quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

14º capítulo: Rádio Brazzaville

Capítulo anterior:



Ainda em Luanda.
No “capítulo” anterior relembrei o início da guerra de independência de Angola. Que, é bom frisar, naqueles anos da minha vida eu não entendia como “guerra de independência”. Eram terroristas. Gente que queria se separar de Portugal. Ingrata, portanto. Não foi à toa que intitulei esta caudalosa biografia “A vida que levei me levou a não gostar de nacionalismos e outros ‘ismos’”. O titulo tem uma intenção clara.
Em 1961/1962, morávamos numa “parte de casa” da Dona Felicidade, na Vila Clotilde, Travessa José Anchieta, o terrorismo acontecia no norte de Angola, Salazar fazia discursos ufanistas – que coisa mais coincidente, há pouco, li uma (dentre tantas) elegia sobre um quase ex-presidente de um país latino-americano: que ele falava grosso com os EUA e outras potências… Então, dizia eu, Salazar falava grosso com a ONU, luandenses brancos se constituíam em milícias, todos se armavam, os homens do bairro/quarteirão se reuniam e decidiam ficar de sentinela, armados, claro.
As notícias nos jornais (A Província de Angola), nas rádios (Emissora Nacional, Rádio Clube de Angola, Rádio Renascença {?}…) eram as notícias do Estado. Não entravam em Angola jornais ou revistas estrangeiras. Mas havia uma ‘janela’: a Rádio Brazzaville.

Sim, era um noticiário, retransmitido pela ORTF - Office de Radiodiffusion-Télévision Française,  daquela cidade africana. ORTF em tradução livre significa(va): Agência francesa de radiodifusão e televisão. Oficial. Pois bem, era um noticiário, uns trinta minutos, em português. Obviamente noticiava os acontecimentos em Angola muito diferentemente do que líamos e/ou ouvíamos.
Lembro-me do meu pai “colado” ao aparelho de rádio, escutando com toda a atenção. Aliás, tão logo o meu pai conseguia sintonizar a estação, que transmitia por ondas curtas ou médias, não sei dizer, o silêncio era total. Mas também lembro das imprecações dele contra a “comunista” Rádio Brazzaville.
Próximo capítulo:
15º capítulo: Televisão

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