segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Francisco e as eleições americanas

FratresInUnum.com 

Faltam algumas semanas para as eleições americanas, programadas para ocorrer em 3 de novembro. O quadro é objetivamente incerto: embora John Biden apareça como favorito nas intenções de voto (segundo pesquisas que sempre erram), o sistema eleitoral americano é tão complexo que não se pode prever com exatidão o seu resultado. O que realmente é seguro neste cenário é que a mídia mente compulsivamente, os americanos não gostam de revelar seu voto (o “trumpismo”, aliás, é um fenômeno quase invisível), Biden é um senil e sua vice é uma comunista descontrolada. Contudo, cabe-nos perguntar se existe algum cenário realmente favorável para o pontificado de Francisco…

Uma eventual vitória de Donald Trump, com absoluta certeza, significaria o completo sepultamento, no cenário internacional, do definhante pontificado de Francisco, o qual é um fenômeno para além de anacrônico, fruto ainda dos tempos progressistas da presidência de Barack Obama. Um papa greenpeace, ecofeminista, que silencia os conteúdos da fé e da moral católicas para anistiar todo o pensamento de esquerda, estaria totalmente isolado com uma reeleição conservadora na América. 

Entretanto, o cenário de vitória de Biden também não é tão favorável quanto possa parecer à primeira vista. 

De fato, o problema de Francisco não é somente geopolítico. Obviamente, este contexto pode favorecer os interesses que o movem, a sua ideologia, o lado para o qual ele trabalha, mas não significa que tal cenário irá favorecê-lo ou reforçá-lo enquanto pontífice da Igreja Católica. 

O problema de Francisco é eclesial, e o é em sentido profundo. O seu esquerdismo é tão escandaloso que provocou o descolamento do corpo dos fiéis, que se afastaram dele como ovelhas que correm de um lobo… No pós-concílio, as distâncias em relação a um papa eram prerrogativas exclusivas de grupos tradicionalistas minoritários; hoje, Francisco conseguiu provocar uma rejeição massiva, que nenhum dos papas anteriores obteve, rejeição que ultrapassa em muito àquela que sofreu Paulo VI. A resistência a Francisco tornou-se um fenômeno popular, é socialmente compartilhada. 

Francisco é um papa que não governa a partir da Igreja (ex Ecclesia), mas a partir dos poderes vigentes no mundo (ex mundo) e, portanto, o estranhamento é inevitável. Os fiéis não se reconhecem nele, mas reconhecem nele a voz dos marxistas, dos ecologistas, das feministas, dos multiculturalistas, dos esquerdistas em geral. 

O fenômeno da rejeição a Francisco, inclusive, não se sabe até que ponto não seja propositalmente provocado, visto que a finalidade última dos revolucionários sempre foi destruir a Igreja e, para isso, o papado. De um lado, os católicos não se sentem identificados com Francisco e perderam o pudor de manifestar sua oposição; coisa que obviamente será utilizada pelos próprios progressistas caso venha um pontificado conservador proximamente. De outro lado, o perigo de exacerbações neste campo é enorme e, lamentavelmente, já se levantam vozes que, ao invés de perceberem a cisão existente entre Francisco e o papado, voltam os seus ataques contra o papado em si, contra aquilo que os progressistas sempre combateram: o ultramontanismo. 

Como estas questões se resolverão, apenas a história poderá responder. No entanto, o fato é que este pontificado já perdeu completamente a benevolência dos verdadeiros fiéis e, portanto, daqui para frente sofrerá um desprestígio irreversível, ainda mais reforçado por todos os escândalos recentes e dos que serão deles decorrentes nos próximos meses e até anos, escândalos protagonizados por homens de confiança de Francisco. 

Ora, neste quadro de crise interna, uma eleição de esquerda nos Estados Unidos assanharia tremendamente a esquerda católica, que excitaria ainda mais Francisco para a esquerda, provocando, assim, um descolamento ainda mais grave em relação aos fiéis, que se manifestariam ainda mais descontentes do que já se manifestaram até agora. Se, por um lado, isso seria péssimo, por outro, teria sua vantagem, pois agravaria ainda mais a crise de representatividade na esquerda eclesiástica, que ficaria transfigurada diante dos poderes do mundo, enquanto é desmascarada diante da opinião pública dos fiéis, esvaziando-se mesmo até das aparências de catolicidade, aparências que usurparam, usurpando a oficialidade da hierarquia. 

A solução mais inteligente para todo esse dilema, do ponto de vista dos revolucionários, seria mesmo a renúncia de Francisco e a eleição de um papa menos progressista, que ao menos conservasse nos fiéis a suspeita de catolicidade que o papa atual jogou pela janela. Mas, ao mesmo tempo, maquiaria, e muito, a situação real, que é catastrófica, crônica e humanamente incontornável. 

Como o que Deus almeja é a salvação das almas e não a incolumidade de uma estrutura corrompida e corruptora, qualquer dos cenários não deve inquietar o fiel católico. Não temos esperanças em homens, nem em eclesiásticos nem muito menos em políticos. A crise da Igreja só pode ser resolvida por uma intervenção direta de Deus, mediante o triunfo do Coração de Imaculado de Maria. A nossa parte consiste em, como Ela, permanecer em pé, junto à Cruz, resistindo e sofrendo esta dolorosa Paixão da Igreja, à espera do triunfo que, certamente, virá. 

Título e Texto: FratresInUnum.com, 16-9-2020

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