domingo, 25 de outubro de 2020

A essência do mal

Rui A. 

Por vontade da comunicação social, da portuguesa, da europeia e da generalidade do mundo, Donald Trump não ganhará a reeleição. Como não teria ganho a eleição, ou, tendo-a ganho, não teria tomado posse, ou, tendo tomado posse, não governaria mais do que um dia. 

Essa comunicação social é, por sua vez, acriticamente seguida por legiões de patetas que garantem que o homem é o diabo em pessoa. Primeiro, ia começar a 3ª guerra mundial. Depois, ia instalar uma ditadura nos EUA. Por fim, recusar-se-á a sair da Casa Branca, caso perca as eleições.

E por quê? Por que é que Donald Trump nunca beneficiou de um segundo de tranquilidade para fazer aquilo para que os norte-americanos democraticamente o mandataram: ser o presidente dos EUA durante quatro anos? Por que é que temos de aturar, ad nauseam, toneladas de comentadores televisivos a garantirem-nos a perfídia do homem, a hosanizarem a genialidade de Biden e a lembrarem-nos que os EUA têm a obrigação moral de se verem livres do homem? 

São muitas as respostas possíveis e várias as que concorreriam para uma conclusão final abrangente e satisfatória. Por mim, sobre Trump, interessa-me apenas o essencial: 

que esta Administração republicana reduziu, substancialmente, a conflitualidade internacional que Obama nos deixou; que praticamente acabou com o clima de guerra fria com a Rússia que Obama criara; 

que começou a conter um Irão transformado em potência regional pela invasão do Iraque e pelas políticas mantidas no Médio Oriente pelas anteriores Administrações; 

que foi provavelmente o único presidente americano dos últimos cem anos que não iniciou um único conflito militar; 

que a economia americana recuperava e crescia a olhos vistos até ao início da pandemia, graças a políticas públicas inteligentes de redução de impostos sobre as empresas e as pessoas; 

que obrigou o expansionismo econômico chinês a negociar e a acalmar-se; 

que, finalmente, lembrou aos parceiros europeus que a Segunda Guerra mundial acabou em 1945 e que há contas para pagar das despesas de segurança comum. Isto, como é evidente, para a elite da comunicação social e da política, de nada vale. Só conta o facto do homem ser o diabo em pessoa e ser um imperativo moral e humanitário removê-lo do poder. Não me lembro de um fenómeno de cretinismo de massas com esta dimensão. 

Boa noite. 

Título, Imagem e Texto: Rui A., Blasfémias, 25-10-2020 

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