segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Tadinha da Folha, tão perseguida! Acostume-se, você também!

A matéria abaixo transcrita é de 16 de dezembro do ano passado. Por duas vezes apareceu no meu twitter. À terceira, resolvi dar uma olhada.

Em itálico, informações colhidas na Wikipédia; em azul, meus singelos comentários.

Folha é criticada por presidentes desde Getúlio Vargas
Generais da ditadura militar, além de líderes eleitos como FHC, Lula e Bolsonaro, também tiveram jornal como alvo

Nelson de Sá

Em 1930, a Folha questionava Getúlio Vargas insistentemente e se tornou alvo de seus apoiadores. Quando ele chegou ao poder, os getulistas de São Paulo festejaram empastelando o jornal, pondo fogo no mobiliário, nas máquinas de escrever.

Revolução de 1930 foi o movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, que culminou com o golpe de Estado, o Golpe de 1930, que depôs o presidente da república Washington Luís em 24 de outubro de 1930, impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e pôs fim à República Velha.

Com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, ocorrida em outubro de 1929, iniciou-se uma crise econômica de escala mundial, esmagando todas as economias com alguma participação nos mercados internacionais, caso do Brasil e suas exportações de café. Em 1929, lideranças da oligarquia paulista romperam a aliança com os mineiros, conhecida como política do café com leite, e indicaram o paulista Júlio Prestes como candidato à presidência da República. Em reação, o presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada apoiou a candidatura oposicionista do gaúcho Getúlio Vargas.

Em 1 de março de 1930, foram realizadas as eleições para presidente da República que deram a vitória ao candidato governista, que era o presidente do estado de São Paulo, Júlio Prestes. Porém, ele não tomou posse, em virtude do golpe de estado desencadeado a 3 de outubro de 1930, e foi exilado. Getúlio Vargas assumiu a chefia do "Governo Provisório" em 3 de novembro de 1930, data que marca o fim da República Velha no Brasil.


Ó tadinha! Comparar 1930 – momento revolucionário, ou golpista, chame como quiser - com 2018 é o quê, hein?
A Folha não nos lembra quais as insistentes questões que colocava a Getúlio Vargas.

Em 1977, a ditadura militar não gostou da publicação de uma coluna em branco, para marcar repetidamente a prisão do colunista Lourenço Diáferia, e o general Hugo Abreu ligou do Palácio do Planalto para o publisher Octavio Frias de Oliveira: “Vamos fechar o seu jornal”, declarou.

Em 1977 a “ditadura militar” já levava TREZE anos de ditadura!
Jair Bolsonaro leva 55 dias!

Primeiro presidente eleito após a redemocratização, Fernando Collor foi além e em 1990, com menos de três meses no cargo, mandou a Polícia Federal invadir a Folha.

Os agentes foram diretamente ao nono andar do jornal e questionaram: “Onde está o Frias?”. Sem encontrá-lo, conduziram coercitivamente a secretária Vera Lia Roberto e  os diretores Renato Castanhari e Pedro Pinciroli Jr.

Collor processou quatro jornalistas da Folha, inclusive o diretor de Redação, Otavio Frias Filho. Otavio respondeu em carta aberta: “Seu governo será tragado pelo turbilhão do tempo até que dele só reste uma pálida reminiscência, mas este jornal continuará de pé”.

Collor caiu e, a partir daí, os governantes eleitos falaram mais do que agiram, contra a Folha e a imprensa em geral.  

Quem “criticou” primeiro Collor de Mello? A Folha ou a Veja?
Outra coisa, depois dessa invasão da Polícia Federal, a Folha, agora, já perdoou a Collor de Mello?

Itamar Franco, à sua maneira, disse em 1993 pedir a Deus para ajudar a preparar o terreno para o próximo presidente, para “que ele encontre uma imprensa mais compreensiva”.

Itamar Franco assumiu em 1992, portanto, só um ano depois de governo ele ‘agrediu’ a Folha.
Jair Bolsonaro, quando se candidatou, se tornou um 'agressor' da Folhinha.

Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que o seguiu, não achou a cobertura compreensiva. “Nenhum presidente, talvez só Getúlio, foi alvo de tanta agressividade de certos setores da mídia. Não esqueça que a Folha fez uma edição de várias páginas com argumentos para o impeachment”, afirmou em 2002.

Em seus “Diários da Presidência” (Companhia das Letras), escreveu que o jornal publica “uma sacanagem atrás da outra”, questionou o “niilismo arrogante” de Otavio e não escondeu a mágoa pessoal: “É uma coisa doída de dizer, um jornal no qual trabalhei por dez anos ou mais, escrevi tanto tempo lá, e hoje é um jornal mesquinho, negativo”.

Muito provavelmente, o sociólogo tenha sido o mais certeiro na crítica à Folha. Mas, se se trata de criticar Bolsonaro, a agredida Folha é magnânima: “Governo Bolsonaro está abusando na desordem de início de mandato, diz FHC.

Direta e publicamente, Lula questionou menos a Folha, mas também ele, ao final do segundo mandato, em 2010, recordou magoado um almoço de oito anos antes, no jornal.

“O diretor da Folha perguntou para mim: ‘Escuta aqui, candidato, o senhor fala inglês?’”, afirmou, referindo-se a Otavio. “Eles achavam que o [Bill] Clinton não tinha obrigação de falar português. Era eu, o subalterno, o país colonizado, que tinha que falar inglês. Peguei o elevador e fui embora.”

O diretor de Redação replicou então, 2010, que Lula “não foi interpelado sobre falar ou não inglês, mas sobre o fato de ostentar desprezo pelo estudo”. Em entrevista em agosto, dias antes de morrer, Otavio lembrou o episódio, mantendo a discordância, e contou ter visitado o ex-presidente no ano passado após a morte de sua mulher, Marisa.

Em outubro de 2017, ainda em liberdade, o já ex-presidente reclamou de pesquisa do Datafolha que questionou eleitores sobre sua prisão.

Nossa! Estou arrepiado com essa agressão de Lula! Se eu fosse a Folha NUNCA MAIS IRIA QUERER CONVERSAR com essa figura!!

Dilma Rousseff, que sucedeu Lula, era mais formal nos questionamentos, por exemplo, divulgando nota para “repudiar fatos inverídicos”.

Em discurso após ser destituída, afirmou que seu “projeto nacional progressista” havia sido interrompido “com o apoio de uma imprensa facciosa e venal”.

Dialética de oportunidade: a senhora Dilma se referiu, explicitamente à Follha? A Folha sabe que não.

Neste ano, Jair Bolsonaro nem esperou ser eleito para iniciar questionamentos e ameaças, que tentam reproduzir os de Donald Trump nos Estados Unidos.

Aqui, a Folha revela o seu alinhamento político-ideológico, COM CLAREZA 5!

Falando ao vivo num telão na avenida Paulista, em outubro, o então candidato discursou: “Sem mentiras, sem ‘fake news’, sem Folha de S.Paulo. Nós ganharemos esta guerra. Queremos a imprensa livre, mas com responsabilidade. A Folha de S.Paulo é o maior [sic] ‘fake news’ do Brasil. Vocês não terão mais verba publicitária do governo”. 

No dia seguinte à sua vitória, voltou à carga. Numa entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, disse que “esse jornal se acabou”. O apresentador William Bonner reagiu: “A Folha é um jornal sério, um jornal que cumpre um papel importantíssimo na democracia brasileira”.

Na última sexta (14), o presidente eleito prosseguiu com as ameaças de estrangulamento publicitário, prometendo cortar os gastos da Caixa Econômica Federal com propaganda.

Como os antecessores, Bolsonaro tende a ver a cobertura crítica como pessoal. Reproduz o último dos generais-presidentes, João Figueiredo, que deixou o poder em 1985 sem fazer sucessor militar e, questionado, respondeu: “O trabalho da imprensa foi trabalhar contra mim”.
Texto: Nelson de Sá, Folha de S. Paulo, 16-12-2018

Definitivamente, no que toca ao presidente Jair Bolsonaro, a Folha, não se limita a “criticar”, é francamente hostil, para não dizer agressiva.
Generoso leitor, você se lembra desta AMEAÇA?
A Folha está só cumprindo!
Inté!
P.S.: Oxalá leitores mais preparados do que eu, se atrevam a responder à coitadinha com argumentos e mais dados do que os meus!

Um comentário:

  1. O novo governo tem tudo pra quebrar esse lixo representado pela Folha. Se não o fizer foi por quê não quis por alguma razão. Tem as ferramentas ( verba publicitária ) e a opinião pública a seu favor. É só começar. E eu acredito que aconteça.
    José Manuel

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