sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

[Atualidade em xeque] Carta ao México

José Manuel

Exmo. Presidente, Henrique Peña Nieto e povo Mexicano,

Aqui quem lhes escreve é um Sul-Americano, mais precisamente um brasileiro que viajou muito para seu país, conhece bastante os costumes, a educação e a alma mexicana.

Adoro o povo mexicano e tudo o que diz respeito à sua cultura, tradições folclóricas, os mercados de artesanato, sua música e as principais civilizações milenares, Olmeca, Teotihuacán (maia), Tolteca e a mexica (asteca), que floresceram em até 4.000 anos antes do primeiro contato com os europeus.

Tenho saudade da época em que pelo seu país viajava conhecendo a história das civilizações, visitava seus museus maravilhosos, saboreava a sua cozinha que nos traz elementos milenares à gastronomia moderna e ouvia a música dos Mariachis sempre alegres pelas ruas a cantar. Tenho saudade de ser tão bem recebido, nas ruas, nos hotéis, nos táxis, nos restaurantes, principalmente quando revelava ser brasileiro e era quase carregado no colo pelas lembranças da copa mundial de futebol em 1970, tal a admiração gratuita que seu povo tinha por nós.


Fiquei muito triste quando do terremoto de 1985, que atingiu física e moralmente o povo mexicano. Estive lá nessa época, para, com tristeza, ver a cidade parcialmente arrasada, hotéis em que tinha me hospedado, terem ruído, fora as milhares de perdas em vidas humanas.

Por tudo isto que Vossa Excelência acaba de ler, eu e o mundo inteiro, estamos pasmos, boquiabertos mesmo, ante a irracionalidade do novo presidente americano que ultrapassou todos os princípios de decência humana ao ofender a dignidade do povo e da própria nação mexicana ao tomar atitudes que não condizem nem com a moderna diplomacia internacional, muito menos com o bom relacionamento entre países limítrofes.

Peço-lhe, e o mundo lhe pede que, por favor, ignore essa nova manifestação fascista e xenófoba e não compareça à agenda com esse indivíduo.

Lembre-se que o seu povo, e o mundo inteiro que ama os mexicanos não querem a sua presença junto ao ódio e à infâmia.

Esse novo personagem que é neto, filho e casado duas vezes com imigrantes esquece que está presidindo uma nação de imigrantes que os receberam de braços abertos, pois as Américas devem muito aos imigrantes espanhóis, portugueses, japoneses, italianos, irlandeses, que colonizaram e plantaram nessas terras os frutos daquilo que são hoje.

O povo mexicano, com a ancestralidade de civilizações que milênios antes dos europeus chegarem, já tinham templos pirâmide, cidades modernas, conheciam a matemática (primeiro povo do mundo a usar o zero), astronomia, calendários precisos, belas artes, agricultura intensiva, engenharia, teologia complexa, praticavam política, já usavam o chocolate e conheciam a roda, não precisa se humilhar diante de nenhum país hipoteticamente mais rico.

Em 1519 a capital dos mexicas era a maior cidade da América com uma população que rondava os 100.000 habitantes. Para comparar, Londres tinha apenas 80.000

Hoje, o México é uma das maiores economias do mundo, uma potência regional e emergente. A nação mexicana é o 13º maior PIB nominal e o 11º PIB por paridade de poder de compra, ocupa o 5º lugar no mundo e o primeiro das Américas em número de patrimônios mundiais da UNESCO, em relação a 31 países que receberam esse título.

Só a representação do ódio, da xenofobia e do fascismo, não sabe disto.

Com relação ao TPP (Trans-Pacific Strategic Economic Partnership), esqueça os arroubos histéricos do pretenso cacique do norte e leve avante essa ideia junto aos seus dez pares econômicos, antes que a China passe como um rolo compressor sobre suas economias, o que é exatamente isso que ele deseja, ou seja, desagregar esse bloco econômico para tirar vantagens a longo prazo e desestabilizar a região.

Vocês juntos podem, vocês conseguem superar essa adversidade e façam com o limão oferecido uma suculenta limonada.

Em princípio pode parecer difícil a perda de um grande parceiro comercial, mas vocês mexicanos já provaram que podem sair da adversidade para a vitória, como fizeram em 1986 quando sediaram mais uma vez uma copa do mundo, apenas um ano após o grande terremoto.

Por favor, Presidente, não ceda, não participe, não se iguale, porque o mundo espera isso da grande nação mexicana.
Título e Texto: José Manuel da Rocha da Costa, Arriba México! 27-1-2017

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2 comentários:

  1. Thomaz Raposo de Almeida Filho27 de janeiro de 2017 15:26

    Só você para externar o pensamento de muitos de nós, com a perfeição exigida em uma carta para um Presidente, orgulho sete conhecer e de nossa amizade.

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  2. Muito bom, Zé
    Principalmente por relembrar o rico passado mexicano, o que já seria fonte de respeito e admiração por parte do grande e ignorante cacique branco. De qualquer modo, os impérios crescem e caem, veremos como ficará tudo passados mais 500 anos.

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