sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A quadratura do círculo, uma declaração de voto e a indicação de minha comadre solucionática

A Bahia já me deu régua e compasso – Gilberto Gil

Em termos de dúvida, não há como talvez – Millôr

Pedro Frederico Caldas

Munido de régua e compasso ofertados pela Bahia, Gilberto Gil achou que sabia do caminho a seguir e mandou abraços para todos. Construir, em um número finito de etapas, um quadrado com a mesma área de um círculo dado, com o só uso de régua e compasso, foi um desafio colocado por geômetras da Grécia antiga que se queda insolúvel até hoje. Daí, meu caro Gil, somente régua e compasso, mesmo de origem baiana, não são instrumentos, por si sós suficientes, para a solução de tudo.

Agora, caros e minguados leitores, imaginem eu, desreguado e descompassado, como resolver em quem votar, e, ainda por cima, instado por amigos e leitores, a sair de cima de um muro onde jamais me quedei, para revelar minha preferência presidencial.

Mas, como as instâncias são cerradas e o dia da eleição se aproxima, hei de dizer em quem votaria ou muitos não perdoarão a minha omissão, principalmente Nêga que me espicaça o tempo todo a tomar uma decisão, sob pena de... Melhor não falar.

Vou revelar, agora mesmo, a minha decisão e todos os porquês que a alicerçam. Ou, melhor dizendo, vou tentar quadrar o círculo para resolver tão vexatório desafio.

Método, minha gente, método! Toda decisão crucial há que ter um metódico fio condutor.

Usarei como método o princípio da exclusão. Vale dizer, relacionarei os candidatos que não sagraria em nenhuma hipótese, salvo se num segundo turno eleitoral tiver que fazer a opção pelo mal menor, seguindo os sábios conselhos de Santo Agostinho. Nem sei se existe o “princípio da exclusão”, salvo o elaborado por Pauli, mas isso nos domínios da química. Se ainda não existe, fica agora criado.

A minha análise não leva em conta o fato de o candidato ser feio, bonito, branco, preto, rico ou pobre. Também não levarei em conta a mentira política para não correr o risco de não fazer nenhuma escolha. Não examinarei candidatos que, até o momento, não se mostraram politicamente viáveis. Seria perda de tempo e implicaria multiplicar o esforço desnecessariamente.

Dito isso, vou-me ater a alguns princípios. Em política, sou conservador; em economia, sou liberal. Não mais acredito em revoluções nem em engenharia social; não acredito em pessoas que acham ter o modelo ideal de sociedade e os meios para construí-la. Toda vez que isso foi tentado, o resultado foi a tragédia. O engenheiro social apega-se a uma abstração coletiva e se mostra extremamente cruel com quem, afinal, conta: o ser humano. Mata-o, ou lhe castra a liberdade, sob o argumento de que o está salvando. Aí estão, hodiernamente, o comunismo e o fascismo, para não falar na loucura em que se engolfou a Revolução Francesa.

Tais premissas já afastam de minha escolha o candidato do PT. Candidato do PT? Quem seria na realidade o candidato do PT? Se fôssemos fazer a análise sintática da frase “Quem seria o candidato do PT” concluiríamos pela existência de um sujeito oculto. O sujeito da oração é aquele que está preso por corrupção, lá na alterosa Curitiba, onde um pugilo de bravos aplicadores da lei tenta passar a limpo as mazelas da apodrecida vida política brasileira.

Esse rapaz que aparece como candidato, mas, como por todos sabido, mesmo pelos que nele vão votar, não passa da longa manus do chefe de uma confraria de celerados políticos, cujos mais proeminentes membros estão condenados, presos ou na iminência de ser, é aquele mesmo que, em tese acadêmica, na condição de marxista, fez a apologia de Stalin e não se mostrou à altura de ser prefeito de São Paulo. Somente uma espécie de anomia moral que abate parte considerável da sociedade justificaria o ato de sufragar o candidato aparente para eleger o sentenciado sem o cuidado mínimo de tapar as narinas.

A candidata Marina Silva, parida pela ala comunista da Igreja Católica, não passa de um PT de saias. Não abandonou o PT por razões morais. Abandonar o partido se deveu ao fato de não encontrar a abertura necessária para a realização de seu projeto pessoal de poder. Apegou-se, como biombo onde esconde o seu viés ideológico totalitário, a um ecologismo de fachada para atrair pessoas preocupadas com a conservação da natureza. Na realidade, as raízes que alicerçam a sua pretensão de poder são as mesmas que animam o PT: a implantação de um regime totalitário socialista sob o manto de palavras como liberdade e igualdade, que seriam abatidas tão longo o intento fosse alcançado. Tirante isso, nenhuma credencial lhe resta para reivindicar a presidência da república. Cerca-se, como Lula estava cercado, de alguns intelectuais que não se conformam em não estar nos altos cargos públicos que julgam lhes pertencer pelo simples fato de se considerarem intelectuais. No particular, nunca devemos nos esquecer que todo totalitarismo político que resultou em tragédia foi urdido, sustentado e vendido ao pobre povo como algo bom por intelectuais, que sempre estiveram e estão na raiz de todas essas tragédias políticas.

Ciro Gomes não tem um projeto para o Brasil, sua candidatura sempre foi e continua sendo um projeto pessoal de poder. De vez em quando desmonta de si próprio e distribui coices e safanões verbais. Assisti à entrevista de seu candidato a ministro da fazenda. Nada mais vi do que um arremedo de canhestro keynesianismo, já colocado em prática durante o segundo mandato de Lula e pelo poste que atende pela alcunha de Dilma. Ocioso dizer a tragédia econômica resultante. Os dados da realidade estão aí para quem tem olhos de ver. Nem quero me deter na ação que ele assoalha colocar em prática com vistas a destruir a moral cristã, subalternizar outros poderes da república à sua vontade imperial com vistas a colocar cada um em sua “caixinha”, passar um esponja nos piores costumes políticos e deixar para lá o assalto à coisa pública. Quanto aos costumes, não passa, pelas próprias bravatas, de um “macho alfa” que vê na mulher nada mais que um objeto de prazer e de obediência.


Afunilado o processo, resta-nos, de viáveis, nesta altura da campanha, os candidatos Alckmin e Bolsonaro.

Em homenagem a liberais por quem tenho a mais alta consideração, diria que o Amoêdo seria uma pessoa a que não tenho restrições, com quem comungo muitas posições, mas, nesta altura do jogo, parece que não irá além de marcar presença e dizer em alto e bom som que existe no país um liberalismo econômico que pode ser a chave para solução dos nossos problemas. Após assistir a uma exposição por ele feita, restou-me a impressão que lhe falta alguma adrenalina, aquela faísca que anima os líderes no momento em que se fazem necessários. Dava-me a impressão que ele tentava me vender um seguro de vida ou uma quota de fundo de investimento. Um homem de ideias certas e hipossuficiência hormonal. A hora pede mais resolução.

De todos, o que mais conheço é o Alckmin. Quando morador de São Paulo, votei nele várias vezes. E não me arrependi. Homem de convicções, com laivos conservadores, eficiente administrador. Não se veste bem com a indumentária de seu partido, o PSDB, onde se albergam socialistas envergonhados, desfilando com roupagem de social-democratas. Eu diria até que, no PSDB, não passa de “um estranho no ninho”. A seu favor, milita a impressão de que se trata de um homem honesto e que vive, até onde sei, um padrão de vida modesto. Teria vários exemplos para dar em seu abono. Talvez o mais significativo tenha sido o fato de o filho ter morrido pilotando um helicóptero de uma rede de farmácias, no desempenho de sua profissão de piloto, após seu pai ter sido por vários mandatos governador do poderoso estado de São Paulo. Não conheço outro exemplo. Vejam se os filhos dos outros presidentes da “Nova República” se sujeitaram ao trabalho árduo e modesto. Há algumas acusações, ainda não comprovadas, que parte de sua campanha já foi financiada por caixa dois de empresa prestadora de serviço ao governo.

Contra ele pesa o fato de estar num partido que faz um jogo de cartas marcadas com o PT. Nada mais que um partido de esquerda fazendo o jogo alternativo com o PT. A matriz ideológica de ambos é o marxismo. Ambos ajoelham no altar do Estado grande e sugador dos recursos dos que trabalham.

Por fim, vem a controvertida figura do Bolsonaro. Bolsonaro tinha duas pautas. Uma que me atraía, outra que me afastava. A sua pauta conservadora, podados alguns exageros retóricos, que não maculam a sua essência, seria por mim assinada. Já a sua pauta econômica, pelas posições que tomou como deputado, dele me afastavam. Não se pronunciou favoravelmente às reformas necessárias, que se colocam quase que como de salvação nacional, como a trabalhista e a previdenciária. Na sequência, mudou de posição e passou a empunhar a bandeira das reformas e fez a opção correta de escolher para ministro da fazenda, em caso de vitória, o economista Paulo Guedes, cujo programa endosso e assino em baixo.

Depois de muito refletir, de muito observar a cena política, cheguei à conclusão que o problema do País vai muito além da problemática econômica. Perdemos, até aqui, a batalha cultural para a esquerda. A pauta esquerdista está bem enraizada nos meios educacionais, principalmente nas universidades e nos meios de comunicação, para não falar de grande parte dos meios artísticos.

Essa, me parece, é a maior emergência nacional. Temos que enfrentar o multiculturalismo que nega a proeminência da Civilização Ocidental Cristã, o politicamente correto doentio, a malfadada ideologia de gênero que busca confundir as crianças e adolescentes, assim como temos que restaurar e manter altaneira a liberdade de expressão, o respeito à propriedade privada, o direito à livre defesa que, sem os meios para o seu exercício, não passa de um princípio oco. O cidadão brasileiro tem que retomar do governo o direito de ter os meios suasórios de manter a sua integridade física e moral. Todo o cidadão que assim o desejar deve ter o direito, como sempre dantes teve, de adquirir e manter uma arma para a defesa pessoal.

Por outro lado, precisamos combater o pensamento de esquerda de que o bandido é uma vítima da sociedade, um produto da pobreza. Se os pobres, contados aos milhões, optassem, oprimidos pelas agruras da vida, pelo banditismo, o Brasil e muitos outros países pobres do mundo já não existiriam, já estariam mergulhados na mais completa carnificina e anarquia social.

Dando uma guinada para os princípios do liberalismo econômico, o candidato Bolsonaro consegue erguer as duas bandeiras corretas para pleitear a chefia do governo, para não falar em sua integridade pessoal, ou seja, tem conseguido, após décadas de vida pública, passar ao largo, juntamente com muitos outros políticos, de que Álvaro Dias é outro exemplo, da roubalheira que corrompe o tecido social e faz as pessoas desacreditarem dos políticos e da democracia.

A esta altura, você, caro leitor, deve estar dizendo que de tudo isso você já sabe, concordando ou não, e que quer uma definição de minha parte. Realmente eu prometi que diria ao final em que eu estaria inclinado a votar.

Considerando que estou ainda vacilante, pois, não dispondo da régua e do compasso entregues a Gil pela Bahia, resolvi, como de costume, em caso de dilema, consultar a minha “comadre solucionática”, a pitonisa da rua Nações Unidas, em Itabuna. Vou ligar para ela para tomar uma decisão.

- Alô, é comadre Mabel?
- Quem poderia ser, compadre, se você ligou para mim?
- Comadre, estou com uma dúvida danada.
- Novidade, compadre...
- Comadre, como estou vacilante em quem votar para presidente, resolvi consultar o que fazer. Voto em quem, comadre?
- Está preocupado com o futuro de filhos, de netos e do Brasil?
- Claro, comadre!
- Pô, vacilão, vota no dezessete!


De minha varanda, com respeito e acatamento a amigos e leitores que de mim discordam, desejo a todos um fim de semana com dezessete coisas boas.
Título e Texto: Pedro Frederico Caldas, Facebook, 17-9-2018

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7 comentários:

  1. Meu caro Jim, meus cumprimentos e agradecimentos. Que paginação. Que trabalho gráfico, amigo.

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  2. Meu caro Jim, mandei, aqui, um amensagem para você dizendo de minha surpresa com a diagramação e a bonita apresentação de meu artigo. Tenho escrito regularmente em minha página no facebook. Em torno de dois anos, já publiquei mais de 100 artigos. Como noventa por cento deles são atemporais, se o caro amigo quiser poderá reproduzí-los. Se quiser, poderei mandar uma amostra desses escritos para sua apreciação. Se houver interesse, diga-me como remeter alguns para seu escrutínio. Giram em torno de 5 a 6 páginas cada. Um abraço. Você pode entrar em contato comigo através do face ou através do meu e-mail: pfcaldas1@gmail.com

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  3. Muito obrigado, Pedro! É reconfortante saber que o autor gostou do nosso trabalho!
    E sim, por favor, pode nos mandar os seus artigos quando quiser para:
    caoquefuma@gmail.com

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  4. Bom dia, amigo. Vou-lhe mandar uns cinco, sobre diferentes temas e que sejam atemporais, através do e-mail acima. Um fraternal abraço.

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  5. Caro Jim, enviei um e-amil com cinco artigos, retornado porque não foi encontrado o endereço caoquefuma@gmail.com.
    Você tem outro e-mail pra nova tentativa?
    Um abraço.

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