar, para nosso extraordinário embaraço, que os catraios portugueses de vinte e alguns anos, ao verem-se sozinhos em Amsterdã, se põem a dizer que querem ir para os braços da mãe. 

O meu haja ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa por ter aparecido em tronco nu a levar a vacina da gripe. Afinal, graças a esse propósito ou despropósito  presidencial (é difícil distinguir uma coisa da outra neste caso concreto), as redes sociais encheram-se de imagens e vídeos em que Marcelo aparecia de tronco nu em diversos  momentos icónicos. Um desses vídeos. Sexista e estupendo. Impossível nos dias de hoje. Porque as agências de publicidade não ousariam propor tal anúncio e também porque as empresas seriam penalizadas caso optassem por se associar a uma campanha dessas. 

Por exemplo, nesse manual da censura e da intromissão que são os Planos para a Igualdade que as empresas têm de entregar anualmente constam critérios de avaliação como este: “A empresa tem em consideração o princípio de igualdade e não discriminação em função do sexo e emprega formas de linguagem inclusiva (verbal e não verbal) e isenta de estereótipos de género na publicidade e na promoção das suas atividades, produtos e serviços?” Não é preciso mais que alguns segundos para observar que este anúncio da Coca Cola Diet não respeita o princípio da igualdade, é discriminatório, está pejado de estereótipos… e é ótimo. 

Voltando ao presidente Marcelo, não sei se o vamos observar a fazer outros exames clínicos. Mas se Marcelo continuar a cair nas sondagens, depois da performance do “Agarrem-me senão eu aprovo-o já” do BE em relação ao orçamento, teremos a rábula do  “E se eu não me candidatar? Sempre quero ver se eu não me candidatar!” Se isso implica tirar mais roupa é que não sei. 

O meu bem-haja antecipado a quem avançar elementos que permitam localizar a dra. Rosário Gama, senhora que, entre 2012 a 2015, denunciava, a propósito do pagamento de 35 euros de contribuição extraordinária de solidariedade por parte dos pensionistas que recebiam pensões de 1350 euros, que o governo de então pretendia “exterminar” os idosos “pertencentesà classe média”. Não era pressionar era mesmo exterminar: a cada 1315 euros que recebiam em vez dos 1350 era um extermínio. Agora os idosos da classe média, da classe alta e da classe baixa morrem nos lares, outros não conseguem ser consultados, os diagnósticos atrasam-se…, mas a dra. Rosário Gama e as outrora arrebatadas “doutoras Rosários” deste país já não se indignam e de extermínios nunca mais falaram. Dão-se alvíssaras a quem conseguir decifrar este mistério. 

PS. Já chegou a alguma conclusão a investigação levada a cabo há dois meses e meio pela Unidade Nacional de Contraterrorismo às ameaças feitas ao dirigente da SOS Racismo Mamadou Ba, às deputadas do BE Beatriz Dias e Mariana Mortágua e também a Joacine Katar Moreira e Jonathan Costa, da Frente Unitária Anti-Fascista? Sublinho que já passaram dois meses e meio.

Título e Texto: Helena Matos, Observador, 25-10-2020

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