terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A indústria da Fé


Com fortuna de R$ 2 bilhões, Edir Macedo é o pastor evangélico mais rico do Brasil, diz revista.
Do UOL, em São Paulo 
"Religião sempre foi um negócio lucrativo". Assim começa uma reportagem da revista americana Forbes sobre os milionários bispos, fundadores das maiores igrejas evangélicas do Brasil.

A revista fez um ranking com os líderes mais ricos. No topo da lista, está o bispo Edir Macedo, que tem uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões, segundo a revista.

Em seguida, vem Valdemiro Santiago, com R$ 400 milhões; Silas Malafaia, com R$ 300 milhões; R. R. Soares, com R$ 250 milhões; e Estevan Hernandes Filho e a bispa Sônia, com R$ 120 milhões juntos.

OS SEIS LÍDERES EVANGÉLICOS MILIONÁRIOS, SEGUNDO A "FORBES"
Nome
Fortuna
Igreja
Edir Macedo
R$ 2 bi
Igreja Universal do Reino de Deus
Valdemiro Santiago
R$ 400 mi
Igreja Mundial do Poder de Deus
Silas Malafaia
R$ 300 mi
Assembleia de Deus Vitória em Cristo
R.R. Soares
R$ 250 mi
Igreja Internacional da Graça de Deus
Estevam Hernandes Filho e bispa Sônia
R$ 120 milhões
Igreja Renascer
Fonte: "Forbes"

Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus – além de ser o pastor mais rico do Brasil, possui templos até nos Estados Unidos -- tem um luxuoso jatinho particular, de modelo Bombardier Global Express XRS, estimado em R$ 90 milhões.

Macedo tem 10 milhões de livros vendidos, alguns deles extremamente críticos à Igreja Católica e a algumas religiões africanas.            Seu maior movimento aconteceu na década de 1980, quando adquiriu a rede Record, a segunda maior emissora do Brasil. Além disso, é dono do jornal "Folha Universal", que tem uma circulação de 2,5 milhões de exemplares, e da gravadora Record News.

Seguindo os passos de Macedo, Valdemiro Santiago é ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Após se desentender com o chefe, ele fundou sua própria igreja: a Igreja Mundial do Poder de Deus, que tem 900 mil seguidores e mais de 4.000 templos, muitos deles adornados com imagens dele. Sua fortuna é estimada em R$ 400 milhões.

Silas Malafaia é líder da Assembleia de Deus, a maior igreja pentecostal brasileira. Entre os pastores, ele é o mais polêmico, e se envolve frequentemente em controvérsias com a comunidade gay do Brasil, já que declara ser o maior opositor ao casamento gay. Ele também é uma figura proeminente no Twitter, onde possui mais de 440 mil seguidores.

Em 2011, Malafaia, cuja fortuna é estimada em R$ 300 milhões, lançou uma campanha a fim de arrecadar R$ 1 bilhão para a sua igreja, com o intuito de criar uma emissora de televisão global, que seria transmitida em 137 países. Os interessados podem contribuir com somas a partir de R$ 1.000, e em troca receberão um livro.

Já o cantor, compositor e televangelista Romildo Ribeiro Soares, conhecido como R. R. Soares, é possivelmente o mais multimídia entre os pastores brasileiros. Fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, R. R. Soares é uma das faces mais regulares da TV brasileira. Ele também é um ex-membro da Igreja Universal do Reino de Deus, além de ser cunhado de Macedo. Autointitulado "missionário", tem uma fortuna estimada em R$ 250 milhões. Seu jatinho particular, de modelo King Air 350, custa "apenas" R$ 10 milhões.

Fundadores da Renascer em Cristo, o "apóstolo" Estevam Hernandes Filho e sua mulher, a "bispa" Sônia, possuem mais de mil igrejas no Brasil e no exterior – várias delas na Flórida, nos Estados Unidos. Com uma fortuna estimada em R$ 120 milhões, o casal foi manchete dos jornais internacionais em 2007, quando foram presos em Miami sob a acusação de levarem consigo mais de R$ 100 mil não declarados. Algumas notas estavam escondidas em meio às páginas da Bíblia, segundo agentes norte-americanos. Eles voltaram ao Brasil um ano depois, onde respondem por outros crimes, entre eles a queda do teto de um de seus templos, que deixou nove pessoas mortas em 2009.

Entre seus ex-fiéis mais conhecidos, está o jogador de futebol Kaká, que doou mais de R$ 2 milhões no período em que frequentou a igreja e deixou a instituição após as denúncias de fraude envolvendo o casal Hernandes.

Ser um pastor evangélico no Brasil é o sonho de muitas pessoas, de acordo com a Forbes. Diferente de muitas igrejas protestantes, que requerem que seus pastores tenham uma graduação, as igrejas neopentecostais brasileiras oferecem cursos intensivos para "criar" pastores com um custo de R$ 700, para poucos dias de aula.

Não é apenas uma questão de dinheiro – Malafaia, por exemplo, chega a pagar salários de R$ 20 mil a seus pastores mais talentosos – mas também de poder, segundo a reportagem.

Muitos pastores brasileiros conseguiram passaportes diplomáticos nos últimos anos. Alguns, especialmente os mais ricos, são cortejados por políticos em época de eleições. Para finalizar, igrejas são isentas de impostos.

Crescimento dos evangélicos
A Forbes também destaca o crescimento dos evangélicos no Brasil – de 15,4% para 22,2% da população na última década –, em detrimento do catolicismo.
Hoje, os católicos apostólicos romanos somam 64,6% da população, ou 123 milhões de brasileiros. Os evangélicos, por sua vez, já somam 42 milhões, numa população total de 191 milhões de pessoas.

Para a revista, um dos motivos do crescimento de religiões evangélicas se dá graças à teologia da prosperidade, segundo a qual o progresso material é resultado dos favores de Deus. Enquanto o catolicismo ainda prega um olhar conservador sobre a riqueza do além-vida, os evangélicos – sobretudo os neopentecostais – são ensinados a ter prosperidade nesta vida.

A fórmula parece estar funcionando. De acordo com a revista, os evangélicos formam uma parte da nova classe média brasileira, conhecida como classe C. Enquanto isso, os mais ricos e os mais pobres permanecem católicos.

Os evangélicos não só usufruem de seus bens como doam uma parte de sua renda à igreja – prática conhecida como "dízimo" e que também está presente em outras religiões cristãs.

Isto faz com que certas igrejas pentecostais sejam negócios altamente lucrativos, e seus líderes, milionários.
É a chamada "indústria da fé". (Revista Forbes)

COMENTÁRIO
O que a revista Forbes não leva em conta (e a maioria dos estudos atropológicos também não) é a existência de uma importante parcela em crescimento, da população brasileira e mundial, composta dos chamados “agnósticos”, ou seja, daqueles que não professam qualquer religião. Esses não devem ser considerados como “ateus”, embora os ateus estejam entre eles.

A maioria dos agnósticos é dotada de um grau variável de espiritualidade, que, podemos dizer, varia numa escala de zero a dez. No ‘zero’ estão os ateus (materialistas absolutos) e no ‘dez’ os espíritas, uma vez que o espiritismo – principalmente o kardecismo – é, por eles mesmos, considerado uma ciência e não uma região.

Outro aspecto interessante é que os agnósticos, apesar de afirmarem que a humanidade só estará realmente evoluída quando não necessitar mais de religião alguma e se sentir plenamente integrada ao espírito criador do universo, em sua grande maioria, consideram que as religiões são ainda necessárias para mediar a ação social das pessoas menos espiritualmente desenvolvidas e menos educadas e, em vista disso, não combatem nem criticam as suas religiões. Suas convicções são pessoais e não constituem, pelo menos ainda, as bases filosóficas de qualquer ativismo. 

Há cálculos que afirmam que os agnósticos representam quase vinte por cento da humanidade, hoje.
Título e Texto (e Grifos): Francisco Vianna, 29-01-2013

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