sexta-feira, 3 de abril de 2020

[Para que servem as borboletas?] Ah, esses morcegos!

Valdemar Habitzreuter

Em tempo de coronavírus, que nos impele à quarentena, temos a oportunidade de soltar nossos pensamentos para as direções que nos aprouver. Vou me arriscar sobre morcegos que, supostamente, são a causa do coronavírus.

Num viés criacionista, como justificar à luz da razão que tudo o que existe é obra perfeita de Deus? Todo ser existente é um ser perfeito, inclusive os morcegos. Mas consta que morcegos causaram o coronavírus que está matando milhares de seres humanos, estes os preferidos de Deus, criados à sua imagem e semelhança, diz a Bíblia. Como encarar o coronavírus? É um bem ou um mal para a humanidade?

Tanto pela teoria evolucionista quanto pela criacionista os seres têm certa duração, desaparecem (nós, animais, árvores, pedras, etc.). Dizemos que são finitos, têm um começo e um fim.

Mas, pelo criacionismo, as coisas finitas têm, logicamente, por fundamento um Ser infinito (Deus), incriado, eterno, atemporal, que é causa de si mesmo da qual os seres finitos provêm.

E para entender isso precisamos admitir o tempo em que os seres finitos começam a existir e ter um fim. E onde encaixar o Ser infinito que não tem começo nem fim? Sendo ele eterno, está fora do tempo. Portanto, como há a duração dos seres finitos, o tempo também é criação de Deus.

Nós sentimos o tempo da seguinte forma: vivenciamos o presente que passa ininterruptamente, é volátil, e deixa uma memória que forma o passado, e ao mesmo tempo há uma espera do que está por vir e a esse porvir chamamos de futuro. Em Deus há só o instante eterno, sem passado e futuro. Esse instante eterno é um presente imutável, sem um antes e depois…

Tudo o que vem de Deus é bom, nele só existe o bem. Não existe o mal na criação de Deus, porque Ele é o supremo Bem, sem ponta de maldade em sua essência e não pode ser o autor do mal. Mas, nós vemos o mal por aí no mundo. Nós mesmos praticamos o mal.

Como entender isso se Deus não introduziu o mal na criação e o coronavírus alastrando-se matando pessoas? Eis o busílis da questão.

Vejamos: O mal não é inerente a Deus. O pecado, entrou no mundo por uma deficiência da vontade do homem, como filosofa santo Agostinho.

Na verdade, pelo pecado, o ser humano, voluntariamente, despreza a perfeição da coisa tal como Deus a criou e a utiliza como inferior, renuncia ao seu ser perfeito que é.  Exemplo: a água é um bem inestimável que Deus nos fornece. Mas podemos utilizá-la não na sua perfeição como Deus a criou… podemos polui-la, envenená-la, e, assim fazer mal aos outros e mesmo cometer suicídio afogando-nos nela.

Então, nada mais propício averiguar como nossa vontade se dirige às coisas perfeitas que Deus criou: se renunciamos ou não ao seu ser perfeito que são… porque Deus não criou nada imperfeito.

Portanto, os males que nos sobrevêm (coronavírus, por exemplo) não são provenientes de Deus, são um desvio de nossa vontade, renunciando às coisas perfeitas que Deus criou, queremos que elas tenham outra realidade que não aquela que Deus lhes conferiu.

Manipulamos as coisas fora do contexto da perfeição e é aí que o mal se instala - pecamos…. Deus não interfere na vontade dos homens… As doenças acontecem porque, muitas vezes, por ignorância, não queremos considerar o bem em si das coisas, conferido por Deus… queremos lhes conferir outro bem que ao fim e ao cabo provocam o mal...

O morcego é uma criatura perfeita de Deus. Deixo a pergunta: Como pode ser causa de um mal?…

Talvez, a teoria evolucionista tenha outro viés interpretativo do mal no mundo…
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 3-4-2020

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