terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

[Daqui e Dali] Achegas para a harmonia no lar


Humberto Pinho da Silva

Depois de casado, ele modifica-se…” – dizia certa mocinha a sua mãe, convencida que o matrimónio era uma espécie de varinha de condão, que transforma tudo ao nosso belo prazer. Mas, infelizmente, não é.

Realmente modifica; mas não é repentinamente. Essa modificação, demora anos, por vezes décadas…

A personalidade do cônjuge foi formada por: educação recebida; ambiente em que viveu; experiências que teve; traumas que passou na infância e na adolescência.

É preciso, quantas vezes, realizar esforço, quase titânico, para aceitar o parceiro.

Se é verdade que a personalidade dos casais, pouco a pouco tende a se assemelhar porque recebem influências idênticas; também é verdade que a personalidade não é estável. Está sempre em constante evolução, por vezes para melhor, outras, infelizmente, para pior.

A mocinha que dizia à mãe, que o noivo, depois de casado, modificaria, falava verdade… mas não toda. No caso apresentado, o casamento não alterou – a não ser no início, – o caráter do marido, nem o seu espírito de Dom Juan.

Decorridos anos, conquistou os favores de mulher elegante, de boa posição social. Com ela vangloriava-se diante dos amigos, e entrava, sem pejo, de braço dado nas festas que frequentava, enquanto a mulher ficava no lar, com os filhos…

Alertada pelas amigas, fez de conta que não entendia; até que a melhor amiga, interrogou-a: “Não tens vergonha de ser assim ultrajada?! …”

Abriram-se, então, os olhos, e vendo a situação ridícula em que vivia, pediu divórcio, apartando-se daquele que lhe havia feito promessas de amor eterno.

A vida conjugal é feita mais de pequenas renúncias, que de grandes conquistas…

Para haver harmonia no lar, é mister que ambos tentem agradar-se mutuamente, privando-se, por vezes, de desejos e prazeres, para que o outro se sinta feliz e retribua.

O amadurecimento da personalidade de cada um, realiza-se lentamente, muito lentamente, e depende muito da escolha que se fez.

Se ambos tiverem gostos semelhantes, religião, cultura, e principalmente forem crentes convictos e tementes a Deus, a harmonia surge facilmente, porque a vida conjugal não é apenas física, mas espiritual.

Problema sempre difícil de solucionar, que se agudizou nos dias de hoje, é o facto de a mulher, usufruir rendimento superior ao marido. A mente masculina custa-lhe aceitar a situação de inferioridade, seja cultural ou monetária.

Jovem médico, meu conhecido, desistiu de casar com colega, porque esta, além de ser considerada competentíssima, recebia vencimento superior ao seu…

Dificuldade – que não é difícil de ser ultrapassada, desde que haja compreensão e boa vontade de ambos, – mas que sempre foi problema para a felicidade do lar.

Na “Carta de Guia de Casados” o nosso clássico, D. Francisco Manuel de Mello, recomenda, igualdade: “no ser, no saber e no ter.”

Em suma, o casamento não resolve todos os problemas, por vezes, complica; mas os cônjuges, que buscam a felicidade, não devem descurar pequenos grandes conselhos, que vão suavizar as relações.

Não criticar; ser atencioso; interessar-se pelos sucessos do cônjuge; e sobretudo, aceitá-lo como é, com defeitos e limitações…
Nunca esqueça: Não há ninguém perfeito…
Título e Texto: Humberto Pinho da Silva

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