terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Os 12 desejos que não peço no fim deste ano

Passas
Pedro Tadeu
Tenho sempre uma enorme dificuldade em cumprir correctamente o ritual de passagem do ano que nos obriga a ter 12 desejos secretos enquanto se comem 12 passas. É muito desejo para uma pessoa só! Este ano vou preparar-me antecipadamente para enfrentar a superstição tola mas, exercício ainda mais difícil, vou tentar não perder a ligação à realidade. Começarei, assim, por elaborar uma lista de 12 desejos que não posso desejar, por serem impossíveis ou simplesmente, dependentes do acaso, da sorte.
Sendo assim, antes de meter os pequenos frutos na boca, vou tentar escusar-me dos 12 desejos que se seguem:
1 - O desejo de ganhar o Euromilhões.
2 - O desejo de que a crise acabe, já.
3 - O desejo de que os nossos políticos e governantes trabalhem com sentido de Estado e não com sentido de exploração do Estado.
4 - O desejo de que o próximo Presidente da República não tenha medo e enfrente com inteligência os abusos da União Europeia. Que seja, portanto, um verdadeiro e corajoso patriota.
5 - O desejo de que o primeiro-ministro - este ou outro qualquer - não se limite a gerir as ordens que vêm de Bruxelas, das agências de rating, dos credores do País e de outras interferências externas.

6 - O desejo de que o Governo - este ou outro qualquer - seja impoluto e transparente, a começar no líder e a acabar no mais insignificante subsecretário de Estado.
7 - O desejo de que a vida de todos nós deixe de estar nas mãos desconhecidas dos poderosos da alta finança especulativa.
8 - O desejo de que as empresas privadas deixem de aproveitar a crise como desculpa para despedimentos desnecessários.
9 - O desejo de que todo o dinheiro seja considerado uma riqueza comum, finita e, por isso, independentemente de quem é circunstancialmente seu proprietário, todos sejam obrigados a prestar contas públicas sobre o dinheiro que conseguiram obter.
10 - O desejo de que muitos dirigentes sindicais parem de usar as estruturas dos trabalhadores de forma tão aselha que acabam por, na prática, fazer de idiotas úteis daqueles que dizem combater.
11 - O desejo de que a justiça seja exercida por homens e mulheres verdadeiramente competentes e não por gente com cérebros cheios de balões de vaidade e prosápia inconsequente.
12 - O desejo de que Portugal, no seu todo, seja activo na criação de riqueza mas muito mais activo na sua justa distribuição.
O trabalho que vai dar encontrar alguma coisa decente para desejar e que possa vir a acontecer!
Pedro Tadeu, Diário de Notícias, 28-12-2010

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