quinta-feira, 22 de junho de 2017

Millennials


Nos EUA, os dados provam que a esmagadora maioria dos adultos nascidos na última década do século XX votou Bernie Sanders.
No Reino Unido, foram também estes os que votaram em Jeremy Corbyn.
Na França foi esta faixa demográfica que votou Mélenchon.
Em Espanha, são os eleitores do Podemos e em Portugal estou em crer que são o grosso do eleitorado do Bloco de Esquerda.

A pergunta é óbvia:
O que leva estes adultos do século XXI a seguir a retórica populista de velhos dinossauros marxistas?

Para uns será o resultado da hegemonia de esquerda na Academia, nos media e na educação, fruto de décadas de longa marcha gramsciana através das instituições.
Para outros será apenas a falta de memória de uma geração para a qual o totalitarismo comunista e as catastróficas implementações do marxismo estão tão longe da experiência, como a tomada de Lisboa aos mouros.

Para outros são as agruras da idade. Costuma dizer-se que quem aos 18 não é de esquerda não tem coração e quem aos 40 é de esquerda, não tem cabeça. Esta geração está no meio e os optimistas acreditam que as inflamações radicais da idade da borbulha irão desinflamando até se dar a transição.
Outros ainda entendem que este regresso ao jurássico das ideias é o resultado do "neoliberalismo", seja lá o que isso for.

O facto é que esta geração dos millennials segue a flauta de Hamelin de velhos marxistas, leninistas, trotskistas e outros istas, num ataque perigoso à democracia liberal e ganha impulso numa crise coletiva de falta de memória histórica. 

Esta gente, ou esqueceu ou nunca chegou a saber que a liberdade requer um esforço contínuo de educação e de atualização. Esta geração distanciou-se do patrimônio moral da democracia liberal e está disposta a acreditar na narrativa totalitária e na catarse revolucionária e redentora.

O sistema educativo, a Academia e os media, dominados por intelectuais orgânicos ao serviço da distopia, há muito que deixaram de veicular o mérito extraordinário da construção e manutenção de uma democracia liberal, para se lançarem nos braços de velhos demagogos marxistas.

Isto talvez não acabe bem... a liberdade não é um fruto espontâneo de nenhuma árvore e um belo dia acordamos sem ela. 
Título e Texto: José António Rodrigues Carmo, Facebook, 22-6-2017

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