quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Deus ou Deusa?...

Valdemar Habitzreuter

A cultura ocidental impregnou-se da palavra Deus para designar o Ser perfeitíssimo e todo-poderoso, objeto de adoração e veneração como proteção da nossa frágil condição humana. É esta a visão religiosa judaico-cristã. É o masculino que predomina. Para ser o todo-poderoso, Deus tem de ser macho. Está aí a tradição patriarcalista que predomina em nossa sociedade. A religião judaico-cristã nos deixou esse legado. Por que não poderia ser uma Deusa toda-poderosa? pergunto-me.

Nem sempre foi assim. Em eras passadas da história humana, a figura feminina toda-poderosa era o símbolo da força cósmica criadora. Afinal de contas, não é o feminino que acolhe a semente, a transforma e a gesta resultando em criação? O feminino sugere a imagem de mãe e senhora da natureza.

Nas várias mitologias dos povos antigos as divindades femininas eram as guardiãs da humanidade em todos os aspectos da vida. O ser todo-poderoso era genericamente feminino. E era este aspecto feminino o objeto de adoração das civilizações primitivas. Nas culturas indo-europeias havia um panteão de deusas com poder de criar, preservar e destruir.

Mas com o avento das religiões monoteístas o aspecto masculino de um Deus todo-poderoso começou a se desenhar, e a cultura judaico-cristã foi a grande instância a que prevalecesse até hoje esse aspecto, varrendo a ideia da possibilidade de a humanidade se subjugar a uma Deusa como objeto de adoração. Logo, prevaleceu o machismo...

No entanto, algum resquício de feminilidade ficou. A mãe de Jesus – o Deus Cristo – toma vários cognomes de senhora-divindade: nossa Senhora da Conceição, do Perpétuo Socorro, de Fátima, de Lourdes... e por aí vai. Aqui no Brasil, veneramos uma estatueta desaparecida que apareceu, e temos agora a Nossa Senhora Aparecida, a protetora do Brasil... Lindo, não é?
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 12-10-2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, evite o anonimato! Mesmo que opte pelo botãozinho "Anônimo", escreva o seu nome no final do seu comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!) isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente.
Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-