segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Os heróis da porrada, adorados pela imprensa — por causa de seu viés de esquerda, não o contrário — estão de volta. E aí, Dilma? Gilberto Carvalho vai continuar a piscar para eles?

Dilma e coraçãozinho: até quando? Pânico chega ao Planalto
Reinaldo Azevedo
Nunca um clichê foi tão oportuno: depois de anos semeando vento — até anteontem, com os rolezinhos (já chego lá) —, o PT agora está desesperado, com medo da tempestade. Pois é… A baderna violenta havida em São Paulo no sábado já levou o pânico para as hostes do governo. Já chego ao ponto. Antes, algumas considerações.

Já há gente no governo federal querendo culpar a Polícia Militar de São Paulo pela elevação da tensão. Aliás, a imprensa paulistana faz a mesma coisa. A gente lê os relatos e tem a impressão de que, não fossem os PMs, tudo teria se dado da melhor forma possível. Nem parece que os policiais só entraram em ação porque vândalos incendiaram um carro, depredaram ônibus, bancos, lojas… “Ah, mas os policiais do choque estavam sem identificação”. Que se apure e se tomem as devidas providências. Atenção para o que vem agora — não justifica, mas explica e aponta para um problema sério, que terá de ter uma resposta da polícia e da sociedade. Conversei com um policial dia desses. Ele me disse que muitos retiram a identificação porque não querem ver seus respectivos nomes circulando em filmetes feitos por provocadores. Nas suas palavras: “O nome da gente fica na Internet e é visto por todo mundo, inclusive pelos bandidos”. É um problema? É, sim. Ou há alguma forma de um policial — que está cumprindo um dever desagradável — se sair bem reprimindo “manifestantes”? Acho que não. Bem, de junho pra cá, escrevi dezenas de textos abordando os riscos decorrentes desse processo de demonização das PMs Brasil afora. Sigamos.

É simplesmente mentira que é a reação da PM que açula esses trogloditas. “Como você sabe?” Porque tenho a história a meu favor. Voltem a junho: os três primeiros protestos — 6, 7 e 11 — em São Paulo foram notavelmente violentos, e a PM havia atuado apenas na contenção. Um policial foi praticamente linchado. A polícia só reagiu — de modo, então, meio atrapalhado — no dia 13. E aí foi o que se viu. Assim, ainda que fosse verdade que a “repressão” estimula o vandalismo, resta evidente que a não repressão também. Ou a PM fez algo de errado enquanto a manifestação seguia pacífica?

Essas coisas — ATÉ PORQUE TRATADAS COM SIMPATIA PELA IMPRENSA — têm um forte efeito imitação. Podem escrever: haverá outros protestos, e a disposição dos mascarados é partir para a briga; é enfrentar a PM. Há grupos achando que existem as precondições para reeditar junho, e isso deixa Dilma em pânico. No momento, ela está lá se divertindo no presídio mantido por Fidel e Raúl Castro. Quando voltar, quer fazer uma reunião com seus ministros para debater a questão. “Que resposta dar?”

Pois é… Até agora, a presidente só se referiu a esses episódios com a boca entortada pelo uso do cachimbo petista. É claro que governante que vai à TV choramingar por causa de protestos só excita a fúria de seus algozes. O ponto não é esse, não! Tem de falar de “autoridade” — de autoridade democrática. E, se for o caso, deixar claro que as leis disponíveis serão aplicadas para coibir a desordem.

Ao longo de sua história, mais do que tolerar, o PT é um estimulador de “movimentos” que só existem porque transgridem as leis por princípio, com incrível determinação. É o caso do MST. É o caso dos movimentos de sem-teto, em São Paulo, que agora estão nos calcanhares dos próprios petistas. É o caso da sublevação de índios em vários pontos do país — com a colaboração da Secretaria-Geral da Presidência, de Gilberto Carvalho. No caso dos rolezinhos, como apontei aqui muitas vezes, o PT, de novo, apelou ao perigo e passou a acusar severas maquinações racistas.

Entenderam o ponto? Embora seja um partido da ordem; embora seja uma legenda do establishment; embora esteja obrigado a se mover no espaço da legalidade, o PT não resiste à tentação de flertar com o perigo. Foram as esquerdas petistas e petizadas que tentaram conferir um rosto político aos rolezinhos — prática desmoralizada, creio, pela pesquisa Datafolha.

No caso da reedição — vamos ver se apenas episódica — das manifestações violentas contra a Copa, petistas entram em pânico, mas não dão a cara à tapa de jeito nenhum! Alimentam, com seu discurso, a prática do vale-tudo. Na verdade, é o partido que carrega o DNA da mobilização não apenas contra a ditadura — que esta já acabou faz tempo —, mas também contra a ordem democrática. Alguma vez o partido hesitou em jogar seus “movimentos” — aqueles que Gilberto Carvalho chama “tradicionais” — contra as instituições, muito especialmente quando se trata de atacar um adversário político?

Existem os fatos, cada um deles com sua gênese, com sua cadeia de causalidades e suas consequências, e existe o tempo em que eles se dão. E esse tempo tem um espírito. E o espírito deste tempo é atropelar a legalidade — A DEMOCRÁTICA — para fazer justiça. Mas qual justiça? Ora, aquela que os donos da causa decidirem que é. Fim de papo. Então os índios fazem a justiça dos índios; os sem-terra fazem a justiça dos sem-terra; os sem-teto, a dos sem-teto; os rolezeiros, a dos rolezeiros, e os black blocs, a dos black blocs. Em todos os casos, a violência passou a ser a linguagem aceitável.

É claro que há alguma coisa muito errada quando a polícia está apanhando feito cão danado nos jornais de hoje, depois daquilo a que se assistiu no Centro de São Paulo. Calma lá! Aqueles facinorosos meteram fogo num carro com uma família de quatro pessoais ainda dentro. E daí? “Ah, mas não estamos defendendo isso; apenas atacando o despreparo da polícia, que entrou num hotel…” Aqueles que se acoitaram no estabelecimento tinham acabado de depredar uma concessionária de veículos. Há relatos de hóspedes que ficaram acuados em seus respectivos quartos, com gente dando porrada do outro lado da porta. Aí dizem os “especialistas” nos jornais: “A polícia jamais deveria ter entrado…”. Afirmar isso a frio, com o traseiro tranquilamente posto no sofá e depois do fato, é fácil. O problema é a resposta da hora, quando vândalos que estão quebrando tudo invadem um espaço onde trabalham e se hospedam pessoas.

Olhem aqui: a história informa — e não o chute ou esfera de sensações — que a não repressão não torna menos violentos esses que vão para as ruas com a determinação de quebrar e incendiar. Isso é bobagem. O que não se tem, aí sim, é uma lei eficaz para coibir e punir esse tipo de banditismo — a não ser uma: a de Segurança Nacional, que está em vigor. Mas aí o viés ideológico não deixa. Logo alguém diz: “Imaginem usar isso juto os 50 anos do golpe”…

E é claro que pode ficar pior. Vai que os PMs se cansem dessa brincadeira e façam como uma porta-voz da corporação no Rio que explicou por que havia um monte de jovens bandidos assaltando pessoas no Centro da cidade, sem interferência dos policiais. Segundo ela, aquele não era um caso de segurança, mas social e de saúde. Quem se dá mal com aqueles marginais nas ruas? Os pobres honestos que circulam por lá e são roubados todos os dias. Imaginem se a PM de São Paulo decide que protestos contra a Copa são políticos — e, pois, fora de sua alçada…

A Copa está chegando. Falta muito pouco. Dilma precisa decidir se investe na ordem ou se ela própria e seus ministros, muito especialmente Gilberto Carvalho, continuarão a dar piscadelas para a baderna.

Uma coisa é certa: os heróis da porrada, adorados pela imprensa — por causa de seu viés esquerdista, não o contrário —, estão de volta. Vento aqui, vento lá, vento acolá… Se planta, tende a colher.
Título, Imagem e Texto: Reinaldo Azevedo, 27-01-2014

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