domingo, 29 de janeiro de 2017

Democratas!

José António Rodrigues Carmo

Ventos caóticos sopram no mundo das democracias liberais e são acelerados pela hipocrisia e intolerância da esquerda ativista e da geral bempensância politicamente correta que, nos nossos dias, passa por dona da virtude e da moral.

Toda esta gente tem, à pazada, dado um grande contributo para minar e destruir a democracia liberal (e saliento a palavra "liberal").

Pode-se entender que muita desta gente tenha ficado incrédula e devastada pelo facto de a "sua" candidata ter sido derrotada por Trump, cuja linguagem rude, e falta de experiência política, chocam até um sargento dos marines.

Mas a erupção de raiva, de choro, de violência e de protestos tão folclóricos como histriónicos, é inédita.

Ao contrário da converseta sobranceira sobre democracia e respeito pelo voto, de que usa e abusa quando está no poder, a esquerda recusa-se a aceitar democraticamente a vitória de um arrivista.

Na sua enviesada e divisiva cosmovisão, um indivíduo tão execrável, com lombo adequado para lhe serem carregados todos os insultos acabados em "ista", só pode ter sido eleito por gente estúpida, deplorável, ignorante, fascista, racista, xenófoba, misógina, neoliberal, nazi, etc., etc., etc.

Os mesmos ventos sopram na Europa, onde muitos cidadãos começam a revoltar-se com elites políticas que, eleitas por eles para defenderem os seus interesses, uma vez no cargo alegam moralidades subjetivas sobre a "humanidade" para efetivamente os prejudicarem, por exemplo com a decisão de aceitarem o afluxo de milhões de migrantes, provocando de facto a morte e a insegurança de alguns dos que lhes delegaram o poder.

Isto tem levado ao crescimento do populismo, à ascensão de radicais de esquerda e direita e à crescente rejeição da correção política, disseminada ao longo das últimas décadas pelos ideólogos de esquerda, a partir dos media e do sistema escolar, numa longa marcha gramsciana.

O resultado daquilo que os espanhóis denominam de "buenismo", é sempre um backlash. As utopias arrogantes de alguns, redundam sempre nas distopias de todos.
Título e Texto: José António Rodrigues Carmo, Facebook, 29-1-2018  

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