sábado, 28 de janeiro de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Vozes e sons

Aparecido Raimundo de Souza

NA SUA COBERTURA em São Bernardo do Campo, Lula recebe, às escondidas da imprensa, a sua amiga Dilma Rouboussett, apesar de dona Marisa Letícia estar internada em face de um AVC hemorrágico no Hospital Sírio-Libanês. Como as eleições ano que vem (para a escolha de um novo presidente para essa republiqueta de merda) estarem praticamente às portas, começam, desde agora, por debaixo dos panos, as conversinhas de pés de ouvidos, as possíveis alianças, conchavos e “costuras”.

Pensando em seu futuro, o homem forte do PT conhecido pela alcunha de “dezenove dedos” (embora jure não sairá candidato) mas, nunca se sabe, resolva, de última hora, voltar a sentar o bumbum no lugar de Michel Jackson Temer, é bom, desde agora, começar a alicerçar as bases. Com dona Marisa se recuperando, aos poucos, enquanto esperam pelo almoço, os dois “amigos” tomam pinga enquanto jogam conversa fora por conta dos velhos tempos. De repente, Lula se lembra de um antigo passatempo para matar o marasmo.


Lula:
- Companheira Dilma, topa fazer uma brincadeira que o Zé Rainha do MST me ensinou logo que nos conhecemos aqui em São Bernardo? Eu nem pensava em ser presidente.

Dilma:
- De que tipo, companheiro Lula?

Lula:
- Vozes, companheira Dilma. Vozes.

Dilma:
- Vozes?!

Lula:
- Isso. Eu pergunto pra você, companheira Dilma, qual é a voz do sapo, por exemplo? Aí você responde: coaxa! Em seguida você me faz uma indagação, tipo: Qual a voz da buzina?

Dilma:
- Alto lá, companheiro Lula. Buzina não tem voz. Tem som. Ou melhor, produz som.

Lula:     
- Que seja, companheira Dilma. Qual é o som da buzina? Eu terei que responder. Piiiiii...

Dilma:
- Pera aí, companheiro Lula. Essa não é a voz nem o som da buzina. De cara, eu já teria ganhado o jogo.

Lula:
- Só estou dando um exemplo. Ainda não está valendo. Pois muito bem, você aceita?

Dilma:
- É um passatempo interessante. Aceito sim. Existe, contudo, um pequeno esclarecimento O que apostaremos?

Lula:
- Bem pensado. Seguinte, companheira Dilma. Quem acertar mais fica com o meu ti..., tri..., tripres, tritripéis lá do Guarujá.

Dilma:
- Você quer dizer, companheiro Lula, que se eu responder tudo certo posso passar a ser a dona do suntuoso tríplex que está causando toda essa confusão em sua vida?

Lula:
- Sim. E se eu também não errar, tenho direito a rever aquele antigo carguinho de ministro da casa civil que você me nomeou em março de 2016. Isso se caso eu não me candidatar nas próximas. No final do jogo, um de nós sairá vitorioso. Não poderá haver empate.

Dilma:
- Se você por acaso ganhar, o que não vai acontecer, pretende realmente rever essa história?  

Lula:
- Não sei ainda. Decidirei depois. Nunca se sabe... a Lava jato está no meu pé, agora a Mariza com problemas de saúde... internada... preciso atirar pra tudo quando é lado. Sei que a companheira tem umas “carta nas manga” e aí, além de ganhar fórum privilegiado, me livro do Sérgio Moro que está de butuca, só esperando uma brecha. Desgraçado, companheira. Mas vamos lá. Posso começar? Ou está com medo?

Dilma:
- Muita calma nessa hora. Por que você tem sempre que começar e não eu?

Lula
- Porque sou mais velho.

Dilma:
- Isso não lhe dá o direito. Vamos tirar no par ou ímpar.

Lula:                                                  
Que seja. Eu começo. Ímpar.


Dilma:
- Par. Ganhei. Eu mando à primeira. Preparado?

Lula:
- Sempre. Pode mandar brasa, companheira. E desde agora, esqueça o tri..., tripés..., porra você entendeu.

Dilma:
- É o que veremos. Anta?

Lula:
- Anta é a senhora sua mãe.

Dilma:
- Filho de uma égua. Eu já mandei a pergunta: qual a voz da anta?

Lula:
- Ah! Tá. A anta assovia companheira Dilma.  Minha vez. Elefante?

Dilma:
- Brame. Uma coisa que esqueci de falar, companheiro Lula: não pode pensar. É pá bufe! Certo?

Lula:
- Certo. Gata?

Dilma:
- Mia. Hiena?

Lula:
- Ri. Vou lhe dar uma dificílima. Agora eu pego meu cargo de volta com o...  

Dilma:
- Não conte vitórias antes do tempo. Manda o bicho.

Lula:
- Hipopótamo?

Dilma:
- Grunhe. Minha vez. Jacu?


Lula:
- Grasna. Onça, companheira Dilma?

Dilma:
- Você disse onça?

Lula:
- Diga que não sabe companheira, vou pedir ao meu empregado pra trazer mais uma pinguinha. Em seguida eu parto para o abraço com a...

Dilma:
- Tenha fé. Vou responder. A onça esturra. Peixe?

Lula:
- Desse bicho eu entendo. O peixe ronca. Espertinha, hein companheira? Você não vai ganhar. Segura essa. Zebra?

Dilma:
- Aquele bicho “listado?”

Lula:
- Meu Pai! Nem falar direito a companheira sabe. Não é “listado”, é listrado. Vamos, entrega os pontos. Você não sabe a resposta. Eu ganhei...

Dilma:
- Espere até eu responder. A zebra zune, seu trouxa. Veado?

Lula:
- Veado é o parasita do seu pai!

Dilma:
- Eu não estou lhe xingando filho de um energúmeno. Perguntei qual é a voz do veado?  


Lula:
- Xi! Foi mal. O veado berra. Agora eu derrubo você, companheira: quero ver adivinhar a voz do Grilo?

Dilma:
- Guizalha. Jumento?

Lula:
- Jumento é a puta que lhe pariu.

Dilma:
- Voz, a voz. Jumento. Fala logo que não sabe e pronto. Me passa as chaves do tríplex e fim de papo...

Lula:
- Calma, companheira Dilma. O jumento orneja. Vou lhe dar a pancada final agora. Sai dessa. Lagarto?

Dilma:
- Mamão com açúcar. O lagarto geca. E a ema?

Lula:
- Nem vou parar pra pensar. Facílima demais. A ema suspira. Aposto que nesta você se enrosca companheira Dilma: gafanhoto?


Dilma:
- O gafanhoto chichia. Como pode perceber, companheiro Lula estamos pau a pau. Mas não por muito tempo. Seu reinado acaba aqui e agora: Falcão?

Lula:
- É pra rir companheira? Kikiki. O falcão pipia, ou crocita. E a mosca?

Dilma:
- Essa é fácil demais companheiro Lula. A mosca azoina. Papagaio?

Lula:
- Tartareia. Touro?

Dilma:
- O touro urra. E a vaca, companheiro?

Lula:
- A vaca muge.  Toupeira?

Dilma:
- Se você quer partir para as ofensas, eu paro agora.

Lula:
- Que ofensa eu cometi, companheira Dilma?

Dilma:
- Acabou de me chamar de toupeira.

Lula:
- Vai ser burra assim lá nos quintos. Faço referência, companheira Dilma à voz do animal. Entregue os pontos, diga que não sabe e fim de papo.

Dilma:
- Ainda não. A toupeira chia. Sai desta agora: lobo?

Lula:
- Tiro de letra. O lobo só falta falar. Todavia, ulula. Entendeu, companheira Dilma? O lobo só falta dizer ULULALA, ULULALA. Pois bem, acabarei com a sua alegria agora, de uma vez.  Dromedário? Vamos, companheira Dilma.  Saia dessa!

Dilma:
- Crocita.

Lula:
- Errou!

Dilma:
- Rebusna?

Lula:
- Errou. Tempo. Dou-lhe uma...

Dilma:
- Espera...

Lula:
- Dou-lhe duas...

Dilma:
- Escuta aqui companheiro Lula. Esse bicho aí não existe. Portanto, não vale. Troca de bicho.

Lula:
- Claro que existe. Não vou trocar nada. É pegar ou largar. Responde ou passa?

Dilma:
- Esse tal de dromedário foi invenção sua.

Lula:
- Entrega logo os pontos de uma vez, companheira Dilma. Vou colar no seu pé igual pulga no cachorro pra você rever, lá com seus amigos, a minha nomeação de ministro. Fim do jogo: dou-lhe três. Ganheiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!

Dilma:
- Tá, Lula, eu sei perder e sei ganhar. O Michel me deu um puta pé no traseiro e, mesmo assim, não fiquei com raiva dele. Me tomou a presidência, no engodo, no engano. Cuspiu no prato que comeu. Mas espera. Logo darei o troco.  Voltando ao seu bicho aí, companheiro Lula, se ele de fato não existir, não vou lhe ajudar a rever nomeação nenhuma. Vá plantar batatas em seu sítio lá em Atibaia. 

Lula:
- Fala baixo, companheira Dilma. Tem uma porrada de jornalista por aí. Ontem mesmo peguei um da Globo no meu hall de entrada disfarçado de samambaia. A Mariza, que Deus lhe faça sair logo do Sírio-Libanês, descobriu um em nosso banheiro vestido de Comigo Ninguém pode. Ok. Ok. Voltando ao nosso bicho, se não existisse, eu não teria perguntado.  Na verdade, companheira, eu sabia, desde o começo, que acabaria lhe colocando no bolso. Tiro e queda. Viva o PT!

Dilma:
- Lembre sempre de uma coisa, amigo Lula: quem ri por último, ri melhor. Já que você é o tal, o sabichão, responda. Qual é a voz desse tal de dromedário?



Lula:
- Admite a derrota?

Dilma:
- Sou macha, digo, sou fêmea. Honro as minhas cuecas, digo, minhas calcinhas. Minha palavra é uma só. Afinal, vomita de uma vez. Qual é a voz desse maldito animal senhor Luiz Inácio?

Lula:
- Blatera. O dromedário, companheira Dilma (que na verdade é o outro nome do camelo), blatera. Agora vamos almoçar. Estou com uma fome dos diabos. Depois fique à vontade para usar meus telefones e rever aquela nomeaçãozinha com seus amiguinhos para eu fugir, de vez, do Serginho. Não aguento mais essa história de Lava jato pra lá, Lava jato pra cá, polícia federal na minha porta. Está pior que o caso do tri..., trii..., tripés..., foda-se... a companheira entendeu...


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Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souzajornalista, Rio de Janeiro, 28-1-2017

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