quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Quando os sapatos desconhecem os buracos das meias

Aparecido Raimundo de Souza

Vira, mexe, tira, bota, morde, assopra, Michel Jackson Temer aproveita as brechas e gretas, fendas e lacunas, para engrandecer e manter o PAC (Programa de Aceleração de Calhordas) em franca evidência, ainda que essa evidência não seja lá muito convincentemente evidente. De lambuja, manda recadinhos ao meio político de esquerda e de direita. É um direito meio esquerdo dele, as senhoras e os senhores não concordam? 

Qualquer um, no lugar da triste figura que derrubou a Dilma Rouboussett dando-lhe uma pernada, faria o mesmo. Só para recordar, dias atrás, no Palácio do Planalto, nosso mimoso presidente aproveitou a “deixa” e trouxe à baila um fato que, ultimamente, vem gerando intensa polêmica. A galera do nome borrado. E o mais incrível na história. O homem conseguiu se sair bem e posar bonito na foto. Na foto e no palavreado.

Não temos certeza se alguém notou, mas, de uns tempos para cá, Temer tem aprendido bem a lição de casa. Um de seus professores da escola primária até autorizou mudar a cartilha. Parece que, efetivamente, ele saiu daquele beabá viscoso, onde patinava agarrado feito agulha empacada, num velho disco de vinil. Temer, desta vez, foi mais longe. Cobrou umas reformas urgentes, urgentíssimas, na legislação eleitoral, para impedir que os “fichas-sujas” se candidatem, ainda que esses cargos sejam os de deixarem brilhando as privadas da Policia Federal.

Sabemos todos, o que mais existe, por aí, é político mau caráter, desonesto, safado e ladrão. Apesar dessas figuras malditas viverem aos arrepios arrepiados das leis, conseguem, além de eriçarem as normas contidas nos códigos, horripilarem os mais estudiosos advogados, deixando a todos, de bocas abertas, culminando, no final, por se candidatarem, ocupando cargos políticos que, na verdade, deveriam ser entregues a cidadãos honestos e de boa índole, tipo Marcos Delúbio, Eduardo Campos, e outros da mesma laia.

No fim, esses salteadores dos bolsos alheios ganham o poder e a fama, e, em nome desse poder, dessa fama, deitam na cama, operam verdadeiros malabarismos. Sabemos, por antecipação anunciada, que, pelas coxias, os canalhas fazem de tudo, movem céus e terras para emperrarem a máquina judiciária, culminando por serem rotulados, ao final, de “representantes do povo”, ou como se diz, lá no Epicentro, de “PARLAMENTARES”.

Michel Jackson Temer, nesse discurso, em face aos porcos que chafurdam no lodaçal existente em Brasília, berrou para uma plateia de “bundas sujas” (vamos abrir aqui um parêntese, para explicarmos como essas duas palavrinhas juntinhas se transformaram num pejorativo tão INFAME, quanto o significado que delas emanam. “Bundas sujas” são aqueles babacas que compõem a plateia de bufões, literalmente os barrigas de fome que vivem com seus narizes enterrados, cheirando os sovacos do presidente vinte e quatro horas por dia.

Aonde ele vai, percebam, senhoras e senhores, aonde ele chega, onde se apresenta, os caras estão lá, grudados no pé do homem, cheirando o cangote – perdão – os sovacos. Nesse rol de puxa-colhões, estão governadores, prefeitos, vereadores, ministros, e, claro, uma corja de parlamentares (nossos representantes), vestidos a caráter.

Explicado o termo, fechado o parêntese), vamos adiante. Temer berrou para a tal plateia de “bundas-sujas”, que a população “não pode ficar à mercê da interpretação da Justiça Eleitoral”.

Temos aqui duas vertentes.

1ª) a população, genericamente falando, é burra; não tem o que pôr na mesa; vive de pires nas mãos e acha que “à mercê” é uma guloseima que, em breve, deverá cair em seu prato, para ser misturada ao arroz com ovo cozido do dia a dia da sua farta mesa onde, a bem da verdade, falta de tudo. 

Justiça Eleitoral, nem precisamos perder tempo explicando, porque é uma praga, uma erva daninha que só aparece em épocas de eleições e um pouco depois, para cobrar a multa dos que NÃO VOTARAM. Serve igualmente para dar respaldo e cobertura à máfia dos refolhados – aquela turma que, para permanecer no poder, faz uma puta lavagem cerebral na cabeça dos manés, em horários nobres, com programas maquiados de promessas mirabolantes – tirando, inclusive, o que os desditosos caraminguás têm de melhor: a hora sagrada de sentarem os rabos nos sofás para se deliciarem com as sacanagens das novelinhas das oito. E agora, com o fantástico e inimitável “BBB”. Existe programa mais instrutivo que o “BBB”? Para quem não sabe, BBB se traduz por “Bunda, Boca e Boceta”. Em palavras mais amenas, uma espécie de putaria legalizada em horário de pico. O mais infame, nessa repetitititititititiva história: existe uma quadrilha de filhos da puta que apregoam serem esses horários gratuitos. Muita gente acredita. 

2ª) Essas palavras do Grande Chefe - sempre lembrando, sobre os “Listados pelos negrumes das sujeiras” - foram entendidas, por muitos, como críticas severas, contundentes, ao TSE (Tribunal Superior de Espertalhões) que, não se sabe como, liberou o registro, desobrigou, abriu as pernas, reganhou os “orifícios supositoriais” (aqueles por onde se encaixam os supositórios), para os candidatos condenados em primeira e segunda instâncias, com direito líquido e certo de ainda poderem re(correr) à derradeira esfera.

Derradeira esfera, para quem não sabe, é aquele patamar onde o povinho nunca conseguirá chegar, ainda que coma o pão que o diabo amassou. Entre mortos e feridos, pela bonita retórica, enfeitada por predicados e virtudes, atributos e inhehenhés, ficou bastante exposta a insensatez estudada de Temer, exatamente no momento em que condenou os desvios de recursos públicos para linhas secundárias não muito públicas.

Nessa hora, nosso presidente, ironicamente, perseverou que, “neste país tem uma lei em que a pessoa é cassada por corrupção quando é governador e pode ser candidato ao Senado nas eleições seguintes”. Trocado em miúdos: os “fichas-sujas” perdem um mandato de quatro anos e depois, a própria justiça que os colocou no banco dos réus, volta atrás, abre a guarda, se vende e presenteia os velhacos com um mandato de oito anos.

Não podemos esquecer, em hipóteses alguma, que isto aqui é Brasil. Brasil, “Um país de tolos”. Ficaria, no ar, uma perguntinha básica: seria positiva, para a vida política do país, a investida do presidente da República, para barrar os “cagados de bosta?”. Sim. Pelo menos, se esperava que o discurso sinalizasse mudanças firmes e de visão ampla, na visão amplamente embaçada do presidente, notadamente sobre determinados episódios políticos que até bem pouco tempo geraram sérias discussões e bate bocas.

Apenas para ilustrarmos, vejamos o pomposo escândalo do mensalão. Lembram dele? Em relação a alguns dos envolvidos nessa historinha para boi dormir, Lula na ocasião, reiterou sua confiança, mesmo tendo sido alvo de denúncias pelo MPF (Ministério de Picaretas Ferrenhos), aceitas pelo Supremo Tribunal Federal, ou – Silêncio Total e Fim de papo.

Na mesma caminhada do mensalão, outro escândalo escandalizou escandalosamente a plebe e foi protagonizado pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palhaço, que vestia as vestimentas de um tal Palocci. Recordam que, mesmo figurando como réu em diversos processos, Luiz Inácio fez um esforço sobre humano, enfrentou furacões e temporais, tapas e beijos, porradas e pontapés, e, mesmo diante de todo aquele desgaste desgastante que cansamos de ver pela televisão, o ilustre manteve o cabra no governo? Duvidamos que alguém tenha isso na memória! 

Igualmente fula -, Lula resistiu às pressões e evitou substituir o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, até que fossem arquivadas, na “Justicortiça Federal”, todas as denúncias de supostas e supimpas irregularidades irregulares, de remessas de recursos ao exterior.

Por assim, na mesma linha de conduta, foi de roldão a composição poética ministerial, ou seja, o titular da Pasta de dentes dos Transportes, Alfredo Nascimento, como é do conhecimento geral, respondia e responde a inquéritos no seu Estado, o Amazonas, aquele, onde existe uma porrada de amazonas da melhor qualidade para amazonenses nenhum achar defeito.

No mesmo saco, o líder do governo no Senado, se não nos enganamos, Romero Jucá, também estava com processos entalados até a raiz do pescoço. Seria, essa coisa toda, uma espécie de válvula de escape disfarçada de intolerância preconceituosa com salpiques de “porra, eu é quem mando, vocês não têm nada a ver com isso?” Sim? Não?

É sabido que paira no ar um descompasso descompassante, notadamente entre a teoria e a prática. No discurso de velha raposa, alguns anos atrás, Lula ainda presidente, distribuiu tapinhas carinhosos e beijinhos doces para políticos já processados, apesar do manto sagrado do seu sagrado mandato dar para todos eles, pretos e brancos, feios e bonitos, irrestrito agasalho e aconchego. Em 2007, o mesmo Palácio do Planalto montou num belo alazão e armou um esquema de deixar qualquer um de quatro, para tirar, da forca, o mandato do senador Renan Calheiros.

Presumimos que todo o aparato usado naqueles idos não tenha sido articulado sem o assentimento assentido e o conhecimento conhecido do chefe da nação.

Observem, senhoras e senhores, como são engraçadas e, porque não dizer, curiosas e pitorescas, determinadas alianças. Em função dessas “costuras”, Lula presidente se aproxegou de figuras carnavalescas, como as dos ex-governadores Orestes Quércia e Newton Cardoso, não esquecendo, o deputado Jader Barbalho. No mesmo barco, o marido de dona Mariza teceu elogios elogiosos ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, que renunciou, de mentirinha, ao mandato, para escapar ileso (como de fato escapou), de uma provável cassação, por imaginem só CORRUPÇÃO. Kikiki.

Depois que a poeira abaixou, ele reapareceu, limpou a bunda e voltou, como se nada tivesse acontecido. E os “borra botas” de merda se ele hoje “aparecer por aí”, com certeza, votam nele. Como votam em Lula, em Dilma, etc.

Finalizando, esse discurso garboso do nosso antigo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em torno do assobrerjético e camalioso rol dos “fichas-sujas”, como agora, segue estrada idêntica, o ilustre senhor Michel Jackson Temer. Na verdade, parece ter dado uma esperança, ainda que tênue, de que abrace, num amplexo bem apertado, a postura que adotou naqueles idos, o senhor Lula, em relação aos envolvidos no pecaminoso e frescoroso dossiê Viadin – mil desculpas, pela gafe: Vedoin. Por falarmos em Vedoin, alguém ainda se recorda em detalhes do que aconteceu?

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Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souzajornalista, Rio de Janeiro, 26-1-2017

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Um comentário:

  1. Curto e grosso: Globo e BBB, merda no fosso!...
    Valdemar

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