quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Lula, o filólogo

Pedro Frederico Caldas

Por razão de ofício e por alguns pendores, passei uma vida lendo, sempre armado com diversos dicionários. A palavra sempre foi meu instrumento de trabalho. Quando via uma palavra não conhecida, consultava sempre o “pai dos burros”.

Um belo dia, vi Lula usar uma que jamais lera ou ouvira. Nunca tinha visto alguém, por qualquer meio, usá-la. Pensei comigo, essa palavra não existe. Depois de usada por Lula, virou moeda corrente na imprensa, nos comícios, nas entrevistas, nos debates. Fiquei acabrunhado, com tanta leitura nunca lancei mão de tal vocábulo, nem nunca vi alguém lançar, exceto Lula.

A palavra retrata algo muito comum nos últimos tempos, no meio político-administrativo. Os léxicos apontam na mesma direção: algum negócio que envolva fraude, roubo, corrupção, sacanagem; algo ilícito, safado, de má fé, que tenha a intenção de beneficiar poucos e ferrar muitos outros, principalmente as ilicitudes praticadas no âmbito político-administrativo.

Realmente, Lula podia não ser uma pessoa de muita leitura, mas trouxe ao mundo político uma palavra cujo significado entendia bem: maracutaia.
Título e Texto: Pedro Frederico Caldas, 19-2-2019

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