segunda-feira, 11 de abril de 2016

Mais uma entrevista de Cardozo eivada de sandices. Agora ele faz terrorismo econômico também

Ninguém investe no Brasil como está hoje. Os investidores tendem a fugir de um país em que um homem sem mandato, investigado pela polícia, aluga um quarto de hotel para distribuir cargos
Reinaldo Azevedo

Se há coisa de que José Eduardo Cardozo não se cansa, fiquem certos, é o ridículo. Nesse quesito, ele é insaciável e renova seus votos no vexame a cada entrevista que dá. Já se mostrava um fanático do vício quando ministro da Justiça. Cheguei a achar que fosse se conter na Advocacia-Geral da União — afinal, o posto é um pouco mais do que um simples braço da Presidência. Mas ele não se controla. Afinal, é um petista e não desiste nunca de dar mais um passo depois de ter chegado ao limite.

O homem concede uma entrevista à Folha desta segunda. Para falar alguma novidade? Talvez uma, ao menos na retórica oficial, tão falsa como moeda de R$ 3.

Cardozo, agora, decidiu fazer terrorismo econômico. E argumenta com a retórica dos, digamos, loucos:

“Se banalizarmos o impeachment da forma como alguns querem, o país não terá mais estabilidade jurídica, porque qualquer governo que possa passar por uma crise econômica ou de popularidade terá o impeachment como ameaça permanente. Quem vai querer investir no Brasil com uma instituição tão fragilizada? Que segurança jurídica terão os mercados para garantir uma possibilidade de crescimento ao país quando o sistema se mostraria tão frágil ao ponto de a simples retórica substituir o fato na cassação de uma presidente da República? Superar o impeachment é fundamental para o país avançar e sair da crise.

A verdade está no exato avesso. Ninguém investe no Brasil como está hoje. Os investidores tendem a fugir de um país em que um homem sem mandato, investigado pela polícia, aluga um quarto de hotel para distribuir cargos. Ao contrário do que diz o advogado-geral da União, a cada vez que os agentes econômicos veem fortalecida a hipótese do impeachment de Dilma, a reação é positiva.

Com a irresponsabilidade costumeira, o doutor volta a chamar, contra os fatos, o impedimento de golpe, negando os crimes fiscais óbvios cometidos pela presidente Dilma Rousseff. E, mais uma vez, pespega a pecha de “ilegítimo” ao provável futuro governo de Michel Temer.

Bem, meus caros, é chegada a hora de essas falas começarem a ter consequências legais, coisa de que tratarei em outro post.

As negativas de Cardozo, segundo o qual o crime de responsabilidade não aconteceu, já nem merecem mais contestação, tal o seu ridículo. Não só aconteceu como os entes públicos que estavam sofrendo as consequências das pedaladas advertiram o governo para a ilegalidade. E nada se fez.

No Ministério da Justiça, Cardozo dava mostras frequentes de falta de bom senso. Na AGU, perdeu também o pudor.
Que vá fazer terror em outra freguesia.
Título e Texto: Reinaldo Azevedo, VEJA, 11-4-2016

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