Em entrevista exclusiva, Stéphane Luçon — jornalista francês radicado na Romênia — detalha as alegações de interferência russa. Comparamos até onde o caso romeno parece com o brasileiro
David Ágape
Em 24 de novembro de 2024, Călin
Georgescu venceu o primeiro turno da eleição presidencial da Romênia. Pouco
mais de uma semana depois, em 2 de dezembro, a Corte Constitucional validou o
resultado. Em 4 de dezembro, o então presidente Klaus Iohannis tornou públicos documentos dos serviços de inteligência sobre possível
interferência estrangeira. Dois dias depois, a mesma Corte anulou
toda a eleição.
Georgescu deveria enfrentar Elena
Lasconi no segundo turno. Não enfrentou. Quando a eleição foi refeita, em 2025,
tentou registrar novamente sua candidatura e foi impedido de concorrer. A nova disputa terminou com a eleição de Nicușor
Dan, centrista pró-União Europeia e defensor da permanência da Romênia no eixo
da UE e da OTAN. A anulação continua cercada por controvérsias sobre a extensão
da influência russa, a atribuição das operações digitais a Moscou e a relação
entre as irregularidades apontadas e o resultado da votação.
Quase dois anos depois, parte da
discussão que antecedeu a anulação romena já aparece na eleição brasileira de
2026. Em 17 de setembro, Eduardo Bolsonaro disse ter alertado autoridades americanas para o risco, em sua
avaliação, de o STF anular uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Citou como
precedente a anulação romena, após alegações de interferência russa. Não
apresentou evidências de que o Brasil seguirá o mesmo caminho.
From Bucharest to Brazilia: What Brazil Can Learn From Romania’s Canceled Election





















