segunda-feira, 19 de outubro de 2020

[As danações de Carina] A Nomofobia

Carina Bratt 

Uma nova doença nos espreita a todos, e o faz indistintamente. Falo da 'NOMOFOBIA'. E o que venha a ser este novo mal que se achega às carreiras e com bastante pressa? Nomofobia nada mais é que o horror causado pelo desconforto ou angústia resultante da incapacidade de acesso à comunicação através de aparelhos celulares ou computadores. 

Surge mais precisamente quando alguém se sente impossibilitado de se comunicar ou se vê incontactável, estando em algum lugar sem um aparelho celular ao alcance das mãos e das vistas, ou de qualquer outro telefone móvel ou dispositivo com Internet ou, ainda, quando presentes, estes falham pelos mais diversos motivos, sendo o mais conhecido, a imperfeição do sinal. Se não há sinal... 

É um termo novo, ainda bebê. A criancinha acabou de nascer. Ainda dentro da maternidade, meio que desprotegido e abandonado, apesar disto, se mostrou, a bem da verdade, a que veio. Para nosso assunto aqui, não importa a que veio. Para nossa conversa dominical, faz diferença os malefícios ou as crueldades que está causando e continuará espalhando mundo afora. A coisa, em si, ou seja, a Nomofobia, tem origem nos diminutivos em inglês No-Mo, ou No-Mobile, que significa, em nossa língua pátria, ‘sem telemóvel’. 

Daí a expressão Nomofobia, ou antipatia, repulsa e ojeriza acentuada de ficar sem um aparelho de comunicação móvel.

O termo surgiu literalmente na Inglaterra, onde mais de 50% da população é possuidora de aparelhos celulares, segundo pesquisa realizada pelo instituto YouGov para o Departamento de Telefonia dos Correios Britânicos. 

No Brasil, apesar dos pesares que enfrenta com os governantes de concepções duvidosas, existem clínicas especializadas na tal Nomofobia, como bem explica o doutor Carlos Cézar de Abreu, do Hospital das Clínicas de São Paulo. 

Vejam o que ele disse recentemente em entrevista à Rádio CBN: ‘As pessoas que apresentam uso abusivo de celulares, têm maior chance de desenvolver transtornos psiquiátricos como ansiedade, depressão e sintomas de impulsividade, embora a relação de causa-efeito nem seja fácil de ser estabelecida’. E termina, esclarecendo ao âncora, de modo enfático: ‘Problemas físicos frequentemente ocorrem, incluindo fadiga, patologia ocular, dores musculares, tendinites, cefaleia, distúrbios do sono e sedentarismo. Além disso, é evidente a maior propensão em se envolver em acidentes automobilísticos e de sofrerem quedas constantes ao andar.’ 

Na vida real, caras amigas e leitoras, ou na nossa vidinha do dia a dia, bem sabemos, que as pessoas não estão nem aí. Elas se colocam bem longe de se policiarem para certas manias, determinando apegos imensuráveis e inconcebíveis, entre os mais destacados, os de ficarem grudadas em aparelhos celulares vinte e quatro horas sem trégua ou descanso. Convivo, em meu secretariado, com pessoas que se levantam e, a primeira coisa que fazem é grudar em seus celulares. 

Mesmo norte, conheço gente que dirige em meio a um trânsito louco, falando desembestadamente ao celular. Igual seguimento, tenho amigas que almoçam e jantam tagarelando ao celular. E pasmem, amigas, assuntos que não levam a nada, que não trazem nenhum benefício considerado urgente. Diante deste quadro, a lista de viciados nestes aparelhos super modernos, que fazem de tudo (inclusive ceifar a vida dos menos despreparados), ultrapassou a todas as outras loucuras acumuladas por pessoas tidas como ‘normais’. 

Em nome da modernidade da comunicação via WhatsApp, por exemplo, os ‘seres pensantes’ os intelectuais, se digladiam, se agitam, se impugnam, se esfolam, arranjam confusão no meio da rua, e o pior de tudo, se entregam, de corpo e alma às garras da morte antecipadamente prematura. Tem gente que prefere conhecer as mansões celestiais e as ruas de ouro mais cedo, a entregar para um bandido de periferia, num assalto, aquele celular que acabou de comprar e ainda está pagando as prestações. 

A doutora Érica de Souza, pesquisando sobre o tema Nomofobia, disse outro dia, numa live, que a ‘euforia pelos celulares supera os jovens que são dependentes de drogas’. Entre eles, destaca a ‘fissura, a abstinência, as consequências negativas para a vida, a desprodutividade nos estudos, a perda total do controle e o distanciamento familiar, em face da cessação dos diálogos corriqueiramente sutis entre os familiares’. 

Em linhas gerais, a Nomofobia acabou com o convívio entre as famílias, destruiu totalmente a comunicação entre pais, filhos, maridos e esposas, enfim, para completar este quadro lúgubre e tétrico, pesaroso e infausto, levará mais gente para o buraco sem volta, num descontrole maior e mais perigoso que a pandemia da Covid-19. 

Caríssimas amigas e prezadas famílias da dileta Comunidade ‘Cão que Fuma’. No próximo domingo voltarei à baila com este assunto, dando as dicas de médicos especializados no assunto e como se livrar das suas sérias e incômodas intempéries. Até lá, se Deus quiser. 

Título e texto: Carina Bratt, de Vila Velha, no Espírito Santo, 18-10-2020

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