domingo, 7 de julho de 2019

Palácio Nacional de Mafra e Santuário do Bom Jesus de Braga são Patrimônio Mundial da UNESCO

Agência Lusa

Os dois monumentos foram distinguidos este domingo durante a reunião do comité da UNESCO que acontece em Baku, no Azerbaijão. Portugal conta já com 17 locais classificados em território nacional.

O Santuário do Bom Jesus [foto abaixo], em Braga, recebeu este domingo a classificação de Patrimônio Cultural Mundial da UNESCO, na reunião do comité da organização, a decorrer em Baku, no Azerbaijão, anunciou a organização. A mesma classificação foi atribuída ao conjunto composto pelo Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra

Foto: Vitor Grando, dezembro de 2017
Os monumentos portugueses fazem parte “das 36 indicações para inscrição na Lista do Patrimônio Mundial”, que estão a ser avaliadas na 43.ª Sessão do Comité do Patrimônio, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a decorrer em Baku, no Azerbaijão até 10 de julho.

A candidatura do Santuário do Bom Jesus suscitou algumas questões ao Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS), que faz a apreciação das candidaturas que chegam de todo o mundo, no que diz respeito à autenticidade e integridade deste monumento, assim como a preservação e prevenção de acidentes, como possíveis incêndios à volta do complexo religioso, mas a proposta acabou por ser aprovada.

Foto: Vitor Grando, dezembro de 2017
O Brasil, que abriu a discussão e faz parte deste comité, defendeu que o Bom Jesus de Braga não só cumpre todos os critérios para ser integrado na lista de monumentos, mas serviu também de inspiração para o complexo do Bom Jesus de Congonhas, no Brasil, que já consta da lista da UNESCO.

Portugal esclareceu que todas as dúvidas sobre o monumento bracarense já estavam esclarecidas no dossier entregue por Portugal e que as recomendações do ICOMOS já estão mesmo a ser seguidas no santuário. A representação portuguesa afirmou ainda que o monumento também já está inscrito como patrimônio nacional.

Quanto ao conjunto de Mafra [foto abaixo], suscitou uma pequena discussão dentro do Comité, com o Conselho Internacional de Monumentos e dos Sítios (ICOMOS) a levantar algumas dúvidas face a esta candidatura. “Tivemos muitas discussões sobre este sítio porque o elemento crucial deste conjunto, mas achamos que a Tapada não está suficientemente documentada. Sem haver mais informações, não faz sentido recomendar este lugar como Patrimônio Cultural Mundial”, disse a representante do ICOMOS.

Foto: Vitor Grando, dezembro de 2017
No entanto, o monumento foi aprovado com apoio do Brasil, da Tunísia e da China, tal como outros Estados que fazem parte deste comité como Angola ou Indonésia, embora tenham apoiado as recomendações para a conservação e um estudo cartográfico deste complexo monumental.

“Mafra reúne todas as condições para ser reconhecido. Desejamos inscrever um edifício de valor extraordinário que tem também um jardim e uma tapada e não o inverso, como indica o ICOMOS”, disse a representação de Portugal, ao defender esta candidatura.

A Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO integra atualmente 1.092 sítios em 167 países.

Portugal conta com agora 17 locais classificados em território nacional, havendo ainda 11 que constituem patrimônio mundial de origem portuguesa no mundo.

O Centro Histórico de Angra do Heroísmo, o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, em Lisboa, num conjunto de proximidade, o Mosteiro da Batalha e o Convento de Cristo, em Tomar, foram os primeiros classificados, em 1983.

Câmara de Mafra diz que classificação pela UNESCO “peca por tardia”
O presidente da Câmara de Mafra disse que a classificação do Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra como Patrimônio Cultural Mundial da UNESCO “peca por tardia”.

“É um dia histórico para Mafra e para Portugal, porque esta candidatura preparada há 10 anos foi hoje aprovada e só peca por tardia, porque já devia ter sido classificada há muito tempo”, disse Hélder Sousa Silva.

Para o autarca, a inscrição de Mafra na lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) “não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida e traz responsabilidades acrescidas para a manutenção [do monumento] a curto prazo”.

“Espero que haja uma Mafra antes da classificação e uma Mafra depois da classificação, virada para a recuperação do patrimônio”, enfatizou.

“A inevitabilidade de um reconhecimento não poderia, nem deveria ser protelada, porque Mafra e o seu monumento há muito que mereciam esta inscrição”, defendeu o diretor do Palácio Nacional de Mafra, Mário Pereira, citado numa nota de imprensa enviada pela autarquia.

Também a Escola das Armas e o Exército, a direção da Tapada Nacional e a Paróquia de Mafra, outros parceiros da candidatura, se regozijaram com a classificação.

Datado do século XVIII, o Palácio Nacional de Mafra, mandado construir por D. João V, com a riqueza resultante do ouro vindo do Brasil, é um dos mais importantes monumentos representativos do barroco em Portugal, sendo por isso um exemplo de afirmação do poder real.

Possui importantes coleções de escultura italiana, de pintura italiana e portuguesa, uma biblioteca única, bem como dois carrilhões, seis órgãos históricos e um hospital do século XVIII.

Foi classificado em 1910 como Monumento Nacional, mas a classificação abrangia só o palácio, a basílica e o convento.

Por isso, em junho desde ano, a Direção-Geral do Patrimônio Cultural propor alargar essa classificação também à Tapada Nacional e ao Jardim do Cerco.

Autarca de Braga salienta “grande responsabilidade” que vem com classificação da UNESCO
O presidente da câmara de Braga congratulou-se este domingo pela classificação do Santuário do Bom Jesus como Patrimônio Cultural Mundial da UNESCO, salientando que com a distinção vem “também uma grande responsabilidade e orgulho”.

“Isto é um momento de felicidade, de orgulho para a cidade e para toda a equipa que trabalhou para que esta classificação fosse possível, mas também coloca sobre a cidade uma grande responsabilidade que é a de tudo fazer para que o local continue à altura desta distinção”, afirmou Ricardo Rio.

O autarca transmitiu ainda as felicitações do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa: “Acabei de falar também com a embaixadora Ana Martim, que nos deu conta dos parabéns do Presidente da República”, disse.
Título e Texto: Agência Lusa, Observador, 7-7-2019

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