domingo, 15 de março de 2020

[As danações de Carina] Algumas considerações sobre a Síndrome do Choque Tóxico

Carina Bratt

Minhas queridas leitoras e amigas, atentem para estes dados.  De 1970 a 1980, 1.100 casos de síndrome do choque tóxico (SCT) foram confirmados nos Estados Unidos. No Brasil, mesmo período, 978. De 1980 a 2019, 3.700 e aqui, 4.000. Cem por cento das vítimas, setenta por cento delas sentiram seu início durante a menstruação, e, de noventa e sete a cem por cento, tinham usado IMAGINEM VOCÊS, tampões.


Os tampões, só para lembrar, são aqueles absorventes internos inseridos no canal vaginal. A síndrome do choque elétrico é identificada pelos sintomas que, em geral, começam nos primeiros cinco dias da menstruação, popularmente entre nós, o famoso “Seu Chico”, frequentemente no terceiro ou quarto dia. O aparecimento abrupto de febre alta – 38.8 ou mais – é acompanhado de vômitos, diarreia, garganta inflamada, dor de cabeça e dores musculares.

Em quarenta e oito horas a vítima pode ter um choque hipotensivo. Aparecem erupções parecidas com as provocadas por queimaduras de sol, principalmente nas palmas das mãos e nas solas dos pés. À medida em que a doença progride, a pele das mãos e dos pés descasca e a língua e as membranas mucosas ficam vermelho-forte. A vítima pode se aproximar do colapso total e necessita de grandes quantidades de líquidos.

A SCT completa seu ciclo em sete a dez dias. O índice de casos fatais dessa doença chegou a 9,7%, mas o cuidado intensivo fez com que baixasse para 3,0%. Apesar disso, se estima que a incidência dessa síndrome seja 7.2 casos por 100 000 mulheres por ano. O uso do tampão aumenta o risco para 8.8 casos. A mulher de mais de trinta corre um terço de risco daquela abaixo dessa idade.

Entretanto, se ela já teve a síndrome, as chances de tê-la novamente são muito mais altas. Afinal, nessa confusão toda, o que causa a síndrome do choque tóxico? As investigações parecem indicar que a síndrome do tóxico é causada pela bactéria de nome meio esquisito STAPHYLOCOCCUS AUREUS. O papel da menstruação e dos tampões ainda não está suficientemente claro. Os tampões não estão contaminados: testes rigorosos demonstram isso.

No entanto, o tampão ensopado de sangue poderia agir como um “meio de cultura” para o crescimento bacteriano de forma desenfreada. Os pesquisadores descartaram a frequência das relações sexuais, “as trepadinhas” durante a menstruação e o número de parceiros sexuais como fatores que contribuiriam para a permanência da síndrome. Houve um relatório recente da OMS (Organização Mundial de Saúde), que associava ao uso de diafragma (diafragma, à língua popular, nada mais é que um anel flexível envolvido por uma borracha fina que impede a entrada dos espermatozoides no útero).

A contribuição dele para a síndrome se tornou rara vez que é quase sempre encontrado em mulheres com infecções vaginais e, por consequência disso, passam muito tempo com esse meio conhecido pelos ginecologistas como “contraceptivo”. Nesse caminho, a esponja anticoncepcional Today pode prender as bactérias na vagina; casos de choque tóxico foram anunciados e é recomendável não ficar com a esponja por muito tempo.  Mais sobre esse assunto, as minhas amigas interessadas podem estar acessando o link.

A laceração da vagina ao colocar o tampão e a assiduidade de troca do produto não tem influência sobre a síndrome do choque tóxico. Um fator – uso contínuo de tampão – mostrou ter um efeito. Qual seja? Mulheres que usam tampões durante toda a menstruação correm mais risco que as que os empregam apenas de forma não contínua ou intermitentemente, talvez os utilizando durante o dia e preferindo os absorventes higiênicos à noite. Existe alguma forma de se tratar a síndrome do choque elétrico? Sim evidentemente.

Vejamos em rápidas pinceladas, como. A síndrome do choque tóxico é tratada com antibióticos. Uma vez identificado o conjunto de sintomas, a mulher é hospitalizada e se inicia o tratamento com antibióticos. Ela também será tratada sintomaticamente com fluídos intravenosos e, se ocorrer o choque, com medidas antichoque intensivas. A detecção precoce é vital, ou de suma importância. Quanto mais cedo começar o tratamento, maiores as chances de evitar ou minimizar os efeitos sérios e, às vezes, fatais, embutidos ou encastoados nesse problema.

Nós, mulheres, podemos eliminar quase completamente o risco de contrair essa praga reduzindo o uso de tampões. As minhas amigas leitoras que se viram vitimadas pela síndrome, não devem usar tampões. As medidas mais importantes que me foram passadas pela doutora Érica de Souza, infectologista são simples e corriqueiras: “devemos conhecer os primeiros sinais da doença e evitarmos tampões, notadamente se alguma vez sofremos de infecções vaginais crônicas”.

“Se durante aqueles dias da chegada do “Seu Chico” ocorrer febre alta, vômitos e diarreia, devemos, ato contínuo remover o tampão, se o estivermos usando e irmos ao médico ou a um pronto-socorro imediatamente, jamais no dia seguinte”. E concluiu: “Informe detalhadamente ao seu médico da possibilidade de síndrome do choque tóxico”. Pegando o gancho da doutora, lembrem sempre, o reconhecimento dos sintomas e o tratamento precoce (imediato, sem mais delongas) tem reduzido cabalmente o índice de mortalidade entre nós.

Lado outro, precisamos estar atentas. Ligadas, linkadas, de prontidão, dia e noite. As doenças, caríssimas, não tem hora para chegarem. Não seguem um cronograma lógico. Sequer telefonam, mandam mensagens via WhatsApp, Facebook, Instagram ou qualquer outro mecanismo considerado moderno e altamente tecnológico existente à nossa disposição. Esses malefícios (os mais diversos) não batem à nossa porta. Simplesmente entram sem serem convidados e, se deixarmos, se permitirmos, FICAM E SE ABANCAM. Para mais e melhores informações, sugiro visitarem esse site. Basta um clique.
Título e Texto: Carina Bratt, de São Paulo, Capital.  15-3-2020

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