terça-feira, 17 de abril de 2018

Há tempos a imprensa virou um organismo parasitado por esquerdistas

Marlos Ápyus

O jornalismo que endossa o discurso dos próprios algozes é um atraso que merece ficar no passado

Enquanto Lula adiava a própria prisão encastelando-se em São Bernardo do Campo, membros da imprensa foram agredidos às dúzias por militantes que, mesmo minguados, tentavam tomar as ruas do país. Na ocasião, o Sindicato dos Jornalistas de SP emitiu uma nota repudiando as agressões. Mas, mesmo no alvo de ataques tão intensos, a entidade endossou o discurso dos agressores:

Essa situação lamentável é resultado também da política das grandes empresas de comunicação, que apoiam o golpe, e que adotam uma linha editorial de hostilidade contra as organizações populares.

A nota chegou ao cúmulo de exigir liberdade ao condenado:

Para impedir que casos de agressão e tentativas de censura se repitam é preciso que se retome a democracia, o que só será possível com Lula livre e com a garantia de o povo brasileiro poder votar legitimamente nas eleições de 2018.

Nada disso, contudo, é surpresa para quem se acostumou a ler a entrelinhas do noticiário. A imprensa se vende como livre. Mas há tempos – e é difícil precisar quando a situação chegou a este ponto – não passa de um organismo parasitado por militantes de esquerda. Que não noticiam, mas trabalham narrativas em benefício de uma agenda política. E que têm na nota do sindicato paulista um de seus atos mais explícitos.

Durante a jornada ao cárcere, Lula não se cansou de culpar a Rede Globo, com direito a notas do PT oficializando o posicionamento e promessas de censura (sempre camufladas pelo eufemismo “regulação dos meios de comunicação”). Nada disso impediu o Jornal Nacional de ter um apresentador em lágrimas na noite em que o ex-presidente finalmente se entregou.

Porque o jornalista esquerdista sabe que a censura não o atingirá, afinal, vive a defender a esquerda. Sabe que a mesma medida tomada na Venezuela de Hugo Chávez atingirá apenas adversários políticos. E evitará que o trabalho de investigações como a da operação Lava Jato não ganhe o destaque que interessa ao país.

O petismo e suas linhas auxiliares insistem na narrativa da perseguição pois de fato são alvo de manchetes negativas. Mas, salvo raras ocasiões, não por obra do olhar atento da imprensa, mas pelas colaborações de instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público. Mesmo o triplex, explorado hoje como um case de sucesso de um jornalismo que se quer isento, veio a público com o foco oposto, afinal, mostrava o então presidente da República como vítima de uma obra inacabada.

Tamanho aparelhamento, claro, não é exclusividade dos veículos de comunicação. É, sim, o padrão dos formadores de opinião mais tradicionais, estejam eles num palco, num sindicato ou em qualquer movimento de classe. E parece ter origem acadêmica – ou o primeiro ambiente que a esquerda sequestrou.
A popularização da internet abriu espaço para que vozes independentes peitassem o discurso vigente. Se não tinham a estrutura profissional para lutarem contra tanta narrativa, tinham ao menos a verdade ao lado. E o estrago foi tamanho que a mídia reagiu no padrão esquerdista: atacou a reputação – denunciando-os como mentirosos – e tentou silenciá-los – num primeiro momento, pela interferência de “fact-checkers”, num segundo, insistindo para que governos regulem as redes sociais.

A verdade é que, salvo por raríssimas exceções, não há jornalismo politicamente livre no ocidente. E só o reconhecimento desta metástase permitirá à sociedade incentivar a busca por novas e seguras fontes de informação.

É preciso pensar no futuro. E a imprensa que endossa o discurso dos próprios algozes é um atraso que merece ficar no passado.
Título e Texto: Marlos Ápyus, Senso Incomum, 17-4-2018

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4 comentários:

  1. Me apercebi desse fenômeno, com clareza CINCO, em Portugal, ao assistir telejornais e ‘debates’ e ler jornais (quem me conhece de pertinho, sabe o quanto eu gostava de ler o jornal todas as manhãs, antes de ‘começar’ o dia), no final do governo de José Sócrates e começo do governo de Pedro Passos Coelho.

    Comecei a coçar a orelha quando, no governo de José Sócrates, assistia e lia à demonização do FMI... hummm... ele chegou a Portugal acompanhado.

    Aí, veio o governo de Pedro Passos Coelho. Cheguei a escrever no meu perfil do Facebook algo assim como: “Bom, eleições terminadas, vamos em frente, Portugal!”.

    Mermão, os telejornais descobriam todo o santo dia uma nova desgraça que acontecia em Portugal; o Partido Comunista Português, DONO dos sindicatos dos funcionários públicos e dos funcionários que trabalham nos transportes públicos, inventava uma greve geral semana sim, semana sim. As pessoas não tendo como se locomover de casa para o trabalho, por falta de transporte, faltavam ao trabalho, faltas que eram contadas como adesão à greve.

    O Bloco de Esquerda fomentava comissões de utentes: eram utentes de autoestradas, estradas menores, estradas com túneis, utentes de maternidades, canis, colégios, militares e civis.

    Os comentadores se compungiam com tanta dor e dores em Portugal. Uma miséria de dar dó.

    De repente, o derrotado nas eleições legislativas (Sim, apesar de tanta desgraça e miséria em Portugal, o primeiro-ministro responsável por essa tanta desgraça e miséria, que acordava todo o dia com uma nova medida para ferrar o povo português e adormecia já pensando na próxima ferrada, foi o vencedor das eleições), fez um vil acordo com os partidos de extrema-esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista – que não têm votos, mas têm sindicatos e imprensa), e eles, todos juntos, sendo maioria no Parlamento, derrubaram o governo reeleito.

    E pronto! Acabou a austeridade, os utentes desapareceram, os funcionários públicos e os funcionários dos transportes públicos estão no nirvana – pois não mais fazem greves – e Portugal é o país mais feliz do mundo, quer dizer, tem os funcionários públicos e funcionários dos transportes públicos (de Lisboa) mais felizes do mundo; tem os professores mais felizes do mundo; tem os ‘utentes’ mais felizes do mundo, pois não mais os vemos chorando os ataques que sofriam; temos os ‘cantores’, ‘atores’ e ‘atrizes’, ‘pintores’, ‘bichos-cabeça’, enfim, toda a quinta-essência da ‘Cultura’, a mais feliz do mundo!

    É lamentável que, AINDA, muitos turistas teimem em visitar Lisboa, atrapalhando toda a placidez e felicidade dos habitantes de Lisboa. Alguns estrangeiros são mais perversos: querem morar no centro de Lisboa e, para isso, compram apartamentos e prédios - muitos já caindo aos pedaços – enxotando os pobres moradores! Terríveis!

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  2. Ah, esqueci de dizer: e desde então não leio jornais e nem assisto aos canais de televisão portugueses. Preservo a minha felicidade.

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  3. Conhecemos a esquerda aqui no Brasil. Os esquerdistas se unem pela ideologia, são escravos dela, e portanto basta estar no Poder. Estando no Poder estão felizes, independente de que os seus dirigentes estão a fazer ou não fazer. Os dirigentes podem tudo.
    E dentre estes felizes se incluem os artistas esquerdistas em geral (com poucas exceções), principalmente se estiverem sendo beneficiados.
    Por aqui a Lei Rouanet fez a parte de fidelizar os tais artistas esquerdistas.
    ANTONIO AUGUSTO.

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  4. Na juventude fazem partes as ideologias.
    Se pesquisarmos o conceito de ideologia, não atingimos uma resposta ideal.
    Para mim elas não resultam de ideias, premissas de consciência social.
    Eu acho que ideologia tem como sinônimo IDOLATRIA.
    No fundo de nossas vidas tivemos algum ÍDOLO ou diversos.
    Acontece que isso é um absurdo na velhice, uma imbecilidade.
    Ayrton Senna foi o meu.
    Chorei igual criança no dia 1 de maio de 1994, fazíamos um churrasco, que virou velório.
    Eu tinha 43 anos, e meu andor de barro desmoronou.
    Fiz 5 voos com a lenda a bordo.
    Ficava de 4 a 5 horas no cockpit.
    Sempre amável e inteligente.
    Ídolos morrem, mas ninguém pode querer se matar com eles, seria outra beocidade.
    Essas merdas não leram Karl Marx, eles idolatram, tal e qual, citar bunda, gandhi e mandela.
    Desculpem-me, são 3 bostas.
    O homem é o único animal que caga e mija na água que bebe junto com animais marinhos, e todo mundo sabe o que camarão come.
    Não teve um jornal ou revista brasileiro que acusou o corrupto-mor.
    Todos analisaram com ele pode se livrar da pena.
    Ainda faço uma previsão:
    - Ele vai pedir asilo político assim que puder. Ele tem mais 7 processos e 9 ações populares contra ele.
    Vejamos se meu perfil de Nostradamus está correto.
    fui...

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