terça-feira, 28 de janeiro de 2020

[Aparecido rasga o verbo] Certamente problemas nas glândulas adenoides

Aparecido Raimundo de Souza

NOS ENCANTA, SOBREMANEIRA, o amor lindo e romântico, sentimental e casto, puro e virginal (ainda que de mentirinha), em tramas-dramalhões água com açúcar. Fazemos referência aos seriados que nos prendem no sofá da sala, do começo ao fim, enquanto comemos pipocas e tomamos refrigerante. Citaremos alguns que são inconfundíveis, como as temporadas de “Magnum”, vividas por Jay Hernandez, na pele de Thomas Magnum e a linda e encantadora Perdita Weeks, no papel de Juliet Higgins. 

Nos arrebata a alma, deixando nosso âmago em pandarecos, vermos Clark Kent apaixonado e com o coração dividido entre duas beldades de tirar o fôlego, essas esfuziantes criaturas vividas por Kristin Kreuk (Lana Lang) e ao mesmo tempo Erica Durance (Lois Lane). E observem que esses amores (alguns platônicos) não são somente entre as estrelas de carne e osso. Também nos desenhos animados, encontramos casais que valem a pena ser lembrados, como o Popeye e a sua insubstituível Olívia Palito, Marge e Homer Simpson, Fred e Vilma Flintstone, Barney e Betty Rubble, Pato Donald e Margarida, Shrek e Fiona...

No mesmo trilho, o Coiote pelo Papa-Léguas, Frajola e Piu Piu, Mandrake e a princesa Narda. Falamos também dos amores proibidos, hoje tão em voga, tão em moda, a ponto de não sabermos quem é quem. Nessa bebida de sabores diversos, temos o filho-filha da lindíssima e encantadoramente bela Gretchen, o simpático-simpática Thammy Miranda e Andressa Ferreira, o cantor-cantora Lulu Santos e seu marido-marida Clebson Teixeira, o intérprete metade-cantor, metade-cantora-terror, Pabllo Vittar com Leonardo Portilho.

Não podemos deixar de citar Roberto Carlos e seu inseparável Calhambeque, Ford-1929, tampouco o padre Fábio de Melo com a sua surrada Batina, a cantora Maria Gadu e a estonteante Lua Leça, as ex-BBBs Clara e Vanessa, a cantora Daniela Mercury e Marlu Verçosa, a atriz Maria Zilda com a arquiteta Ana Kalil, o espevitado e traquinas Pimentinha, aquele menino levado da breca, que vive  morrendo de amores pelo senhor Wilson... Como o pobre homem não lhe dá a devida atenção, o moleque se presta a perturbar a paz tirando o sossego da infeliz criatura.

Dentro desse rol, seria injusto deixarmos passar em branco o apaixonado e sonhador Batmam pelo cuscoso Robim, o tenebroso Esqueleto e He Man, o temido e audacioso Lobo Mau pela cálida e inocente Chapeuzinho Vermelho, e o pior de todos, a queda quase incompreensível e espantosa da Branca de Neve pelos Sete Anões. Esse último, cá entre nós, uma festa erótica orgiamente surubenta e bem a lá brasileira (brasileira?!) de tirar o fôlego dos mais tranquilos e ordeiros. Em resumo, um puta bacanal que sobrevive desde os tempos medievais, além de deixar as criancinhas de zero a noventa e nove sem entender bulhufas.

Apesar dos pesares, entre pombinhos e crocodilos,  ninfetas e cavalos puro sangue, em nome do amor, seja ele verdadeiro ou genuíno, real ou falso, mentiroso ou sincero, sério ou dessério, ou apenas um paliativo para ingleses verem, o que vale, o que conta, o que faz a diferença, é a onda arrebatadora e abrasada, asfixiante e aliciada  que o move, que o alimenta, que o torna vivo e inquestionavelmente imorredouro. O amor não tem limites, não tem partido, não tem distinção de sexo, raça, cor, credo, nem tampouco mais ou menos.

O amor está presente nos romances, e, como nas tramas das telinhas, nos leva a viajar léguas e léguas por sendas maravilhosas.  Por ser assim e não de outra forma, já que chegamos à campainha, o melhor a fazermos é acioná-la, para que toque e todos escutem o seu som curto e mavioso. Podemos trazer à essa dança, igualmente frenética, os amores sedutores e perfeitos, como o pastoril John Tyree por Savannah Lynn Curtis, em (“Querido John”, de Nicholas Sparks), o bucólico Charlie St. Cloud, por Tess Carrol, em  (“Morte e vida de Charlie St. Cloud”, de Bem Sherwood), ou o acolhimento afetivo e enfeitiçantemente eletrizante de Brake Landon por Erica Hathaway, em (“Atração Magnética”, de Meredith Wild).

A lista é enorme, gigantesca, assim como o amor e os seus milhares e milhões de entrelaçamentos. A cada dia, no nosso cotidiano, aprendemos que o amor, embora, às vezes pareça único, se divide, se multiplica e se soma, ao igual instante em que se diminui, se abranda, se reprime, se deprecia, se estrangula e se enfraquece. O amor, em outros tempos, se edificava, se valorizava, se engrandecia. Durava, perdurava, se arraigava num prometer “para sempre” e se aquartelava, sólido e encorpado, incorruptível e venerável, até que a morte o separasse.

Sinalizamos, nesse remoer de lembranças corvejantes, o aconchego dos nossos avôs e avós, tataravôs e tataravós... Aqueles seres divinizados que escolhiam uma companheira e iam com ela até a derradeira morada. Os amores de hoje, ou melhor, os falsos-amores do nosso século,  em face de tantas tribulações e adversidades, desinquietações e contrariedades, entre eles os incontáveis distúrbios de comportamento macho-fêmea, fêmea-macho, ou “femeafemeomachomacha”, viraram músicas de sabores duvidosos, se transformaram em piadinhas esdrúxulas, infortuniosas, com braços e pernas acorrentados a um bombástico e grotesco embuste ardiloso.

Os amores de hoje, não se comparam, nem de longe, aos entrelaçamentos de antigamente. Coisa linda de se ver! Difícil, e aventuroso, pois, encontrarmos por ai, perdidos numa esquina cotidiana de nossa rotina, um Mark Elliott e uma sonhadora doutora Han Suyin (William Holden e Jennifer Jones protagonistas de “Suplício de uma saudade”), um Romeu Montéquio capaz de tudo pela sua Julieta Capuleto, ou um Conde Drácula, pela sua princesa Lisa ou o desfigurado Eric, o temível “Fantasma da Ópera”, que tantos anos depois, ainda se perde de paixão  pela sua eterna corista órfã, Christine Daaé.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Florianópolis, Santa Catarina. 28-1-2020         

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