quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cartões corporativos e a Saúde no Brasil

Meus caros amigos,
Meu penúltimo texto do corrente ano e provavelmente, sobre a, para mim, triste e desastrada administração do Sr. da Silva.
Com toda a certeza estou entre os 13% da população brasileira que não aprova o seu governo e, mais, que lamenta uma grande quantidade de males que trouxe para o nosso País. Felizmente, ninguém dura para sempre...
Grande abraço
Peter

Amém!
JP
Ilustração: Humberto

Cartões corporativos/Saúde
Os cartões corporativos, autorizados desde 1995, só começaram a ser efetivamente usados em 2001, no final do governo do Sr. FHC.
Em 06 de fevereiro de 2008 escrevi um artigo sobre o caso. Mas os abusos a que me referi naquele momento então só aumentaram.
A principal finalidade da introdução dos cartões foi a de simplificar e desburocratizar o processo de pequenas compras de agentes públicos, dispensando ou substituindo a manipulação física de dinheiro, ao mesmo tempo facilitando a tarefa de prestação de contas, eis que os gastos, através das contas mensais da administradora dos cartões, eram listados um a um.
Era de se esperar que a distribuição dos cartões aos funcionários fosse efetuada de maneira criteriosa, e que os mesmos seriam usados somente para compras que fossem de interesse público.
Seu uso foi relativamente pequeno no governo do Sr. FHC, que estava em seu final.
Em compensação, nos dois mandatos do Sr. da Silva, foi um Deus nos acuda.

O mais acabado exemplo do que estou afirmando foi dado pelo Ministro Orlando Silva, que pagou uma tapioca de R$ 8,00 com o cartão. Estou certo que a tapioca nada tinha a ver com o serviço público ou com o desempenho das funções de Ministro.
Também é de menor valor saber que quando esse escândalo veio à tona, o Ministro se apressou em saldar seu débito (o que era o mínimo que podia fazer!!!). O dano moral já havia sido perpretado.
O que seria de esperar de  gente séria, como deveriam ser os funcionários públicos, desde o mais graduado deles – o Presidente da República até os de escalões inferiores?
Que criassem vergonha na cara e fossem mais sérios.
É o que menos se viu!
Os familiares do Sr. da Silva, que evidentemente não são funcionários públicos, usaram e abusaram do uso de cartões. Note-se que, não sendo funcionários, nem deveriam portar cartões do governo.
Os valores das compras através dos cartões cresceram de forma absurda, sem que nada fosse feito para sanar o problema.
No corrente ano de 2010 o valor médio das compras ascendeu a R$ 215.000,00 diários, totalizando até o final do mês passado R$ 71.000.000,00 (sim, setenta e um milhões de reais).
Só a Presidência da República gastou R$ 16 milhões nesse período.
Não se presta qualquer justificativa para esse absurdo, pois todas as compras têm que ver com a segurança nacional, na afirmativa feita da tribuna do Senado Federal pelo Sr. Aloizio Mercadante Oliva.
Estou certo que o Sr. Mercadante Oliva, que será o novo Ministro da Ciência e Tecnologia, colocará o ministério a trabalhar para encontrar alguma explicação científica, que seja razoável, para essa necessidade de sigilo nos gastos federais com cartões de crédito...
E espero, sinceramente, que a Presidente eleita, Sra. Rouseff, tenha uma atitude mais séria do que seu antecessor no trato dessa coisa pública.
Afinal de contas, esses gastos são pagos pelo povo, através de absurdos impostos com que arcamos, e que só aumentam de ano a ano.
Nesses oito anos de governo do Sr. da Silva, que, felizmente estão chegando ao fim, não se viu um único esforço, por menor que fosse, para racionalizar as despesas públicas e diminuir a gastança descontrolada. Muito antes pelo contrário.
E o Sr. da Silva, que há já bastante tempo afirmou publicamente que  a saúde era quase perfeita no Brasil (nunca precisou recorrer ao SUS; sempre teve tratamento VIP no Incor, mesmo que seu mal fosse um simples resfriado), agora teve o desplante de afirmar que sem a reintrodução da  CPMF, o sistema de saúde pública no Brasil enfrentaria problemas seríssimos !!!
Realmente, o sistema de saúde necessita de mais recursos. Para começar, fazer com que a remuneração dos médicos seja condizente com o seu trabalho e de valor mínimamente decente!
Mas não é através de reinstituição da CPMF que isso seria conseguido porque, com toda a certeza, aconteceria exatamente o mesmo que aconteceu no período de vigência dessa “contribuição provisória”.
A saúde virtualmente não viu a cor do dinheiro, que sumiu nos meandros da burocracia governamental. A boa e séria idéia do Dr. Jatene foi completamente desvirtuada.
Ainda bem que o mandato do Sr. da Silva está terminando (falta só pouco mais de uma semana...). Estou certo de que a Presidente eleita trará mais seriedade para o governo.
Espero que, com a seriedade, acabem as mentiras, das quais o Sr. da Silva usou e abusou. 
Peter Wilm Rosenfeld
Porto Alegre (RS), 22 de dezembro de 2010

ET: Li no jornal desta manhã que o Sr. da Silva pretende conceder asilo a seu dileto amigo e protegido Battisti, para desonerar a Presidente eleita desse fardo. Qual será a reação da cidadã italiana Sr. Marisa Leticia Lula da Silva com essa agressão que o marido fará a seu (dela) País de adoção?

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