quarta-feira, 21 de outubro de 2020

[Pernoitar, comer e beber fora] O Caranguejo: Gastronomia caprichada ao som do trânsito de Copacabana

O velho restaurante ainda encanta com seus pratos bem servidos de frutos do mar. No coração de Copacabana, a comida é tão caprichada que a gente (finge que) nem escuta o barulho do trânsito caótico da princesinha do mar.

Quintino Gomes Freire


A verdade é que pouco se tem escrito sobre os restaurantes tradicionais de Copacabana, ultimamente. Ficamos de olho nos novos bistrozinhos, nos botecos transados da moda, mas na hora de comer bem, às vezes a melhor maneira é ir ao bom, velho e tradicional. O DIÁRIO DO RIO resolveu fazer isso hoje. Jogamos par ou ímpar pra ver se íamos de Príncipe de Mônaco ou O Caranguejo. Hoje, deu o segundo. 

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Localizado bem na esquina da Rua Barata Ribeiro com a Rua Xavier da Silveira, de frente para a boca do metrô, o visual da loja não chega a impressionar, mas os botecos raiz são assim mesmo, né? Todo aberto – ideal pra esta época de pandemia – e com cadeiras também ao ar livre, o restaurante é limpo, e tem aquele jeitinho das velhas casas portuguesas com certeza. 

O balcão de salgados é uma tentação; ali a gente vê os imensos camarões, que podem ser servidos empanados, os pastéis diversos, os bolinhos de bacalhau fritos na hora, e muito mais. Doces portugueses também. 

O serviço, atencioso, com muitos garçons por metro quadrado, impressionou. OK, a hora ajudava o restaurante: eram cerca de 18:00, ideal pra um almoço tarde daqueles que a gente desce do ônibus como passageiro e, depois, sobe como carga. 

Éramos duas pessoas. Pedimos então, como petiscos, 2 bolinhos de bacalhau (R$ 7,00 cada), uma casquinha de siri – que vimos que era na verdade uma cascona, por R$ 29,00 – e um escondidinho de camarão (R$ 39,00). 

bolinho de bacalhau, frito na hora, e do tipo grandão – formato de bar, não é o redondinho – a gente mandou pra dentro com boca boa. Razão Batata/Bacalhau dentro do esperado pra um restaurante especializado, e textura excelente. Desceu bem com a deliciosa pimenta brabíssima da casa.


casquinha de siri, enorme, vem com um limãozinho cortado, e umas duas colheres bem cheias de farofinha de dendê. Espetacular (foto), e extremamente bem temperada, bem desfiada, sem pedacinhos de casca de siri (ai, como isso irrita!), e quente de verdade: fervendo. Ponto alto! 

Por fim, veio o escondidinho de camarão. E, nossa mãe, quanto camarão! Limpo (sem cocozinho, graças ao Bom Deus, ainda não sei como tem restaurante que serve sujo), bem temperado, e com uma textura bem gostosa e diferente de um escondidinho normal. Você sente o aipim, mas o recheio do escondidinho é um misto de bobó com pirão. Delicioso, e o camarão não tem aquele gosto de camarão congelado. Extremamente gostoso, e veio pra mesa borbulhando. Mais um prato que fez a diferença. A propósito, é uma pequena refeição, não é um mini escondidinho não. 

Chegou a hora de escolher o prato principal, mas os petiscos tinham sido bastante, digamos, representativos, e tinham servido pra segurar nossa fome. Então resolvemos pedir um Cherne Grelhado à Belle Meunière (com molho de manteiga, alcaparras, camarões, champignons e acompanhado de batatas cozidas). Segundo o garçom, dá pra 2. Pedimos (R$ 186,00). 

Papo vai, papo vem, enquanto bebericávamos Chopp e Coca-Cola (R$ 7,00 e R$ 6,00, respectivamente), ambos estupidamente gelados… chegou a travessa. 

Meu Deus! Eram dois filés enormes, lindos, gigantes, corados e muito bem grelhados, com a cor, o cheiro e a temperatura absolutamente perfeitos. Casquinha crocante, carne branquinha dentro, firme, mas sem ser dura. A molheira, até a borda cheia de molhinho fervente, exalava um cheiro que devolveu nossa fome à estaca zero. 

E o peixe estava absolutamente delicioso. Perfeito, sem ressalvas. Temperado de forma a ser gostoso e saboroso sem mesmo colocar o molho. Dava tranquilamente para três pessoas, tanto que levamos uma porção suficiente pra mais um. 4 ou 5 batatas cozidas molinhas, mas sem desmanchar, que absorviam o molho belle meunière com perfeição. Os filezões eram perfeitos e vinham sem molho, pra que cada um colocasse conforme seu gosto; quem está de dieta pode mandar pra dentro sem tanta manteiga. 

De sobremesa, pedimos o Pastel de Belém (ou de Nata), que foi servido frio, mas estava fresco, crocante e gostoso. 

A gorjeta, de 10%, demos com gosto, pois fomos servidos por dois garçons, os dois muito atenciosos, embora não sejam do estilo que puxe papo.


O espaço é claro, arejado, ventoso mesmo. O barulho do cruzamento da Barata Ribeiro com a Xavier da Silveira é alto, mas não atrapalha a experiência. Tudo veio bastante rápido. Sentamo-nos dentro do restaurante, que tem cadeiras de mesa de madeira dentro, e de PVC pra quem quer sentar-se na calçada (não é nossa praia). 

O Caranguejo nasceu em 1979, mas segue em bela forma. O pessoal que se senta do lado de fora come bastante pastel, salgadinhos, e manda brasa no Chopp Preto. É o que faremos da próxima. Altamente recomendado. 

Título, Imagens e Texto: Quintino Gomes Freire, Diário do Rio, 20-10-2020 


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