quarta-feira, 21 de outubro de 2020

[Foco no fosso] Dicionário político

Haroldo Barboza 

Esta fábula aconteceu em Roubópolis, município de Esquesópolis (onde tudo se esquece com rapidez e a moeda corrente é o Cinzeiro - Z$) a 20 km da capital. Nosso personagem é Ernesto, que aos 22 anos formou-se com distinção em Administração Financeira. Seu curso foi dinâmico em função da prática que ele adquiriu ao se tornar bravo Presidente do Centro Estudantil Avançado. Pegou a entidade com uma dívida de Z$ 93.000,00 e deixou-a com um montante de Z$ 102.000,00 em 4 anos de administração. 

Por esta atuação, foi convencido por centenas de colegas a concorrer à Prefeitura local. Ernesto foi contra a idéia de criar novo partido, para evitar novos gastos ao país. Então saiu procurando (entre as dezenas de siglas) um partido composto por elementos honestos (?) para obter apoio às suas idéias em busca de melhor qualidade para seu povo. 

Depois de 3 meses de busca nos diversos níveis de tribunais, o melhor que achou foi o FEC (Frente Esquesopolitana de Crescimento), com apenas 15 condenações entre seus 42 políticos atuantes. 

Após se filiar, foi convidado para uma reunião com o “cacique” João Medá Omeu, cuja família atuava na política há mais de 60 anos.

Após 3 horas de reunião, foi ao RH solicitar seu desligamento e total abandono do sonho na vida pública. 

Seus colegas incentivadores se reuniram com ele na lanchonete para saberem os motivos de seu desencanto com o projeto que idealizou ao longo da juventude após a breve reunião. 

Ernesto resumiu tudo, fazendo algumas perguntas aos 22 colegas em volta da mesa. Para melhor entendimento de nossos leitores, vamos convencionar aqui:

P = pergunta feita por Ernesto.
E = resposta de algum colega presente.
R = resposta real, dada por Ernesto.

P: o que é PAC?
E: Programa de aceleração da cidadania.
R: parceria + acordo + comissão.

P: BT?
E: Balancete transparente.
R: Bom trambique.

P: UPG?
E: Unidade de pronto gerenciamento.
R: Um pacote de grana.

P: ECT
E: Empresa de correios e telégrafos.
R: Elevar “comissão” da terceirizada.

P: DRH?
E: Departamento de recursos humanos.
R: Dividir rachadinha hoje.

P: PPC?
E: Partido de proteção ao consumidor.
R: Parcela para o cacique.

P: CPI?
E: Comissão parlamentar de inquérito.
R: “Comissão” para indecisos.

P: CNPJ?
E: Cadastro nacional de pessoa jurídica.
R: “comissão” natural para juiz.

- Chega ou querem mais 50?

A reunião terminou com o compromisso do grupo em lutar pelo VOTO NULO até que a ONU coloque em pauta um programa mundial de luta contra a corrupção. Nem que a batalha demore 50 anos. 

Título e Texto: Haroldo Barboza, 20-10-2020 

Anteriores:
Pesquisar antes de votar
Trinta dias de cidadania
Mudar para onde?
A vacina “mágica”
Não querendo PIXar o produto

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não aceitamos/não publicamos comentários anônimos.

Se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-