domingo, 30 de setembro de 2018

[Foco no fosso] Já vimos estes filmes

Haroldo P. Barboza

Quando um dia uma ocorrência trágica acontece (por culpa da administração pública é pior) provocando a morte de várias pessoas, as autoridades governamentais aparecem em público para afirmar que serão realizadas investigações para punir os responsáveis e que medidas rígidas serão adotadas para que fatos deste tipo não se repitam. Passados algumas semanas ou meses, nada acontece e tudo se esquece. A irregularidade se eterniza, pois a fiscalização continua arcaica, omissa e subornável. Os autores dos trágicos eventos continuam atuantes e na pior das hipóteses, trocam de sigla, de ramo ou de cidade.

Dentre as ocorrências trágicas que tiveram manchetes em larga escala em passado não tão remoto, podemos citar:

1) Naufrágio do Bateau Mouche. Depois dele, centenas de embarcações já afundaram pela costa marítima e rios do Brasil. Como morreram cinco de cada vez e não existiam artistas no meio, tiveram no máximo duas linhas em algum jornal que precisava fechar uma página.

2) Incêndio do edifício Joelma [imagem] e do Serrador. Depois deles, dezenas já queimaram sem muito alarde. E milhares de outros estão prontos para um criminoso churrasco humano, tal a situação precária de segurança em seus interiores.


3) Morte de idosos na casa de idosos Santa Genoveva. Todo mês, pelo imenso território brasileiro, morrem dois a cinco idosos nestas espeluncas por negligência de seus dirigentes, que são eficientes para cobrar as mensalidades dos familiares, mas não concedem um mínimo de dignidade aos que precisam de apoio.

4) Falsificação de medicamentos em geral. Após o alarde feito pela imprensa (até para desviar a atenção de algum escândalo na corte), os laboratórios permanecem pomposos alterando rótulos e embalagens para terem motivos que justifiquem os aumentos inexplicáveis acima da inflação.

Em qualquer ramo da sociedade que se investigar por quinze minutos, encontraremos falhas primárias que colocam nossas vidas em risco. E não encontraremos nenhum processo para correção destas anormalidades que, na maioria das vezes, têm um executivo, legislador ou parentes destes. E as autoridades da vez, nas quais votamos por negligência cívica para contornar estes transtornos, se prevalecem dos cargos para o enriquecimento ilícito em velocidade indisfarçável.

Sob o manto da impunidade regular alicerçada em magistrados que usam canetas de forma suspeita, escudados em parágrafos mal descritos e criminosamente mantidos no texto da lei (?) para reutilização futura.

E nós continuamos votando neles. Além das urnas viciadas, o assunto da moda, onde a cada dia surgem novos fatos que demonstram o rumo que estão tentando definir para os futuros pleitos.
Texto: Haroldo P. Barboza, Rio de Janeiro, 30-9-2018

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