segunda-feira, 24 de setembro de 2018

[Pensando alto] Meus guerreiros prediletos, a espada e a adaga

Pedro Frederico Caldas

Cada um tem o seu guerreiro predileto: Alexandre, Aníbal, Átila, Júlio Cezar, Napoleão... Todos conquistadores, todos empenhados em aumentar a extensão territorial de seus países, ou os projetar como potências dominantes, quando não perseguidos ambos os objetivos.

Vai dizer a um francês que Napoleão não foi o maior dos guerreiros, que não elevou a França aos píncaros! Entretanto, em minhas meditações, tudo pesado e medido, não chego a uma outra conclusão senão que Napoleão mais prejudicou do que favoreceu a França. Em sua desmedida ambição pessoal liquidou o que havia de melhor em recursos humanos, estiolou a economia e as finanças públicas, teve que vender a Louisiana ao recém-fundado Estados Unidos, acabou com a república e retornou ao regime monárquico, deixou o seu país de joelhos perante as outras nações europeias, abrindo alas para a Inglaterra construir o maior império jamais visto, enquanto a França caminhou para a quase irrelevância. Por tudo isso, não só o proclamo um derrotado, como efetivamente foi, mas um mal para seu país.

E meus guerreiros prediletos? Ah, meus guerreiros prediletos... Esses não foram conquistadores. Ao contrário, foram impedientes de conquistas malévolas, foram a trincheira de preservação da civilização ocidental.

Faço aqui um intermezzo para uma pequena mão-de-prosa sobre o que se pode entender como Civilização Ocidental. Há discrepâncias até sobre a configuração geográfica da chamada Civilização Ocidental. Incluiria toda ou parte da Europa? Abrangeria as américas? E a Oceania?

Para além da questão geoespacial, no plano das ideias, da cultura, qual seria sua abrangência? Não vamos elaborar um tratado sobre o assunto, ou dissertar longamente sobre o tema em espaço tão angusto, que meu propósito não vai a tanto, não passa de uma tentativa de agitar ideias para fazer os meus incautos leitores (se não fossem incautos, não me leriam...) pensarem, meditarem sobre temas a que dou relevo, mas que podem não passar de algo sem relevo ou relevância, já considerados, inclusive, pacificados pelo ponto de vista de quem me lê.

A Civilização Ocidental, pelo que entendo e em apertada síntese, foi plasmada no ambiente físico da velha Europa, de lá transbordando, pelas grandes descobertas dos séculos quinze e dezesseis, pelo colonialismo e pela catequese dos religiosos cristãos, pelas américas e pela Oceania, incluindo-se, também, alguns países e enclaves na África e, até, no Oriente.

No plano das ideias, a fonte ético-filosófico-política mais germinal centrou praça na Grécia antiga, na matriz jurídica romana, na explosão renascentista das artes, no pensamento iluminista, na Gloriosa Revolução inglesa (The Glorious Revolution), com a queda do absolutismo, a introdução do parlamentarismo e do Bill of Rights, ainda no último quartel do Século XVII, impulsionando as ideias libertárias dos “ Founder Fathers “ americanos e dos revolucionários franceses, agora já no fim do Século XVIII.

A tudo isso deve ser adunado um aumento sem precedentes da produção de bens materiais, possibilitado pelo início da grande revolução industrial, catapultada pelo advento do Capitalismo, o respeito ao direito de propriedade e a aceitação do mercado como elemento regulador da produção e do consumo dos bens. Acresça-se também as grandes invenções tecnológicas, tudo se confederando para, pela primeira vez na histórica da humanidade, tornar possível prover a todos com os bens indispensáveis à sobrevivência e, na sequência, na explosão tecnológica que tornam a vida do homem, mais e mais, confortável e amena.

Esse conjunto de ideias, instituições, novas tecnologias, explosão das artes, da literatura, do ensino, da forma de apropriação e organização dos meios de produção, puseram o Ocidente na vanguarda do mundo, colocando a reboque as outras civilizações do oriente arábico e da Ásia, influenciando-as profundamente, não sendo nenhum exagero se falar na ocidentalização, por exemplo, do Japão, da Coreia do Sul, da Turquia, etc.

Por último, mas não menos importante, atuou, com força imensa, a tradição religiosa judaico-cristã, que, ao colocar o ser humano como filho de Deus, por Ele criado a sua imagem e semelhança, ejetou a dignidade humana ao cimo da colina.

Fechado esse quadro, traçado sem nenhuma pretensão de definitividade, vamos colocar, como cavaletes a sustentá-lo, os meus guerreiros prediletos.

Tudo isso poderia ter sido liquidado no nascedouro e todos nós sermos, hoje, muçulmanos. Você minha querida leitora, por exemplo, poderia estar de burca, não passar de uma das mulheres do seu marido, ser chicoteada ou lapidada em público, ou, no limite, estar com parte do sexo extirpado...

Como todos sabem, os mouros mulçumanos ocuparam a maior parte da Península Ibérica por mais de setecentos anos (do Século VIII ao Século XV). De lá, em 732, invadiram a França. O homem de estado, príncipe dos francos e grande guerreiro Charles Martel enfrentou-os de 732 a 737, em várias batalhas: Tours, Narbonne, Avignon, Nimes. Sempre inferiorizado em número, mas usando de estratégias inteligentes e grandes ardis, conseguiu com a sua festejada coragem e determinação repelir os mouros mulçumanos para além dos Pirineus. Em Tours, com trinta mil homens conseguiu derrotar os oitenta mil mouros! Foram batalhas memoráveis, travadas com coragem e argúcia, realçadas por estratagemas que um dia, com mais vagar, contarei, por valer a pena. Esse guerreiro vigoroso, pela valentia, coragem indômita e determinação única liderou os seus soldados e barrou de forma definitiva, no segundo quartel do Século VIII, a invasão de toda a França e, consequentemente, do resto da Europa pelos cruéis conquistadores muçulmanos. É um dos meus guerreiros prediletos.

Carlos Martel vencendo os árabes em Poitiers, foto Charles de Seuben
Cerca de nove séculos depois, outro guerreiro ocidental barra a conquista total da Europa, nas portas da sitiada Viena. Os turcos muçulmanos já haviam penetrado a região dos Balcãs, conquistado a Croácia, a Eslovênia, a Sérvia, a Bulgária e a Hungria. Chegaram, finalmente, às portas de Viena, em 1683. O imperador Leopoldo I já tinha batido em retirada com o exército, deixando na cidade, sob sítio, onze mil soldados e cinco mil voluntários, com a impossível tarefa de enfrentar o exército dos turcos otomanos de cento e cinquenta mil soldados.

As muralhas já ruíam, quando chega o rei da Polônia Jan III Sobieski, para a batalha final, liderando oitenta e quatro mil soldados poloneses e alemães. Para arregimentar tal exército, deixou sua Polônia desguarnecida, entregue por sua fé aos cuidados da Virgem Maria. Todos sabiam que ali era jogada a sorte da nossa civilização e da fé cristã. Na madrugada de 12 de setembro de 1683, após uma missa, a batalha final tem início. Houve momentos de grande periclitação. Eis que Sobieski decide liderar a maior carga de cavalaria da história. Lidera seus três mil Hussardos poloneses, bate, com audácia, tenacidade e coragem temperada pela fé o exército otomano. Salva, mais uma vez, da terrível ameaça muçulmana, a Civilização Ocidental Cristã.

EPÍLOGO
Se prestarem atenção, notarão que os cruzados cristãos usavam espadas com o punho em forma de cruz. Por que uma religião pacífica e pacifista como o cristianismo fora defendida pela espada cujo punho lhe dava a aparência de uma cruz, símbolo dessa religião? Não sei. Os desígnios de Deus são muitas vezes misteriosos. Se continuarem prestando atenção, notarão que os árabes costumam usar um espadim, de forma curva, como se assumisse a forma do Crescente Fértil, símbolo deles. Esse espadim se chama adaga. Serve, dentre outras coisas, para matar e degolar infiéis.

O dia 12 de setembro de 1683 é, para os católicos, o dia de Maria, numa homenagem à coragem e à fé de Sobieski, que deixou sua Polônia, desprotegida de soldados, sob a proteção da Virgem.
Quando forem ao Vaticano e visitarem o museu, notem que há uma sala dedicada a Sobieski. Nessa sala há um quadro que ocupa toda uma parede com a imagem dele. Faça como já fiz discretamente: olhe-o com admiração, enxugue a lágrima furtiva e alce a mão em discreta continência àquele guerreiro que salvou o seu estilo de vida, que salvou a nossa Civilização Ocidental Cristã, em tudo e por tudo superior às demais.

Por que estou escrevendo sobre isso? É que estamos vivendo tempos estranhos. Mais uma vez os mulçumanos estão à nossa porta...

Mas aquela espada há de prevalecer sobre a adaga.
Título e Texto: Pedro Frederico Caldas

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