terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O homem certo no lugar certo para levar isto de novo para o buraco

António Ribeiro Ferreira
Desta vez não se pode acusar o mais do que relativo presidente do Conselho de vender gato por lebre aos portugueses. Desde a primeira hora que se sabia que o Groucho Marx das Finanças ia ser uma grande anedota.

É preciso recuar a abril de 2015, quando um grupo de 12 sábios entregou ao futuro golpista Costa o programa económico do PS. Com pompa e circunstância surgiu no palanque a equipa, com Mário Centeno ao microfone. Basicamente, tudo começou aí. O atual Groucho Marx das Finanças precisou de um ponto para dizer aos portugueses coisas tão simples como qual seria o PIB e o défice para 2016 previstos nas suas extraordinárias folhas de excelo.

Podia ser dos holofotes, do nervoso de estar à frente de tantas objetivas e câmaras de televisão. Podia, mas afinal não era. Estes poucos meses já deram para ver que o homem é um desastre ambulante, cá dentro e lá fora. Depois de muitos dias e muitas noite de labuta intensa, lá conseguiu parir um esboço de Orçamento para 2016 que tem lugar garantido no Guinness. Nunca um documento desta natureza suscitou tanta unanimidade, nunca um documento desta natureza suscitou tamanha perplexidade. A lista dos perplexos é extensa e não para de aumentar.

Começou pelo respeitável Conselho de Finanças Públicas da economista Teodora Cardoso; vieram depois as três principais agências de rating, Standard & Poor’s, Fitch (por duas vezes), Moody’s e a canadiana DBRS, a única que resistiu estes anos todos a atirar o rating da dívida portuguesa para o lixo; a Comissão Europeia, com previsões que atiravam logo para o cesto dos papéis o esboço do Groucho Marx das Finanças; e a UTAO, uma unidade técnica independente que não hesitou em acusar o académico feito ministro de maquilhar as contas públicas. A favor do esboço só apareceram algumas vozes, poucas, socialistas, comandadas pelo Groucho Marx júnior das Finanças, conhecido por João Galamba.

E já que estamos a falar de atores cómicos, tudo isto daria uma imensa vontade de rir se Portugal não estivesse, pela quarta vez, a caminho do precipício, a uma velocidade difícil de imaginar quando os golpistas derrotados nas eleições de 4 de Outubro assaltaram o poder com a maior fraude de sempre da democracia portuguesa. A posição da agência canadiana é particularmente grave. Se a DBRS atirar a dívida portuguesa para o lixo, os bancos nacionais ficam impossibilitados de se financiarem no Banco Central Europeu e o seu destino será, muito provavelmente, o dos bancos gregos quando os esquerdistas do Syriza desafiaram as instituições europeias. Fecharam as portas, limitaram os levantamentos e a economia grega foi atirada contra a parede.

E se a banca cair na desgraça, os juros da dívida portuguesa rapidamente vão disparar para valores impensáveis, a partir do momento em que o BCE ficar impedido de ir aos mercados comprar dívida nacional. É evidente que os socialistas são useiros e vezeiros em atirar o país para a bancarrota, como o fizeram em 2011. É evidente também que arranjam sempre narrativas de ficção para nunca reconhecerem o desastre e voltarem sempre ao local do crime com o ar mais inocente do mundo. Mas os portugueses normais, que trabalham ou estão desempregados, que são pobres ou remediados, pagaram, pagam e vão, pelos vistos, continuar a pagar caro as políticas irresponsáveis e criminosas dos golpistas Costas e dos Grouchos deste sítio cada vez mais mal frequentado.

É evidente que os golpistas Costas e Grouchos, seniores ou juniores, passam sempre pelos pingos da chuva, refugiados nas academias estatais ou na vida política. Não sabem o que é a vida real, a vida das empresas, do pagamento de salários ao fim do mês, das falências, do desemprego, das filas nos centros de emprego e na Segurança Social. Atiram milhões para a pobreza, fazem a vida dos cidadãos num inferno e andam feitos grandes senhores, com extraordinários planos económicos que não passam de exercícios de ficção. Portugal, pobre e cada vez mais corrupto, está outra vez entregue à bicharada.

P.S.: PJ e MP investigam compra dos Kamov. Há dez anos, o então ministro da Administração Interna, António Costa, adquiriu dez helicópteros: seis Kamov (pesados) e quatro B3-Ecureuil (ligeiros). A frota custou 62 milhões de euros.
Título e Texto: António Ribeiro Ferreira, jornal “i”, 1-2-2016

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