segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A indolência disfarçada...

Valdemar Habitzreuter
Você sabia que a força de dois cavalos puxando uma carroça não corresponde ao dobro do que cada um podia dar individualmente? Isso foi uma descoberta de Ringelmann, um engenheiro francês. Entre os humanos também se verifica essa estratégia. No trabalho em grupo as forças individuais estão aquém das que podem ser dadas individualmente, tanto quando se exige força física (num cabo de guerra, por exemplo) ou em se tratando de empenho intelectual.

Já participaram de um trabalho em grupo? Por certo, perceberam a lassidão individual na execução da tarefa. Quando temos de trabalhar em grupo não nos esforçamos por inteiro. É comprovado, pela psicologia social, que as forças empregadas numa tarefa a ser feita em conjunto com outras pessoas não alcançam o seu pique máximo. Esforçamo-nos diferentemente quando trabalhamos a sós e em grupo. A sós, dedicamo-nos por inteiro para alcançar o objetivo; em grupo, somos acometidos da preguiça ou vadiagem social.

Por que acontece isso? É uma trapaça inconsciente ou mesmo consciente. Por que investir todas as minhas forças se os outros estão aí para fazê-lo? E além do mais, ninguém ficará sabendo do quantum do meu esforço empregado, minha performance fica invisível ao se diluir na força do grupo. E quanto maior o grupo menos empenho individual...

Assim, quando as pessoas têm tarefas em conjunto, suas forças individuais são medianas. Claro que não pode haver esforço nulo, pois o indivíduo seria notado e passível de ser retirado do grupo; a preguiça em grupo tem suas nuances, deve ser camuflada dos outros e passar a impressão de que se está trabalhando com afinco. No entanto, há os mais esforçados que carregam nas costas os mais indolentes e o louro final é igual para todos.

Isto pode servir de alerta aos profissionais da educação, aos professores principalmente! Passar tarefas aos alunos em grupo pode ser um bom método de integração social e compartilhamento de conhecimentos, mas as tarefas individuais, em que o indivíduo tem de dar o seu máximo, é tão importante quanto... 
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 9-10-2016

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