segunda-feira, 6 de abril de 2020

CNBB anti-ecumênica: O dilema do jejum convocado por Bolsonaro

Quando um jejum dominical faz ressurgir, na CNBB, o anti-ecumenismo


O presidente da república convocou, para ontem, um jejum coletivo, pedindo a cessação da epidemia de coronavírus e a proteção de Deus para o Brasil. A ideia, naturalmente, brotou dos pastores neopentecostais – ou será que alguém imaginaria um bispo da CNBB sugerindo tal coisa ao presidente?…

Culto típico da Igreja Universal do Reino de Deus, no Templo de Santo Amaro, São Paulo. Foto: Wikipédia

Ora, apesar da inconveniência da data escolhida, não existe nenhuma proibição formal da Igreja de que os católicos jejuem aos domingos, mas a convocação do presidente causou surtos de amor à tradição em bispos e padres que não vivem senão para pisoteá-la, e isso no rimo mais frenético e carnavalesco que a imaginação humana possa conceber.

O amor ao domingo é tão sublime na alma de nossos angélicos pastores que eles mesmos decidiram, até mesmo antes das autoridades públicas, proibir missas, fechar igrejas e impedir os católicos de receberem os sacramentos, especialmente a comunhão e a confissão. Não faltam os cleaners que se apresentam com suas teologias a posteriori para legitimar a “saída de campo” justamente da “Igreja em saída”.

A controvérsia do jejum, porém, raia à loucura, pela birra infantil ostentada por esses senhorzinhos de cabeça branca. Houve regional da Conferência Episcopal que chegou a emitir nota esclarecendo aos fiéis sobre a sublime relevância de encher o estômago no Domingo da Paixão, salientando que “não é qualquer um” que pode convocar o jejum, numa pose esnobada de clericalismo selvagem.

A Conferência Episcopal brasileira está se parecendo cada dia mais com um manicômio, com a única diferença de que está infestada de demônios e bajuladores que não cessam de dar aos loucos aquele ar de solenidade e importância do qual eles mesmos dão um jeito de desfazer-se diante da opinião pública.

O quadro é bem simples: de um lado, estão as igrejas pentecostais, que ainda crescem em ritmo acelerado, sendo a maior força religiosa com atuação política do Brasil, cujos pastores, a seu modo, consagram um dia de oração e jejum, ao qual aderem pessoas de todas as confissões; de outro, um bando de idosos enclausurados em suas casas episcopais, morrendo de medo de pegar coronavírus, soltado notinhas nojentas, gravando vídeos ridículos, transbordando arrogância, inveja, amargura, pedantismo por todos os lados. Perguntamos: quem você acha que o povo simples vai querer seguir? Seja sincero!

O irrealismo da autoimagem do nosso clero o faz passar por alto o fato de que o seu público é constituído, em sua imensa maioria, de senhoras velhinhas que já estão cumprindo os seus dias neste mundo.

É óbvio que sempre existirão os cruzados de internet que, em nome de uma presumida causa católica, cometerão suas gafes inconscientes, mais ou menos coordenadas. Este foi o caso de muitos que deram a vida para fazer uma campanha de boicote ao jejum, que deu certo apenas dentro de suas próprias cabeças.

Efetivamente, a esquerda possui um senso de direcionalidade, do qual o católico normal simplesmente está privado, por não ser suficientemente hegeliano. A esquerda capta instintivamente qual a orientação geral que se deve tomar para autodefesa e promoção dos seus líderes, sabendo articular contradições e discordâncias acidentais dentro do mesmo propósito intencional. Os católicos em geral são obcecados por atos pontuais, não conseguem relevar uma discordância desimportante, e terminam por destruir-se mutuamente, pois padecem de visão estratégica: “todo mundo está errado, a não ser o meu gueto!”

É assim que a esquerda católica usa os idiotas úteis quando vende o seu anti-bolsonarismo numa embalagem de amor à tradição, tão fingido quanto eles. Para opor-se “à direita”, vale tudo: até apelar à disciplina eclesiástica, colocando nela o peso de um dogma infalível.

Apesar do pastelão circense, a situação tem uma nuance verdadeiramente interessante: semana passada, a CNBB organizou um culto ecumênico e inter-religioso com a turma do CONIC (conselho nacional de igrejas cristãs), mas agora torce o nariz para uma iniciativa que seria, segundo os seus próprios cânones, ecumênica.

Está aí a mentira do ecumenismo. Não existe ecumenismo. Existe é comunismo! Ou seja, para promover a revolução socialista, valem todas as religiões, mas, quando elas se mobilizam para socorrer um presidente “de direita”, então, tornam-se inimigas.

Está mais do que provado! A CNBB não passa de uma filial do partido comunista, tenha ele o nome que tiver. Acontece, porém, que o povo já percebeu o tamanho da sua impostura e não lhe dá importância nenhuma. Eles podem convocar o que quiserem. O fiel católico já não os escuta mais, percebeu que, no corpo sadio da Igreja, eles são o verdadeiro vírus contra o qual todos temos de continuamente jejuar.
Título e Texto: FratresInUnum.com, 6-4-2020

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