sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Precisamos falar sobre misoginia, machismo e taxistas

Liana Carreira
Ontem tive o desprazer de viver uma situação de risco, que poderia ser muito pior do que foi. Voltando de São Paulo, peguei um táxi credenciado no aeroporto Santos Dumont. Antes de entrar no táxi, perguntei à mulher que organizava a fila se a tarifa cobrada seria a normal, pelo taxímetro. Ela disse que sim. Entrei no táxi e informei ao motorista Marco o meu endereço. No curto trajeto entre o SDU e o bairro do Flamengo, onde moro, vivenciei uma das piores experiências dentro de um táxi da minha vida.


Logo que saímos do aeroporto, o motorista me perguntou se eu costumava pegar táxi frequentemente. Respondi que sim, às vezes, e perguntei o porquê. Ele respondeu que, como eu havia perguntado à moça da fila sobre a tarifa, deveria desconhecer sobre o sistema de táxis do Rio e quis me dar uma aula sobre Constituição (primeira vez que ele sugeriu que eu era burra). Eu disse que perguntei apenas para me precaver e não ter uma surpresa desagradável. Ele disse que não via motivo para eu me surpreender, pois os táxis com tarifas normais são amarelos e os outros são coloridos (mais uma vez insinuando que eu era burra) e também insinuou que eu estava lhe chamando de ladrão. Mais uma vez, tentei explicar que perguntei apenas para me precaver, pois já peguei muitos táxis amarelos que não seguiam o taxímetro e cobravam mais (nessa hora deu o exemplo dos táxis da rodoviária).

Do nada, ele disse que eu era preconceituosa e arrogante, pois estava generalizando a classe. Eu rebati, explicando que eu só dizia isso pois já tinha passado por experiências ruins e inclusive tinha sofrido assédio de taxistas mais de uma vez (dando uma indireta pro escroto parar). Nessa hora eu entendi que o grande lance dele era me intimidar de todas as formas. Ele disse que por eu ser mulher, "não poderia me vitimizar toda hora", pois a Constituição garantia os mesmos direitos para ambos os sexos, blá-blá-blá…

Eu já estava cansada da viagem e de saco cheio e pedi, EDUCADAMENTE, para encerrar a conversa, pois eu não estava confortável naquela situação. Foi quando ele disse (pasmem) que não ia ficar calado, que ele tinha o direito de falar garantido pela Constituição (mais uma vez ela), que eu não sabia falar, que eu era arrogante, que eu estava me fazendo de vítima, mas que no fundo eu era intolerante, e que se eu estivesse incomodada com ele, eu teria que descer do carro, com uma mala pesada, longe da minha casa. Eu poderia ter descido e pego outro táxi ou esperado o Uber, mas não. Escolhi ficar, peitar o escroto e ver até onde ele ia.



Não sei se faria isso de novo, mas na hora meu Marte em Leão falou mais alto. Exatamente quando eu disse que não ia sair e pedi para ele pegar o caminho mais próximo da minha casa, o macho alfa entrou um parafuso. Como assim uma mulher não faz o que ele quer? Como assim eu me recuso em sair do carro, diante de toda aquela situação de desconforto e intimidação? Só para resumir, ele me chamou de escrota e de lixo quando falei que o Uber era uma excelente opção para acabar com a arrogância dos taxistas.

Disse que eu era maluca, arrogante, burra e preconceituosa por não concordar com ele. Quando estávamos virando a minha rua, pedi pra ele entrar no recuo onde fica a minha portaria. Ele passou direto e disse que se eu quisesse nós poderíamos "dar uma volta". Nessa hora eu gelei. "Para o carro agora!".

Desci do táxi logo com a carteira na mão. Pedi a minha mala e ele rindo me disse que só daria a minha mala depois que eu pagasse ele. Eu disse que ia pagar só quando ele abrisse o porta-malas. Ele disse que só ia fazer isso depois que eu desse o dinheiro. Peguei 20 reais (a corrida deu 16) joguei no banco e falei que não queria troco, só queria a minha mala. Nessa hora, o porteiro do prédio ao lado do meu, onde o carro estava parado, já estava vendo tudo e algumas pessoas paravam pra olhar na rua. Ele, psicopata, falou que só ia entregar a minha mala quando ele quisesse e, antes, ia dar o meu troco. Eu repeti que não queria troco, mesmo assim, ele pegava as notas calmamente, uma por uma, só para me ver mais nervosa e desesperada.

Eu falei que ia tirar foto da placa do carro para denunciar e ele perguntou se eu queria que ele posasse para a foto. E (pasmem), ele posou, como vocês podem ver na foto abaixo. Depois da foto, ele abriu a mala, fui rapidamente pegá-la quando ele me empurrou e me chamou de maluca. Comecei a gritar para todo mundo ouvir que ele era um machista, psicopata e misógino. As pessoas de outros apartamentos que estavam na janela, principalmente mulheres, também começaram a gritar. Ele ficou nervoso e teve que ser segurado por outro taxista, que nessa hora já tinha parado para ajudar no caso, para não me agredir. Antes de ir embora, me xingou de puta, maluca, filha da puta, ridícula, burra e mandou eu enfiar a minha mala em todos os orifícios possíveis.



Depois de ter desabado em lágrimas na rua mesmo e ser amparada pelas pessoas que passavam na hora, eu fiz questão de fazer uma ocorrência na delegacia e na Prefeitura. Agora, faço questão de denunciar nas redes sociais e peço para que vocês compartilhem e exponham esse escroto para o maior número de pessoas possível, principalmente mulheres.
Beijos de luz! 
Título, Imagens e Texto: Liana Carreira, Facebook, 25-11-2016

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