quinta-feira, 14 de julho de 2016

[Estórias da Aviação] Decolagem abortada

Heitor Volkart

Era final da década de 90, estávamos de DC-10, em Londres, aeroporto de Heathrow, tripulação do Cmte. Branco, diga-se de passagem, um baita comandante.


"Tripulação, preparar para a decolagem", seria LON/GRU, lotados, carga e pax, peso máximo de decolagem, minha esposa estava comigo como GC, no Crew Seat, eu era o Chefe de Equipe do voo. 

Já rolando na pista ouvimos o primeiro estouro e logo o segundo, muito próximo, "em cima da V1".

Cmte. Branco optou pela abortagem, foi uma loucura, os outros pneus do trem central estouraram, os pedaços de borracha batiam com violência na fuselagem.

Depois vimos como danificaram os ailerons e flaps do DC-10, os aros abriram sulcos de aproximadamente dez centímetros…

Na pista principal de Heathrow conseguimos parar a menos de cinco metros do final da pista, foi um sufoco geral.

Interditamos a pista por mais de um dia, vieram mecânicos e peças do Rio.

Nós e os passageiros voltamos para o hotel. Após acomodar os passageiros em outros voos no dia seguinte, ficamos mais dois dias inativos em Londres e retornamos de Extra para casa.

Naquela mesma noite no bar do hotel, estávamos entre uma Guinness e outra, Branco nos explicou sua decisão, pois teríamos seríssimo problema para o voo e principalmente para o pouso em GRU, e ele não quis arriscar, foi uma difícil e grande decisão! Difícil, pois são milésimos de segundos para decidir! Mas todos éramos muito bem treinados! Afinal era a VARIG!
Título, Imagem e Texto: Heitor Volkart, 13-7-2016

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Um comentário:

  1. O voo de Madrid com 3 dias parados era o FILÉ do DC-10 na minha época, não sei se o mesmo era compartilhado pelos pessoal de cabine.
    Os tripulantes técnico disputavam-no muito.
    Essa parte que conto é desconhecida dos atendentes de segurança de bordo.
    Vou mostra que havia na nossa VARIG algumas irresponsabilidades.
    Pois bem, fui fazer o tal voo, os comandantes eram da chefia de operações fazendo cheque em outro, isso significa que isa ser um voo difícil.
    Sentamos na cabine, e o MASTER me pede para ler o livro de bordo.
    Assim o fiz:
    - A AERONAVE SÓ FUNCIONA O LIGAMENTO DAS BARRAS ELÉTRICAS NO SISTEMA COM A USINA EXTERNA ENGATADA.
    O MASTER me respondeu OK.
    Deu-se o embarque, a autorização, portas fechadas e acionamos os motores no Gate, porque a usina necessitava estar no avião, para o sistema elétrico funcionar.
    Liguei todo o sistema elétrico, e a usina foi retirada.
    Quando foram pedir o táxi, eu disse ao comandante que o cheque de preferência das barras deveria ser feito, para testar seu automatismo.
    Ele me questiona muito, dizendo que eu queria FODER com o voo dele.
    Eu bati meu pé, dizendo que o automatismo não estava funcionando e que o cheque preferencial deveria ser feito.
    Fiz o tal cheque e o resultado foi negativo, se viéssemos a perder um motor aquele sistema elétrico era perdido.
    Com o teste ficamos às escuras., chamada a manutenção o voo foi cancelado .
    Apenas para complementar que esse DC-10 estava voando há mais de 30 dias com essa pane.
    E a tripulação estava levando o avião sem condições de voo nesse período.
    A nossa VARIG era ótima, mas alguns não primavam assim pela excelência.
    Vou omitir os comentários que fizeram sobre mim por ter aberto a discordância nos procedimentos.
    Dever cumprido apenas.
    Permitam me omitir os nomes dos envolvidos.
    bom dia...

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