sexta-feira, 23 de outubro de 2020

[Diário de uma caminhada] Hitler e Mussolini amordaçados pela Ditadura Mental dos Grandes Manipuladores. O regresso do nacionalismo (II)


[Conclusão do artigo anterior]

Gabriel Mithá Ribeiro 

Rejeitar liminarmente o antinacionalismo ou globalismo antifronteiras constitui um dever da cidadania responsável num momento em que a desregulação da imigração extraeuropeia há muito fez soar os alarmes por toda a Europa Ocidental. No entanto, a única forma de autodefesa dos povos, o seu nacionalismo, continua deslegitimada por um conluio de elites antinacionais que agrega académicos, intelectuais, jornalistas, políticos, artistas, sindicalistas, por aí adiante. 

A sensibilidade nacionalista das pessoas comuns não pode continuar a ser ignorada, humilhada, desrespeitada, tratada como uma doença civilizacional dos portugueses, dos povos europeus e demais povos do mundo ocidental, como os brasileiros ou norte-americanos. Tal conjunto de nacionalidades deve compreender que o equilíbrio mental coletivo das suas sociedades foi colocado em causa por uma gestão fortemente enviesada da memória social organizada em torno do nacionalismo fascista, simbolizado em Benito Mussolini, e do nacionalismo nazi, de Adolf Hitler. Não está em causa o julgamento condenatório desses regimes, porém nem o maior crápula do planeta pode ser sequestrado pela manipulação e pela mentira, antes confrontado com a verdade e com o sentido de justiça em nome da liberdade. 

O facto é que a esquerda conseguiu adulterar gravemente a memória social, tornar credível essa sua ambição e, mais, projetá-la pelo mundo. Para isso, serviu-se e serve-se do controlo incisivo e hegemónico das fábricas multinacionais de pensamento, as universidades, a comunicação social e os meios artísticos. Estes praticamente anularam e tomaram parcialmente de assalto a única instituição que lhes poderia fazer frente, a Igreja. 

Felizmente que o senso comum dos povos e a liberdade da rua ainda permitem resistir à Ditadura Mental dos Grandes Manipuladores que brotam de três fontes minúsculas referidas, perfeitamente identificadas e circunscritas, mas cujo poder sobre o pensamento social é descomunal: universidades, comunicação social e meios artísticos. Identificados esses alvos, a cada dia que passa beneficiaremos de condições crescentes para combatê-los sem contemplações em nome da sanidade mental coletiva dos povos europeus, dos povos do mundo ocidental e dos povos um pouco por todo o mundo, como os povos africanos, tão ou mais prejudicados do que os anteriores há mais de meio século. 

Não satisfaz, por isso, uma mera guerra cultural como se tamanho atentado à dignidade dos povos pudesse ser resolvido em meros seminários universitários ou em debates nos jornais, rádios ou televisões controladas hegemonicamente pelos donos do pedaço, os apostados em escravizar a cabeça dos cidadãos comuns. É bastante sintomática a ostracização na comunicação social, em Portugal, de André Ventura, do CHEGA, dos seus pensadores, dos seus ideais ou da dignidade dos portugueses que representam espelhadas em sondagens que se consolidam de cada vez que a ostracização abre uma brecha. É por isso que a ambição dos povos tem de ser bem mais substantiva. Assumir uma guerra moral, intelectual, cívica, política, civilizacional, pela sobrevivência da dignidade da condição humana e da dignidade da alma nacional, pelo reforço das democracias contra a Ditadura Mental dos Grandes Manipuladores. 

Com esse propósito, e considerando o tema deste artigo, recorro à palavra nacionalismo em sentido lato por se tratar de um fenômeno civilizacional com duas componentes articuladas. Uma estável no tempo dos séculos, a ligação afetiva de um conjunto singular de pessoas ao seu território coletivo exclusivo. E uma outra componente que se vai ajustando às circunstâncias do tempo e do espaço, isto é, os nacionalismos do século XXI não serão o mesmo que os nacionalismos da primeira metade do século XX, como estes não foram os do século XIX; nem os nacionalismos europeus se confundem com os nacionalismos americanos – mas todos são nacionalismo. 

Desde o nacionalismo da cidade-estado de Atenas, que há dois milénios e meio inventou a democracia; passando pelo nacionalismo das cidades-estados italianas cuja rivalidade gerou o renascimento no final da idade média, um dos mais extraordinários fenômenos intelectuais e culturais de que há memória; continuando na reforma protestante, iniciada em 1517, que reinventou a identidade coletiva alemã num território preciso; prosseguindo no parlamentarismo inglês (1689) e no holandês (século XVII), regimes filiados às peculiaridades identitárias dos respetivos povos construídas ao longo do tempo; passando ainda pelas rivalidades econômicas nacionais que espoletaram e dinamizaram a revolução e o progresso industrial (séculos XVIII-XIX) para chegar ao liberalismo do século XIX, ascendente direto das democracias do século XX, entre outros exemplos, a história está repleta de impulsos civilizacionais notáveis alimentados pela nobreza dos sentimentos nacionalistas em domínios como a política, cultura, literatura, economia, ciência, música, desporto, por aí adiante. 

Resulta, por isso, muitíssimo evidente que os fundamentos históricos e civilizacionais da democracia, desde a Grécia Antiga até hoje, são justamente os mesmos dos fundamentos históricos e civilizacionais dos nacionalismos ocidentais, desde as suas origens até hoje. Trata-se de ideais políticos em absoluto compatíveis entre si. Separar a democracia do nacionalismo, como se fossem inimigos, ou não perceber que o internacionalismo (ou globalismo) só é humanamente admissível se sustentado nos nacionalismos e, por seu lado, estes implicam a preservação e reforço das famílias – é não perceber a função da moral social da autorresponsabilidade coletiva e revelador do reino de alienação mental em que vivemos. 

Não só a democracia não é ameaçada pelo nacionalismo, como este não constitui uma ameaça aos equilíbrios do sistema internacional. Acontece justamente o contrário. As ameaças às democracias e aos equilíbrios das relações entre países, regiões e continentes resultam do globalismo gerado no tempo histórico totalitário soviético e embrenhado na violência resultante dos seus ideais. 

As disfuncionalidades das sociedades e do mundo residem sempre na orientação moral dos regimes vigentes, nunca nas seculares tradições nacionais. Trocar o essencial pelo acessório é próprio de ignorantes ou, bem pior, de manipuladores mentais, arte em que a esquerda é exímia. Daí que a justíssima condenação do fascismo e do nazismo, de Mussolini e de Hitler – que o CHEGA nunca deixará de o fazer –, tenha de remeter para o falhanço moral desses regimes. É apenas esse falhanço que está em causa e jamais o falhanço do ideal nacionalista, pela mesma razão que um pai homicida não torna o ideal de família genocida. 

A mesma lógica explica o falhanço do socialismo e do comunismo, por excelência internacionalistas e globalistas. Falham e falharão sempre por causa do seu primado moral, a vitimização, mesmo quando tentam fazer experiências democráticas. Aconteceu com as democracias populares da Europa de Leste durante a guerra fria (1945-1991) ou com a democracia chavista-madurista da Venezuela atual. Nesses casos, como noutros, não se pode deitar a democracia ao lixo por causa de usurpações e falhanços socialistas e comunistas. 

Acrescente-se que o ideal democrático não é rígido e pode ser funcional fora dos padrões habituais do mundo ocidental, desde que submetido a um primado moral viável. É o que acontece com alguns povos asiáticos, no Japão ou em Singapura, entre outros casos, que se submetem voluntariamente ao primado moral da autorresponsabilidade coletiva determinada pelo seu sentimento de pertença nacional balizado, sem ambiguidades, no seu respeito e proteção das fronteiras territoriais nacionais e identitárias dos seus países, ao mesmo tempo que se demarcam liminarmente dos ideais de vitimização e de globalismo. Será que a esquerda ocidental não percebe ser o núcleo da espécie humana mentalmente alucinado, tanto pior quando maior é a dimensão das suas vitórias eleitorais? 

Se é terrível viver num tempo de loucos dominado pela Ditadura Mental dos Grandes Manipuladores, sejamos otimistas porque os povos do mundo ocidental, por si mesmos, começam a despertar para um ciclo histórico profundamente renovado. Em Portugal e não só, o tempo é mesmo de se dizer CHEGA! 

Título e Texto: Gabriel Mithá Ribeiro, 23-10-2020 

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[Diário de uma caminhada] Apresentação

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