quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Lula descobriu que o jornalismo não precisa de jornalistas

Os discípulos em ação na imprensa se curvam em silêncio às críticas do mestre

Augusto Nunes

"Acho que tem crítica que ele faz que é correta", disse Lula aos entrevistadores interessados no parecer do ex-presidiário sobre declarações do presidente Jair Bolsonaro que a imprensa brasileira considera inaceitáveis. "Dê a ele o mesmo direito que dá aos outros, direito de falar, abra para ele falar", falou.

Foto: Tiago Caldas/Fotoarena/Estadão Conteúdo
A continuação do falatório foi ainda mais incômoda: "Na greve dos jornalistas de 1979, os donos de jornais descobriram que não precisavam tanto de jornalistas, que poderiam fazer jornalismo sem precisar do jornalista". Faz 40 anos, portanto, que Lula constatou que os meios de comunicação sobreviveriam sem sobressaltos ao sumiço dos profissionais da comunicação.

Se Bolsonaro disser algo parecido, será de novo afogado pela enxurrada de notas oficiais paridas às pressas pelos sindicatos de jornalistas, pela Associação Brasileira de Imprensa, pela Federação Nacional de Jornalistas e pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Lula não corre tal risco. A seita sempre se curva ao que diz o iluminado. Tanto o mestre quanto seus discípulos sonham com o que chamam de "controle social da mídia". Todos podem dizer o que quiserem, desde que não contrariem o que Lula ordena.
Título e Texto: Augusto Nunes, R7, 28-1-2020, 13h38

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