sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Ação milionária faz Portugal vender vinhos no Brasil a partir de R$ 28

Guilherme Grandi 

Com o objetivo de ampliar a presença e o consumo de vinhos portugueses no Brasil, começa neste final de semana o Festival Vinhos de Portugal, uma ação milionária de promoção dos rótulos do país em cerca de 2,5 mil supermercados das cinco regiões brasileiras. Até o dia 1º de novembro, a bebida será vendida em promoções que vão de descontos nos preços a vendas por volume, com valores a partir de R$ 28.

Conforme o Bom Gourmet Negócios adiantou no mês de julho, a ViniPortugal (entidade que reúne as vinícolas produtoras do país) está investindo R$ 3 milhões na ação para fomentar um mercado dominado atualmente pelos vinhos chilenos – nossos vizinhos latinos são responsáveis por 42% dos importados consumidos no Brasil, enquanto que os portugueses respondem pela metade disso. 

Segundo explicou Carlos Cabral, consultor responsável pelo festival no Brasil, nesta quarta (21), o mercado brasileiro é promissor e vem crescendo ano a ano. Só de janeiro a setembro de 2020, o país importou 1,7 milhão de caixas com 12 garrafas cada, um aumento de 16,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. 

“De janeiro a agosto foram US$ 35 milhões (R$ 196 milhões) importados de Portugal. Nos últimos anos, 3 milhões e meio de brasileiros viajaram à Portugal e voltaram encantados com a hospitalidade, a gastronomia e a facilidade com a língua. E aí chegaram aqui querendo tomar os vinhos que tomavam lá”, disse. 

Já Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, conta que a desvalorização do Real frente ao Euro não é um impeditivo para aumentar a presença dos vinhos portugueses no Brasil. Para ele, a chegada dos rótulos em promoção é um incentivo para as pessoas conhecerem os vinhos portugueses, mesmo com um tíquete médio um pouco maior que os chilenos.

“Temos 14 regiões de produção muito diferentes umas das outras, com castas específicas de uvas, um mundo a descobrir pelos brasileiros. Para o ano que vem, esperamos aumentar ainda mais a presença no Brasil, percorrendo mais cidades com o festival”, disse.

Participam da ação os supermercados das redes Carrefour, Pão de Açúcar, Big/Walmart, Festval, Cencosud, Muffato, Makro, operações menores e e-commerces Evino e Wine.com. 

Promoções 

O festival começou a ser planejado há um ano com um cenário internacional mais estável, quando ainda não se imaginava uma pandemia no meio do caminho. No entanto, mesmo com as limitações impostas e o câmbio desfavorável, a organização decidiu manter a ação dando mais liberdade aos supermercados participantes e melhorando a logística da bebida. 

“Os supermercados tiveram a liberdade de fazerem as suas próprias ações promocionais, mandamos todo o material de divulgação e eles usam como bem entenderem. E pedimos, obviamente, que eles importassem mais vinhos através dos distribuidores ou importação própria (13% deles atuam nesta modalidade”, disse o consultor do festival. 

São pelo menos 120 marcas em promoção nos supermercados, com outras tantas criadas especialmente para o festival. Para oferecer um preço mais competitivo, a ViniPortugal incentivou as redes a baixarem as margens praticadas, por conta do câmbio. Com isso, serão ofertados vinhos na faixa de R$ 28 a R$ 32 entre os mais em conta, ou ainda descontos de 10% a 15% e promoções do tipo ‘leve 2, pague 1’. 

Segundo Carlos Cabral, a maioria dos vinhos que serão vendidos durante o festival custa em torno de 2,50 a 3 Euros lá em Portugal, principalmente do Alentejo (29%), vinho verde (17%), Lisboa e Douro (13% cada) e Porto (6,2%). A expectativa é de que os dois primeiros tenham ainda mais aderência no mercado brasileiro. 

Concorrência 

Dados recentes da consultoria de mercado Ideal Consulting apontam que os vinhos importados representam 30% do total consumido pelos brasileiros, sendo os 70% restantes de rótulos nacionais nas categorias fino e de mesa (aqueles elaborados com variedade não vinífera). A estratégia de Portugal é incrementar esse índice com mais bebidas produzidas no país. 

O consultor responsável pelo festival explica que a nação lusitana quer aproveitar a lacuna aberta por outros países que deixaram de fazer ações promocionais no Brasil -- em especial os vizinhos latinos. 

“Nos dois últimos anos não vimos nenhuma movimentação forte de promoções dos vinhos do Chile, do Uruguai, Argentina e Itália no Brasil, estes países se afastaram daqui. Ninguém se assuste se, no ano que vem, os países voltarem a fazer festivais na esteira deste promovido por Portugal”, completa. 

Título e Texto: Guilherme Grandi, Gazeta do Povo, 22-10-2020, 10h08 

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