quinta-feira, 2 de julho de 2020

Delenda Bolsonaro est!

A frase latina em questão "delenda Carthago est" quer dizer "é preciso destruir Cartago" e é atribuída a Catão [foto], o Antigo. Como se sabe, a cidade Cartago enfrentou Roma em três guerras, ao longo dos séculos III e II a.C.


Depois da 2ª Guerra Púnica, sobretudo depois da batalha de Zama, em 202 a.C., Cartago perdeu muito da sua importância e teve que sujeitar-se às duras imposições feitas pelo vencedor, Roma. Mas, em 153 a.C., Catão o Antigo foi embaixador em Cartago e teve oportunidade de observar de perto o renascimento econômico da cidade. Regressado a Roma, diz-se que, no termo de qualquer discurso que proferisse, não importando o assunto tratado, Catão o acabava com as seguintes palavras: "ceterum censeo Carthaginem esse delendam" ou seja, "quanto ao resto, penso que Cartago deve ser destruída".

Daí "delenda Carthago est" ou "delenda Carthago" (com omissão do verbo sum).

Pois bem, dois mil e cento e setenta e sete anos depois, não é o (único) senador que profere obsessivamente essa sentença, agora são muitos os “senadores”. Milhares. Eles estão em toda a parte, espalhados pelo Brasil e também pelo mundo ocidental, o capitalista, bem de vida. Eles não vestem a toga senatorial romana, muitos não vestem toga nenhuma, outros vestem becas de tribunais superiores.

Outros ainda, sem togas nem becas, disfarçados de jornalistas, cientistas, especialistas, comentaristas, alarmistas... têm um objetivo comum: mijar, ou cagar, tanto faz, nos quase cinquenta e oito milhões de cidadãos brasileiros responsáveis pela eleição de Jair Messias Bolsonaro a presidente da República Federativa do Brasil.

Por e para esse objetivo vale tudo, investigam, mandam investigar, insinuam, caluniam, mentem, provocam, discursam, ofendem, insultam, rotulam... e ordenam prender todo aquele que se afirma ao lado do presidente Jair Bolsonaro.

Não esmoreçamos. Mantenhamos viva a interpelação (basta trocar o vocativo Catilina por STF, por Psol, por Maia, por Alcolumbre et cetera):

Quo usque tandem abutere, (Catilina), patientia nostra?
Quam diu etiam furor iste tuus eludet?
Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?
Nihilne te nocturnum praesidium Palatii,
nihil urbis vigiliae,
nihil timor populi,
nihil concursus bonorum omnium,
nihil hic munitissimus habendi senatus locus,
nihil horum ora vultusque moverunt?

Patere tua consilia non sentis?
Constrictam omnium horum scientia teneri coniurationem tuam non vides?
Quid proxima, quid superiore nocte egeris, ubi fueris, quos convocaveris, quid consilii ceperis, quem nostrum ignorare arbitraris?
O tempora, o mores!

Até quando, (Catilina), abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino,
nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo,
nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?

Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes!

Marcus Tullius Cicero

Cícero acusando Catilina no senado (Afresco de Cesare Maccari, século XIX)

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3 comentários:

  1. O grande problema, não são os que determinam o cumprimento de atos não simpáticos e até antiéticos!
    O problema, é que estes cumprem a lei em vigor, pois assim determina a constituição.
    Se fossem excessos não previstos, seria mais fácil pedir revisão de decisões contraditórias.
    Por exemplo, as medidas tomadas pelo STF na maioria são solicitações da procuradoria geral ou de partidos políticos, ou da sociedade,que os provocam , não analisar e não despachar seria do fora do preceito legal
    Diz o artigo 140 do Código de Processo Civil que o juiz não pode se eximir de julgar o o que lhe for provocado, não lhe é dado deixar de arbitrar o conflito.
    Se o fazem com um indisfarçável prazer, é da personalidade de cada um.
    Basta provar que as medidas determinadas são fora de lei em vigor , e eles terão que assumir o excesso de zelo.
    Sé isto é antipático para metade da população,é preciso rever as leis , cabe ao congresso,desde que provocado pelo governo,ou a sociedade civil..
    Do contrário é chover no molhado!

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  2. O Supremo Tribunal Federal do Brasil tem, sim, ministros mais militantes político-ideológicos do que juízes, no sentido stricto sensu de profundos e sérios conhecedores das leis.

    Aliás, se as leis fossem claras não haveria necessidade de advogados, muito menos de juízes.

    Quem não lembra da pérfida ginástica mental e “jurídica” do ministro Enrique Ricardo Lewandowski, indicado por Lula da Silva, então presidente do STF, no processo do impeachment de Dilma Rousseff no Congresso Nacional, em 2016?

    O ministro Marco Aurélio de Mello, para minha surpresa, e porque sabe muito mais do que eu, tentou pôr fim a essa vergonhosa militância política, obviamente rechaçada pelos militantes.

    Para concluir: um tribunal que solta um condenado em primeira instância a oito anos de prisão, sentença agravada em tribunal de segunda instância para doze anos, não merece a consideração do povo. Me lembrei dos ditos e dos rictos faciais de Gilmar Mendes quando ‘enunciava o seu voto’ sobre a lava-jato...

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  3. https://twitter.com/i/status/1279277234826752000

    DURMA-SE COM UM BARULHO DESTE !
    TOFFOLLI AGORA , NA VISÃO DO GOVERNO,É UM ESTADISTA.
    O QUE FAZ TER A ADESÃO A VELHA POLITICA,ANMTES EXCOMIN GHADA!!

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