sexta-feira, 17 de abril de 2020

Neil Ferguson, outro impostor?

Pessoal, a revista britânica “The Spectator” tem feito um ótimo e solitário trabalho crítico em relação às catastróficas previsões e medidas tomadas em torno da pandemia. Neste artigo, eles apontam o histórico de equívocos graves cometidos por Neil Ferguson [foto] e o Imperial College, questiona a deferência com que a mídia os trata, enquanto é impiedosa com os críticos, e apresenta seis perguntas que gostaria que o Sr. Ferguson respondesse.


Fiz uma rápida e apressada tradução porque penso que vale a pena ver esse material divulgado a fim de se fazer o necessário contraponto por aqui. Divulguem!
Vitor Grando, 16-4-2020


Seis perguntas que deveriam ser feitas a Neil Ferguson

Duas entrevistas diferentes no Today Programme nesta manhã. A primeira delas com Neil Ferguson, professor de biologia matemática no Imperial College de Londres, que foi instrumental em formar a resposta do governo britânico à crise do coronavírus, e cujo modelo de trabalho levou à imposição do atual lockdow .

No programa, o professor recebeu um tratamento diferenciado da parte de Sarah Smith tendo suas visões sido recebidas com um status de quase-Evangelho enquanto declarava que um “nível significativo” de distanciamento social poderia ter que ser mantido indefinidamente até que uma vacina esteja disponível.

Então chegou o Secretário de Saúde, Matt Hancock. Como era de se esperar, ele foi tratado com a tradicional agressividade do Today Programme, enquanto o seu histórico de declarações sobre a testagem, o crescente surto do vírus em casas de repouso e uso de EPI eram escrutinadas por Nick Robinson.

Enquanto o Sr. S. acredita que seja correto que Hancock enfrente questionamentos duros, Steerpike não consegue deixar de pensar se Ferguson não deveria receber o mesmo tratamento. Afinal, sua recomendação está alimentando fortemente a política do governo e, portanto, precisa encarar um nível de escrutínio semelhante. Além do mais, o trabalho científico de Ferguson não pode ser descrito como à prova de balas. Como nesses dias virou tendência ex-roteiristas, hacks e políticos sugerir questões que a mídia não está fazendo a políticos, Sr. S decidiu deixar sua contribuição ao debate público apresentando algumas questões a Ferguson.

Abaixo seguem seis questionamentos que Steerpike gostaria de ver Neil Ferguson responder na próxima vez que for entrevistado pela mídia:

Q1: Em 2005, Ferguson disse que até 200 milhões de pessoas poderiam morrer da gripe aviária. Ele disse ao The Guardian que “em torno de 40 milhões de pessoas morreram no surto da gripe espanhola de 1918… Existem seis vezes mais pessoas no planeta agora, então pode-se esperar um escalonamento a até 200 milhões de pessoas provavelmente”. No fim, apenas 282 pessoas morreram no mundo por causa da doença entre 2003 a 2009. Como sua previsão saiu tão errada?

Q2. Em 2009, Ferguson e sua equipe no Imperial previram que a gripe suína tinha uma taxa de letalidade de 0.3 a 1.5 por cento. A sua estimativa mais provável era que a letalidade era de 0.4 por cento. Uma estimativa do governo, baseada na recomendação de Ferguson, disse que “um pior-cenário razoável” era que a doença levaria a 65.000 mortes no Reino Unido. No fim, a gripe suína matou 457 pessoas no Reino Unido e teve uma taxa de letalidade de apenas 0.026 por cento nos infectados. Por que a equipe do Imperial superestimou a letalidade da doença? Ou, tomando emprestadas as palavras de Robinson ao Hancock hoje de manhã: ‘a previsão não seria apenas nonsense seria? Nonsense perigoso.

Q3. Em 2001 a equipe do Imperial produziu um modelo sobre doenças de pés e boca que sugeria que os animais das fazendas vizinhas deveriam ser abatidos, mesmo sem evidência de infecção. Isso influenciou a política do governo e levou a um abate total de mais de seis milhões de cabeças de gado, ovelhas e porcos — com um custo à economia do Reino Unido estimado em dez bilhões de libras. Especialistas como Michael Thrusfield, professor de epidemiologia veterinária na Universidade de Edinburgo, que o modelo de Ferguson sobre doença de pé e boca era “profundamente falho” e cometeu “erro grave” ao “ignorar a composição das espécies das fazendas” e o fato de que a doença se espalhou mais rápido entre espécies diferentes. Ferguson reconhece que seu modelo em 2001 era falho? Se sim, ele tomou medidas para evitar erros futuros?

Q4. Em 2002, Ferguson previu que entre 50 a 50.000 pessoas provavelmente morreriam por exposição à doença da vaca louca na carne. Ele também previu que o número poderia aumentar a 150.000 se houvesse também uma epidemia nas ovelhas. No Reino Unido, houve apenas 177 mortes da doença. Ferguson acredita que seu “pior cenário” nesse caso estava muito elevado? Se sim, que lições ele aprendeu desde então sobre modelagem?

Q5. O modelo de Ferguson para o Covid-19 foi criticado por especialistas como John Ioannidis, professor de prevenção de doenças na Universidade de Stanford, que disse que: “O estudo do Imperial College foi feito por uma equipe altamente competente de modeladores. Todavia, algumas das principais pressuposições e estimativas embutidas nos cálculos parecem substancialmente infladas”. O modelo da equipe do Imperial para o Covid-19 foi submetido ao escrutínio de outros especialistas e a equipe questiona suas próprias pressuposições utilizadas? Que garantias foram tomadas?

Q6. Tem sido relatado que o modelo do Imperial College de Londres para o Covid-19 é baseado num código computacional que já tem 13 anos e que foi criado para ser usado para uma temida pandemia de influenza, em vez de coronavírus. Isso é verdade? Se sim, quantas pressuposições no modelo do Imperial ainda são baseadas na influenza e há algum risco do modelo ser falho por causa dessas pressuposições?
Tradução: Vitor Grando, 16-4-2020

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