quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

[Livros & Leituras] Jordan B. Peterson: “12 regras para a vida”

Comecei a ler... vou gostar!

Do prefácio de Norman Doidge:

“(...)
Ideologias são ideias simples, disfarçadas de ciência ou filosofia, que pretendem explicar a complexidade do mundo e oferecer soluções para aperfeiçoá-lo. Os ideólogos são pessoas que fingem saber como “fazer um mundo melhor” antes de organizarem o próprio caos interior. (A identidade de guerreiro outorgada por sua ideologia encobre esse caos.) Isso é arrogância, é claro, e um dos temas mais importantes deste livro é “arrume sua casa primeiro”, para o que Jordan fornece conselhos práticos.

As ideologias substituem o conhecimento verdadeiro, e os ideólogos são sempre perigosos quando ganham poder, pois um comportamento simplista e sabe-tudo não é páreo para a complexidade da existência. Além disso, quando suas engenhocas sociais não funcionam, os ideólogos não culpam a si mesmos, mas a todos que desmascaram suas simplificações.

Outro grande professor da Universidade de Toronto, Lewis Feuer, em seu livro Ideology and the Ideologists [“A deologia e os Ideólogos”, em tradução livre], observou que os ideólogos reestruturam as mesmas histórias religiosas que julgavam capazes de suplantar, mas eliminam a narrativa e a riqueza psicológica.

Tal qual o Comunismo, uma história emprestada dos Filhos de Israel no Egito, com uma classe escravizada, perseguidores ricos, um líder, como Lenin, que vai ao exterior, vive com os escravizadores e então guia os escravizados à terra prometida (a utopia; a ditadura do proletariado).

Para entender a ideologia, Jordan leu extensivamente não apenas sobre o gulag soviético, mas também sobre o Holocausto e a ascensão do Nazismo.

Eu nunca havia conhecido alguém que, nascido cristão e de minha geração, fosse tão completamente atormentado pelo que aconteceu com os judeus na Europa e que houvesse se esforçado tanto para entender como isso pôde ocorrer. Eu também havia estudado com essa profundidade. Meu próprio pai sobreviveu a Auschwitz.

Minha avó estava na meia-idade quando ficou face a face com o Dr. Josef Mengele, o médico nazista que conduziu experimentos indescritivelmente cruéis em suas vítimas, e ela sobreviveu a Auschwitz ao desobedecer à sua ordem para entrar na fila com os mais velhos, grisalhos e fracos, e, em vez disso, enfiou-se na fila dos mais jovens.

Ela escapou das câmaras de gás uma segunda vez ao negociar comida por tintura de cabelo, para que não fosse morta por aparentar ser muito velha.

Já conversou com [O cão tabagista conversou com...]?

Pelas minhas contas, já foram sessenta e seis conversas! Poderia ter sido mais, poderia.
Você, generoso leitor, quer conversar conosco? Será uma alegria, creia!
Nos dê um toque para:


Muito obrigado!
Abraços e beijos de carinho./-
JP, 6-2-2019


Conversas anteriores:

Le nouveau "Réponse à Tout"


Charada (746)

Um jovem delinquente entrou numa loja
e roubou uma nota de 100€ sem que a
lojista percebesse. Cinco minutos depois,
o delinquente entrou novamente na loja
e, com a nota roubada, comprou um par
de tênis que custavam 70€, tendo assim
recebido 30€ de troco.


Qual o valor do prejuízo do dono da loja?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

[Livros & Leituras] No Princípio... Bang!: Cosmologia e Teologia: Uma Introdução ao Argumento Cosmológico Kalām

Monografia em Teologia, escrita em 2012, por Vitor Grando.
Acabei de ler. Embora pense ser uma obra para iniciados em Teologia/Filosofia, achei muito interessante. Sempre é bom aprender, né?

Abaixo, transcrevo trecho em que Vitor alude, na monografia, ao filósofo judeu Saadia ben Joseph. (Encyclopædia Britannica).

“Saadia ben Joseph (882-942) foi o primeiro dos grandes filósofos judeus. Os judeus eram um meio termo entre os pensadores muçulmanos e os teólogos cristãos do ocidente e foi através deles que a filosofia árabe influenciou a Europa medieval.


Dada a influência dos pensadores judeus no escolasticismo cristão, suas formulações do argumento cosmológico merecem nossa atenção.

A filosofia judaica era consideravelmente dependente da filosofia árabe. A principal diferença era que, enquanto esta era mais ampla, aquela era mais preocupada com questões religiosas, ou seja, seria mais apropriado chamá-la de ‘filosofia da religião’. Julius Guttmann nos explica que:

Ainda mais do que a filosofia islâmica, [a filosofia judaica] era definitivamente uma filosofia da religião. Ao passo que os aristotélicos e neoplatonistas islâmicos lidavam com toda a amplitude da filosofia, os pensadores judeus dependiam grandemente das obras dos seus predecessores islâmicos no que tange às questões filosóficas gerais, e se concentravam mais especificamente em problemas filosóficos-religiosos... a grande maioria dos pensadores judeus tinha como principal objetivo a justificação filosófica do judaísmo, lidando com problemas de metafísica em um contexto filosófico-religioso.

A filosofia judaica, dada a influência do pensamento árabe, também trouxe desenvolvimentos ao argumento cosmológico kalām. Saadia, que foi muito influenciado pelos mu’tazilites, foi o principal expoente do referido argumento tendo defendido ao menos quatro argumentos para a criação do universo: o argumento da finitude do mundo, o argumento da composição, o argumento da temporalidade dos acidentes e o argumento da finitude do tempo. Para nossos propósitos, é apenas o quarto argumento que nos interessa. Neste argumento, Saadia tenta reduzir a hipótese da infinitude do tempo ao absurdo:

O quarto argumento é [baseado] no [na concepção do] tempo. Isto é, eu sei que há três períodos [distintos] de tempo: passado, presente e futuro. Embora o presente seja menor que qualquer outro momento de tempo, eu presumo... que esse momento presente é um ponto e digo...: ‘vamos supor que uma pessoa deseje avançar mentalmente no tempo para além deste ponto. Ela não conseguiria fazê-lo pelo fato de o tempo ser infinito e o que é infinito não pode ser mentalmente atravessado de maneira ascendente [retrocedendo ao início].

[Ferreti Ferrado suspeita...] BRT de marcha a ré

Haroldo P. Barboza


Título, Arte e Texto: Haroldo P. Barboza, 5-2-2019

Anteriores:

“Chega em boa hora”

O ministro Herman Benjamin, do STJ, aprovou o pacote anticrime de Sergio Moro.


Ele publicou no Estadão:

“O conteúdo do projeto é, no geral, inovador e necessário. Mas também corajoso, por não se limitar a apresentar diagnósticos. Faz, ao contrário, claras opções legislativas e de política criminal (…).

Algumas das mais importantes alterações visam impedir que, pela procrastinação do processo, a sanção penal deixe de ser aplicada, vire uma quimera, inclusive pela prescrição (…).

Os crimes do colarinho-branco sempre foram tratados com certa benevolência – por distorção cultural, mas também legal e jurisprudencial –, vistos com carga de lesividade menor do que os crimes de sangue ou de violência e, por isso mesmo, suavemente punidos. A proposição, corretamente, agrava a situação do infrator nesses tipos penais e dá resposta mais adequada a tal comportamento extremamente nefasto.

O projeto avança no aprimoramento e modernização do ordenamento jurídico penal e processual penal brasileiro. Chega em boa hora. A Nação passa por momento de depuração ética e exige o enfrentamento da criminalidade, tanto a violenta, como a organizada de qualquer natureza, inclusive a mais organizada de todas – a corrupção. Tal sentimento popular legítimo, que nada apresenta de anticivilizatório, deve-se refletir nas leis que regem a sociedade.”
Via O Antagonista, 5-2-2019

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[Aparecido rasga o verbo] De Pertuito Estinhar à “Infundibuliforme”

Aparecido Raimundo de Souza

UMA COISA SE TINHA como certa, além da morte. Mário Pertuito Estinhar era feio. Bota deselegância nisto. Mais disforme que briga de foice no escuro. Não. Briga de foice no escuro, certamente fichinha, se comparada ao sujeito. Mais assustador que o filho caçula do Tinhoso, com a sua atual esposa, Dilma Rouboussett.

O capetinha temporão, batizado como Luiz Inácio (em homenagem ao ex-presidente Lula, que prometeu um tríplex ao senhor das profundas, em Guarujá) todo dia, pela manhã, aprendia, com seu pai Rabudo, a fustigar, com um tridente, as novas almas chegadas ao inferno. Isto não vem ao caso.

Mário Pertuito Estinhar, de dezoito anos, queria estudar e ser oftalmotorrinoralingologista. Não dava, pelos poucos recursos do pai. O estudo da matéria, como o nome da profissão, era longo demais. Afora isto, morava em Santa Cruz, final da linha da Central do Brasil. Santa Cruz nada. Croácia. Um bairro perto da casa, ou melhor, mesma avenida do famoso Wellington Menezes de Oliveira (aquele maluco que em 2011 massacrou um monte de crianças na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro).  Isto também não vem ao caso. 

Nosso objetivo é o Mário Pertuito Estinhar. Feio até dizer chega. Mário nascera filho de Francisco Pertuito (carinhosamente Chiquinho Pertuito) e dona Sebastiana Pertuito Estinhar. O Estinhar, portanto, ascendia da mãe, dona Sebastiana (conhecida na Croácia e adjacências como dona Aninha Bombril) em face de trabalhar com um punhado de coisas diferentes.

Na segunda, por exemplo, dona Aninha lavava e passava, para uma família em Realengo. Na quarta-feira, tomava conta de um idoso em Bangu, e, nos finais de semana, fazia um bico como doméstica em Senador Camará. Logicamente isto também não vem ao caso.

Igualmente feios, o casal tinha um orgulho danado do Mário. Acentuado este orgulho, mais até que a de Maíra, a irmã de Mário, dois anos mais nova. Maíra nascera para ser doméstica, casar, ter filhos, cuidar do marido. Já o Mário... o rapazola se mostrava craque com a bola. Num campo de futebol, não havia quem alcançasse a sua performance, o seu desempenho. Driblava como ninguém. Assemelhava ao Neymar Júnior. Ou melhor, Neymar perto dele, merda elevada ao quadrado. Recentemente o técnico Abel Braga do Flamengo, ao vê-lo atuar numa partida de futebol, em Japeri, fizera um convite para que entrasse para o clube.

Até aqui tudo nos conformes? OK! Por ser um exímio jogador, um quase insubstituível atacante, Mário recebia convites para jogar em pequenos clubes. Assim, pouco parava em casa.  Viajava para cima e para baixo. Filiado a uma galera da própria Croácia, onde o time “Os garotos Croacianos imbatíveis” fosse jogar, não podia faltar o Mário desengraçado. A sua difícil e sofrida feiura chegou a tal ponto que os colegas de bola lhe arranjaram um apelido esquisito, quase desproposital, verdade seja dita.

Entretanto, como a criatura, de fato, não poderia jamais ser comparada a um Cauã Reimond, ou ao Reynaldo Gianecchini. Seria pretensão demais. Para concorrer com ele, o Russo (lembram do Russo?) assistente de palco da Rede Globo, desde a época do Chacrinha, um galã. A alcunha que lhe arranjaram caíra nos conformes. Mário, coitado humilde, ignaro, dócil e manso, pouco se lixava se a turma o achava malparido e desengonçado.


O importante. A feiura, a sua feiura se tornava bonita, linda e maravilhosa quando entrava em campo e arrancava os aplausos da multidão (a turba da arquibancada se polvoroisava e entrava numa espécie de ginge, com a sua atuação excepcional e magnanimamente inquestionável), posto que a sua desenvoltura com os pés se tornara imbatível. O seu requebro, o seu bamboleio, a sua destreza voavam alto e se transvertiam inconfundíveis.

Inimigo

Nelson Teixeira

Nossos inimigos estão mais próximos de nós do que podemos imaginar. Como nossa visão não consegue enxergar o inimigo, é imperioso lembrar a máxima que diz: o que não se vê, não existe.

Pensando desta forma fica mais difícil combater algo que não é visível aos nossos olhos. Muitas das vezes nosso combate se torna ineficiente, pois por não enxergar nosso adversário, fica até mais cômodo imaginar que ele não existe.

Está aí um grande engano, pois nosso maior inimigo é nós mesmos, quando deixamos de corrigir nossos defeitos como orgulho, vaidade, egoísmo e ganância.
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 5-2-2019

Charada (745)

Qual é o
próximo
número
da seguinte sequência?

7, 14, 28, 56, 112, ...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Apenas embusteiros e bovinos cobram posição de Moro sobre denúncias de corrupção no governo Bolsonaro

Eric Balbinus de Abreu

Coisas estranhas acontecem na política brasileira. Entre eles a cobrança nunca antes vista para que um ministro da Justiça se posicione ou aja sobre um caso envolvendo um parlamentar. A saber: o ministro é o ex-juiz federal Sérgio Moro, responsável por boa parte dos trabalhos da Operação Lava Jato. O parlamentar é Flávio Bolsonaro, senador eleito pelo Rio de Janeiro que enfrenta acusações de apropriação de parte do salário de funcionários lotados em seu gabinete na Alerj. A notícia de que o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio teria arregimentado laranjas para desviar recursos eleitorais por meio de falsas candidaturas voltou a reacender a discussão: como fica Moro nesta história?


Diversas publicações já foram feitas a respeito, no entanto a que pareceu mais contundente foi a manifestação do cineasta José Padilha em sua coluna no jornal Folha de São Paulo. Em um artigo intitulado "Sérgio Bolsomoro", o diretor de Tropa de Elite escreveu:

O que me leva ao título deste artigo: Sergio Moro, o novo e poderoso ministro da Justiça, ungido pela eficiente luta contra a corrupção empreendida no âmbito da Operação Lava Jato, vai ficar assistindo a tudo isso sem fazer ou falar nada?

Queira ou não queira, ao aceitar o convite de Jair Bolsonaro para trabalhar no Ministério da Justiça, Sergio Moro avalizou implicitamente o governo Bolsonaro. Deu a este governo um carimbo de ética e de luta contra a corrupção. E, ao fazê-lo, colocou a sua biografia em jogo.

Lembro a Sergio Moro a famosa história do grande economista liberal Eugênio Gudin (1886-1986), que, apesar de ter controlado a crise econômica resultante da instabilidade política durante a transição do governo Vargas para o de Juscelino Kubitschek, pediu o boné assim que percebeu que o governo de Juscelino não seria orientado por visão liberal do controle dos gastos públicos.

Ou seja, não flexibilizou as suas convicções pessoais sobre a economia para se ater ao poder.

(Espero o mesmo de meu amigo Paulo Guedes!) Pois bem: Sergio Moro vai flexibilizar as suas posições éticas para ficar em um governo que já nasce maculado?

Posto o problema está. Restam ao ministro três formas de lidar com ele: primeiro, pode calar e consentir. Segundo, pode pedir o boné. E, por fim, pode atuar decisivamente em favor de suas convicções éticas, colocando todo o aparato policial e jurídico que tem a sua disposição para investigar o senador Flávio Bolsonaro, dando um sinal claro para a sociedade de que, enquanto ministro, vai trabalhar pela justiça, doa a quem doer.

Como assim, colocar seu aparato policial e jurídico para investigar o senador? Como Padilha não é nem um esquerdista radical, é possível esclarecer para ele como funcionam as instituições do judiciário. Vamos esclarecer aqui quais são as atribuições do Ministério da Justiça, conforme consta na Constituição:

Mensagem do presidente Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional

A mensagem foi lida pela deputada federal, Soraya Santos, PR/RJ

Moro apresenta propostas para combater o crime e a corrupção

Ministro da Justiça apresenta o pacote anticrime que será enviado ao Congresso. Saiba quais são as propostas

Kelli Kadanus e Fernando Martins

Foto: Nelson Almeida/AFP

"O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, apresentou nesta segunda-feira (4) o pacote anticrime que vai enviar ao Congresso. O conjunto de projetos altera 14 leis e tem três eixos centrais: o combate ao crime organizado, à corrupção e à criminalidade comum. O pacote anticrime modifica os códigos penal, processual e eleitoral e as leis de execução penal e de crimes hediondos.

As medidas preveem, por exemplo, o endurecimento de penas; mais rigor dentro dos presídios; a criminalização do caixa 2 eleitoral; a previsão legal da prisão em segunda instância judicial como regra geral e em primeira instância no caso de homicídios; o chamado excludente de ilicitude para não punir policiais que matam criminosos em situações de confronto ou risco a vítimas. Há ainda uma medida inovadora no combate à corrupção: informantes que derem informações que ajudem a recuperar dinheiro desviado poderão receber até 5% desse valor – veja abaixo a íntegra das propostas.

Criminalização do caixa 2 e criação do “informante do bem” no poder público
Na área político-partidária, haverá a criminalização do caixa 2 eleitoral e a alteração da competência para julgamento de crimes complexos relacionados a eleições.

Para o combate à corrupção, uma proposta é a oficialização do uso do “informante do bem” na administração pública para “entregar” possíveis irregularidades. Em troca o informante poderá receber até 5% do valor recuperado. Ele terá direito à preservação de sua identidade. O projeto prevê que não haverá condenação com base apenas em depoimentos do informante. Ou seja, será preciso comprovação das informações.

Prisão após a 2ª instância para todos os casos e em 1ª para alguns
Moro também propõe a previsão de execução de pena após condenação em segunda instância, bandeira da Operação Lava Jato. “Isso é importante para corrupção, é importante para crime violento e é importante para organização criminosa”, argumenta o ministro. Ele esclarece que essa é uma “mudança fundamental”.

O pacote anticrime não pretende fazer isso por meio de alterações na Constituição, e sim no Código de Processo Penal. “Por que não uma PEC [proposta de emenda à Constituição]? Nós estamos respeitando o entendimento atual do STF. Por quatro vezes o STF disse que é constitucional. Na minha opinião não tem necessidade, segundo a interpretação do Supremo, de uma alteração na Constituição”, diz o ministro.

O que a Venezuela explica da esquerda portuguesa

Alexandre Homem Cristo

Lição para o debate público: ter o PCP e o BE a pregar sobre a democracia, partidos que sucessivamente defendem os inimigos dos regimes abertos e livres, não deve merecer um segundo do nosso tempo.

Juan Guaidó, foto: Manaure Quintero/Reuters

Facto 1
: a ditadura socialista de Chávez e Maduro, na Venezuela, resultou no empobrecimento severo da população, na escassez de bens de primeira necessidade, na insegurança pública, na prisão de adversários políticos, na destruição da economia por via de nacionalizações arbitrárias, na corrupção como forma de sobrevivência e no colapso das instituições políticas. Não foi por falta de avisos que se chegou a este ponto de miséria e desespero. Afinal, este desfecho segue à risca a inevitabilidade dos regimes de matriz socialista e revolucionária, que acabam sempre com os cidadãos de mão estendida.

Facto 2: Guaidó é a única alternativa com legitimidade democrática a Maduro. Não é preciso sequer gostar-se dele, porque a questão nem se coloca. Guaidó foi eleito presidente da Assembleia e só ele tem a legitimidade para fazer o que está a fazer: liderar uma confrontação popular com o regime de Maduro para exigir uma transição democrática. Ter-se autoproclamado Presidente foi um passo necessário nessa confrontação. E reflete-o o reconhecimento internacional que tem obtido por parte do chamado mundo livre, dos EUA aos vários Estados europeus e às instâncias da União Europeia (com apoio de PS, PSD e CDS).

Facto 3: o PCP apoia Maduro, movido pela ortodoxia comunista e pela sua característica cegueira ideológica. O voto de condenação à “operação golpista” na Venezuela que propôs fala por si. Recorde-se que o PCP lamenta a queda do Muro de Berlim, desmente o massacre de Tiananmen, chora o desmoronar da União Soviética (que oprimiu a Europa de Leste durante décadas) e celebra todo o tipo de ditaduras com raízes marxistas (Coreia do Norte, Cuba, Vietname, China). O seu apoio explícito e incondicional ao regime venezuelano só choca os distraídos.

Facto 4: o BE, no seu habitual cinismo, optou pela ambiguidade e, sem grandes considerações sobre a opressão violenta do regime de Maduro, investe os seus esforços em associar Guaidó a Trump, a Bolsonaro e à extrema-direita, numa tentativa desesperada de o descredibilizar – o que, inevitavelmente, equivale aqui a defender o status quo, isto é, a autoridade de Maduro. Assim, no Parlamento Europeu, votou contra o reconhecimento formal de Guaidó como presidente interino da Venezuela. Na Assembleia da República, o BE rejeitou também uma iniciativa com o mesmo intuito e, mais revelador, absteve-se no surreal e acima referido voto de condenação apresentado pelo PCP.

O plano da Lufthansa para salvar a Varig


Carlos Martins, AeroIN

O ano era 2005. A Varig, a maior estrela brasileira, estava no seu pior momento: dívidas bilionárias e uma imensa confusão institucional. A companhia já tinha passado por inúmeras administrações nos últimos meses, mas nenhuma chegou perto de resolver o problema da empresa.


E é aí que entra a Lufthansa Consulting, renomada empresa de consultoria subsidiária da companhia aérea alemã. A empresa fez um plano para salvar a aérea brasileira, que nunca foi posto em prática, mas que revelava os principais problemas da Varig, e como seria possível solucioná-los.

As informações a seguir foram todas extraídas do “VARIG Recovery Plan – Operational Restructuring Plan” da Lufthansa Consulting, concluído no dia 9 de setembro de 2005. São mais de duzentas páginas elencando diversos pontos problemáticos da empresa e as práticas para reverter a situação. Selecionamos os principais pontos.

O ponto de partida
Toda a estratégia do plano era para um prazo de cinco anos, com meta de aumentar a margem operacional da companhia de 0,7% para 5,2% no primeiro ano e 12% nos quatro anos seguintes.

Para isso a Lufthansa elencou os principais problemas e ameaças na Varig na época:

o    Dívidas de $4 bilhões de dólares sem condições de serem pagas (falta de liquidez);
o    14 aeronaves paralisadas que causavam prejuízos e constantes reajustes na malha;
o    Frota diversificada com os Boeing 727F, 737-300, -400, -500, -700 e -800, 757, 767, 777 e McDonnell Douglas MD-11, além de problemas de falta de padronização em aeronaves do mesmo modelo que possuíam motores diferentes e configuração interna distinta;
o    Excesso de pessoal: em torno de 1650 pilotos e copilotos, sendo que o número necessário era bem abaixo disso;
o    Falta de consciência da situação delicada da empresa pelos empregados e sindicatos. Pedidos e demandas eram realizados sem considerar o risco que isso traria para a empresa.

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Via Heitor Volkart

A Venezuela é mais um exemplo do fracasso do socialismo

João Marques de Almeida

Chávez mostrou como manter formalmente a democracia sem deixar o poder. Basta controlar os recursos econômicos, a justiça e a comunicação social. Eis a atração da Venezuela para as esquerdas radicais.


Agora que o fracasso do socialismo Chavista é ainda mais evidente, o Bloco de Esquerda tenta fugir do que sempre defendeu, tratando Maduro como mais um ditador militar. Maduro é muito mais do que um ditador militar: é um ditador socialista. Aliás as experiências socialistas radicais acabam sempre em ditaduras, e muitas vezes militares. Foi assim na Europa de Leste, da União Soviética à Jugoslávia. É assim na Ásia, nos países com regimes Marxistas, como a China e a Coreia do Norte. E acontece o mesmo na América Latina, de Cuba à Venezuela, passando pela Bolívia.

Durante os últimos vinte anos, nenhum país foi tão fiel ao programa socialista como a Venezuela. O regime nacionalizou os sectores mais importantes da economia, controlou quase inteiramente a comunicação social, partidarizou as forças armadas e subordinou a justiça aos interesses do poder político. Acabou como acabam os regimes socialistas: empobrecimento geral, a maioria da população a viver na miséria, limites à liberdade, uso de violência contra as pessoas, presos políticos, batotas eleitorais e corrupção do regime. O cumprimento das promessas é que nunca aconteceu: enriquecimento, justiça social, liberdade política. Nada de positivo resultou da revolução Chavista.

Mas a Venezuela constitui um caso interessante para as esquerdas radicais na Europa, sobretudo em Espanha e em Portugal. Formalmente, continua a ser uma democracia, com partidos de oposição e com um parlamento a funcionar. Na Europa, as esquerdas sabem que hoje é impossível acabar com a democracia parlamentar. O preço seria a saída da União Europeia e o fim do acesso aos recursos necessários para distribuir pelas clientelas. Nos países sem petróleo, o socialismo precisa dos fundos europeus e do crédito barato do Euro. O regime de Chávez mostrou como é possível manter formalmente a democracia sem nunca abandonar o poder. Basta controlar os recursos econômicos, a justiça e a comunicação social. Eis a atração da Venezuela para as esquerdas radicais na Europa.

Charada (744)

Cármen, Júlia, Filipa, Anabela,
Gil, Santiago, Gastão e Amadeu
Reuniram-se para celebrarem
a Passagem do Ano.

Considerando que:

a. Eles formam quatro casais;
b. Anabela não é a mulher de Santiago;
c. A mulher de Gil dançava com o marido de Cármen, enquanto Gil, Anabela, Amadeu, Santiago e Filipa estavam sentados a conversar.

Indique como são formados
os quatro casais.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Deve ser pela cor da minha pele

Cristina Miranda

Ser jornalista hoje, salvo algumas excepções, não é relatar fatos com isenção e seriedade. É aldrabar, manipular, distorcer, contornar, fabricar “verdades” alternativas. Só não vê quem “usa palas”. Qualquer cidadão atento tropeça diariamente neste lixo jornalístico que promove agendas políticas ligadas ao sistema, mas diz-se independente. Tropecei esta semana em vários textos execráveis de tão falaciosos que são. Sobre o quê? Racismo, pois está claro, o tema favorito dos partidos que promovem o vitimismo como meio de subsistência.

O primeiro tropeção foi com Fernanda Câncio essa pérola jornalística que se contorce mais que as minhocas sempre que quer fazer valer um ponto de vista mesmo que sem pontas por onde se pegue. No seu texto “45 Anos de negação” conta a história do “pobre e indefeso” Helder Amaral [foto] deputado do CDS que em entrevista lhe revelou ter sido alvo de “racismo” e das implicações que isso teve na sua vida. Sem colocar em causa o depoimento de Helder Amaral, esse mesmo testemunho, poderia ser de qualquer outro cidadão de outra cor qualquer, de outra religião qualquer, com deficiência física, com óculos graduados, pobre, com obesidade ou magreza. Qualquer um. Mas, claro está, o que importava à jornalista era fazer passar a mensagem de que em Portugal temos “muito racismo”. Porém, e para quem não sabe, esta mesma jornalista tinha entrevistado Camilo Lourenço sobre o mesmo tema. Mas este, ao contrário de Helder Amaral, não se vitimizou pela cor. Referiu apenas que os ataques que sofreu não foram por racismo, mas por estupidez humana e que essa estupidez existe em todo o lugar.

Deve ter sido por isso que Câncio não o quis mencionar neste seu texto. Pois claro, estragava a narrativa vitimista que se pretende e assim não dá para crucificar os portugueses. Pois é, mas o facto é que:  Helder Amaral é deputado; António Costa é primeiro ministro; Van Dunem é ministra da Justiça; Quaresma joga na primeira liga; PS tem uma deputada cigana; Patrícia Mamona é atleta medalhada no atletismo; Anselmo Ralph vende milhões de discos; Mamadou Ba é assessor no Parlamento!!!! E tantos tantos outros!!! Se houvesse racismo em Portugal, jamais teriam chegado tão longe.  

O segundo tropeção foi no texto do Daniel Oliveira no Expresso, outro obcecado em mostrar racismo em Portugal à força toda. Diz ele no seu texto ”A Bosta do racismo” : (…)Mamadou Ba permitiu que este país, que o Estado Novo ensinou que era excepcionalmente tolerante, exibisse finalmente o seu racismo sem filtro. Ou seja, entende esta criatura que as reações ao comentário de Mamadou onde incita ao ódio e rotula os policiais de “bosta da bófia” mostram “racismo” e são despropositadas porque coitadinho até nem quis insultar, “nós” é que empolamos as coisas. Esqueceu-se claro, de dizer que enquanto alguns reagiam às declarações deste assessor do Parlamento de forma efusiva (em resposta às palavras execráveis do Mamadou), do outro lado da barricada, jurava-se morte aos portugueses e dizia-se textualmente ”Tugas, vocês são uns merdas, não valem nada. Vocês são um lixo de pessoas. Estamos aqui para vos tirar tudo, o vosso trabalho, o vosso dinheiro, as vossas mulheres” multiplicavam-se comentários nas redes deste gênero contra os portugueses. Também se ignora que Mamadou em suas palestras fez exatamente o mesmo com nosso legado histórico e cultural e exigiu o fim da GNR e PSP. Daniel só mostra o que lhe convém porque também ele trabalha para o sistema.

Brasileiros procuram provas de ascendência portuguesa no arquivo militar

Jornal Económico com Lusa       

Os documentos guardados no arquivo militar podem ser uma prova fundamental nos processos de pedido de cidadania portuguesa. E são cada vez mais os brasileiros a fazê-lo.

Foto: Diego Vara/Reuters
A história militar portuguesa ocupa mais de dez quilômetros de documentos num arquivo que ganhou tecnologia inovadora de incêndios num novo espaço e ao qual cada vez mais brasileiros recorrem em busca de uma prova para requerer cidadania lusa.

Aos investigadores de mestrado e doutoramento que chegam a trabalhar diariamente no Arquivo Histórico Militar, em Lisboa, durante meses, juntam-se os curiosos em busca de informação sobre familiares que foram militares e, “numa vaga recente”, cidadãos brasileiros que procuram ascendência até ao grau de avô, a suficiente para requererem nacionalidade portuguesa.

“Temos tido muita gente que conseguiu a nacionalidade porque aqui nos arquivos foram passadas certidões segundo as quais um seu familiar era militar português. É expressivo, houve um aumento significativo desde há dois anos”, contou à Lusa o subdiretor do arquivo, major José Cunha Roberto.

O contato com o arquivo é feito frequentemente por correio eletrônico por cidadãos brasileiros a residir no Brasil e a resposta é tão mais rápida quanto mais forem os dados fornecidos sobre o familiar militar, apontou.

Os processos individuais dos militares falecidos até 1969 ocupam mais de quatro mil caixas e constituem um dos acervos mais consultados no arquivo, que ganhou eficiência com as novas instalações, onde toda a documentação está concentrada, dispensando as antigas viagens para ir buscar documentos a um depósito a vários quilômetros.

O Arquivo Histórico Militar, criado em 1911, mudou-se no final de 2018 de Santa Apolónia para o vizinho Largo do Outeirinho da Amendoeira, equipando as antigas instalações de fardamento do Exército com um sistema de detecção e combate a incêndios que recorre a gás árgon em vez de água, permitindo destruir os documentos.

Em Portugal, só mais a Torre do Tombo, em Lisboa, tem este sistema.

“Temos um sistema de detenção de incêndio que está ligado ao de extinção. Portanto, automaticamente, conforme detecta incêndio o sistema faz a extinção. Tem um intervalo de quatro minutos, se houver um falso alarme”, explicou o major Cunha Roberto.

Jair Bolsonaro à Davos, 100 jours au pas de charge

Virginie Jacoberger-Lavoué

À Davos, le nouveau président faisait son premier déplacement international. Il y a rassuré le monde des affaires, alors qu'il cherche à appliquer au plus vite son programme résolument libéral et sécuritaire.

Foto: AFP
Porté sur les épaules d’un sympathisant, le torse couvert de sang, le visage grimaçant de douleur. Le président Jair Bolsonaro, 63 ans, investi le 1er janvier, se souviendra longtemps de ce 6 septembre 2018, jour où il a failli perdre la vie après avoir été poignardé par un militant d’extrême gauche. Cette blessure l’embarrasse toujours. Il vient de subir le 28 janvier une nouvelle opération, qui avait été reportée afin qu’il participe au Forum économique mondial qui s’est achevé le 25 janvier, à Davos. Ce « sommet », qui réunit l’élite mondiale politique et économique, antre du capitalisme et du multilatéralisme, est un bon baromètre pour mesurer sa stature internationale. Jair Bolsonaro l’avait choisi pour sa première visite internationale.

À la faveur des nombreux désistements de chefs d’État et de gouvernement, dont Donald Trump, Emmanuel Macron et Theresa May, retenus par des crises sévères à domicile, Jair Bolsonaro a eu le privilège du discours inaugural, le 22 janvier dans l’auditorium du Centre des congrès de Davos. Son discours a surpris par sa brièveté -sept minutes - et son ton généraliste. On a vu poindre des sourires dans la salle lorsque Bolsonaro s’est mué en VRP du Brésil, vantant jusqu’à ses plages. Mais toujours pas le moindre chiffre évoqué ; Jair Bolsonaro est un président atypique, qui avait prévenu : « Je ne comprends rien à l’économie. »

La concision de son discours présentant un « Brésil différent » avait néanmoins l’avantage d’aller à l’essentiel. Parlant sur un ton martial, Jair Bolsonaro, capitaine de réserve, semblait avoir bien appris sa leçon : moins d’État, des privatisations, la baisse des impôts, plus d’investissements, la lutte contre la corruption… Surnommé le « Trump tropical », ce catholique devenu évangélique, favorable aux armes à feu et climatosceptique, a su ménager ses effets : crispé mais conciliant, le président issu de la droite radicale a glissé une phrase que certains ne manqueront pas de lui rappeler : « L’environnement et le développement devraient avancer main dans la main. »

Pour Ian Bremmer, politologue fondateur d’Eurasiagroup : « Le compte rendu médiatique de son discours était globalement négatif ; mais son orientation a été bien accueillie par les marchés et les investisseurs. » L’expert américain ne voit pas Jair Bolsonaro comme un clone de Trump, à l’exception de quelques signes d’alignement - transfert de l’ambassade en Israël de Tel-Aviv à Jérusalem, rapports avec la Chine, climat… Encore que la sortie annoncée de l’accord de Paris de lutte contre le réchauffement ne paraisse pas actée.

Jair Bolsonaro est-il devenu fréquentable ?

Assurément, son examen de passage a été réussi auprès de l’influent professeur Klaus Schwab, fondateur du Forum. Il l’a dit, en 2020, l’organisation de la session Amérique latine de Davos se tiendra au Brésil. À Davos, Bolsonaro est aussi devenu fréquentable. On l’a dit boudé parce qu’à son arrivée il a déjeuné dans un supermarché. Mais on l’a aussi vu aussi à la table d’honneur du sommet, aux côtés de Satya Nadella, le directeur général de Microsoft, et de Tim Cook, qui occupe la même fonction chez Apple. Quid d’un agenda diplomatique de l’entre-soi populiste ?

Sem esperar nada

Nelson Teixeira

Não espere que alguém lhe traga a paz embrulhada em papel de presente.

Não espere que lhe devolvam o brilho no olhar, nem o riso roubado pela rotina.

Não espere retribuição de todo carinho doado, nem flores vindas de quem nunca viu um jardim.

Não espere gratidão, nem afeto de quem nunca teve.

Não espere nada de ninguém, também não se desespere.

É fácil, seja a paz que você precisa, ela paira em seu peito, abrace-a.

Faça o bem sem esperar nada em troca. A recompensa você verá no espelho ao sorrir e descobrir que tudo, para dar certo e ser sucesso, só depende de você.
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 3-2-2019

[As danações de Carina] A embriaguez da existência: o amor

 Carina Bratt

Nada como viver um grande amor, estando em Roma.
Eduardo J. Bichê

Quando de nossa passagem meteórica por Brumadinho (minha e de Aparecido), dona Alice Quinteiro uma das muitas assistentes sociais, pessoa muito alegre e simpática, divertidíssima, desenvolvendo um trabalho voluntário grandioso em socorro às vítimas, a certa altura da nossa amizade, me perguntou, de chofre, “o que significava o amor, ou melhor, o que era o amor para mim?”. Na hora, pega de surpresa, respondi o que me veio à cabeça.  Depois, no hotel, fiquei pensando naquela pergunta. E mais ainda, na resposta frívola e vazia que devolvi.

“O que é o amor?”. Poderia ter respondido com uma das muitas frases célebres de Luiz de Camões, tipo: “O amor é um fogo que arde sem se ver” ou daquele outro conhecidíssimo autor de “Le Petit Prince”, Antoine de Saint-Exupéry, que escreveu o seguinte: “Amor não é apenas olhar um ao outro, é olhar ambos na mesma direção”. Poderia ter ido mais longe, e, como o português Júlio Diniz, em “As pupilas do senhor reitor” ter mandado esta: “O amor é um som que reclama um eco”. Se este eco não vier do coração, não haverá amor, apenas troca de afinidades.


Amor, Amor, o que é o amor? Antes de tudo, o amor é uma afeição. Um sentimento bucólico e agradável que impele as pessoas a um termo que lhes pareça belo e desejado. A palavra amor tem vasta sinonímia real e figurada. Assim pode significar a um só tempo, amizade e ligação espiritual. O objeto, ou a coisa amada. A benevolência, o carinho, a simpatia, a tendência, o instinto sexual. Ou, via outra, o desejo sexual para ser mais direta. Ou mais objetiva: não só o desejo sexual, a cópula carnal.

Já que toquei em instinto sexual, desejo sexual e cópula, quem bem sintetizou o amor, sem dúvida alguma, não outro, senão Vinícius de Morais. “Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”. Kikikikikiki. Ao que eu acrescentaria: “Ou enquanto dura”.  O amor também pode ser visto como ambição ou cobiça, culto, veneração, caridade, coisa ou pessoa de gestos temperados. Criatura prendada, pessoa bondosa, como minha amiga Alice Quinteiro.

Alice deixou a sua casa, em Sombrio, extremo sul do litoral de Santa Catarina, o casal de filhos, o marido, para ser voluntária, sem ganhar nada em Brumadinho. Por vezes sem conta a flagrei beijando crianças, abraçando senhores e senhorinhas que chegavam aos prantos em busca de uma palavra amiga. De um consolo. De um ombro, de um colo, de um “fique bem, guria. Amanhã tudo melhorará”. Entraria aqui a prova viva da caridade, do coração aberto, do corriqueiro, do “se dar sem receber”. Amor é loucura. É estar grudado no chão, na Avenida Paulista, em São Pulo, estando na Quinta Avenida em Nova York. Isto é desatino é pura loucura. Nietzsche ensinava que “sempre há um pouco de loucura no amor, porém, sempre um pouco de razão na loucura”.

[Pensando alto] De ducks and patos, ou, brasileiros perdidos em New York

Pedro Frederico Caldas

(Wrote, didn´t read, the stick ate. – tentativa de tradução: escreveu, não leu, o pau comeu)

Dentro em breve será Carnaval, tempo de esquecer as complexidades da vida, momento de chutar problemas sérios para a rabada dos trios elétricos, bem lá para o meio da “pipoca”, onde meu irmão Euvaldo se esbalda.

Começando a esquentar os tamborins, vamos para amenidades do cotidiano, vamos para estórias do dia-a-dia.

Por preliminar, diria que não é fácil aprender uma nova língua, principalmente quando a estrutura diverge de sua língua mater. Muita gente tem facilidade, a maioria, não. Contudo, uma coisa é certa: não tenha vergonha, meta os peitos, afinal a língua não passa de um meio de comunicação. Se você foi entendido, em alguma medida você fala a nova língua. Essa constatação feita agora terá relevo mais adiante. Como costumo dizer, paciência, a hora vai chegar.

Não sei por que, quase nunca comemoro meu aniversário, mas, como sempre faço nos aniversários dela, início de abril, peguei Nêga, botei debaixo do braço e viajamos para comemorar.

Dessa feita, fomos para Nova Iorque comemorar a importante efeméride, em alto estilo, que desta vida só se leva a vida que é levada.

Como filho de Castelo Novo, local nobre da orgulhosa Capitania de São Jorge dos Ilhéus, gosto de bons hotéis e restaurantes, que não introjeto no meu sagrado corpo senão comida e bebida de alguns decibéis acima do cotidiano, principalmente quando a ocasião, como o aniversário de Nêga, exige pompa e circunstância, o que não quer dizer que uma farofinha de tripa frita, um mocotó no capricho ou um sarapatel do Santu Bule, escoltados por molho de pimenta malagueta e cerveja bem gelada, não sejam comidas dignas do Olimpo e passíveis, também com pompa e circunstância, de serem concedidas como alvíssaras a esse meu requintado e exigente aparelho digestivo, que nada tem de bobo.

Um tanto encafifado, você há de me perguntar qual a relação entre nascer em Castelo Novo e frequentar bons hotéis e promover requintados rega-bofes, orvalhados por bons vinhos.

Minha resposta é breve e sincera. Por que não dar o de melhor a quem nasceu às margens do rio Almada e foi alimentado com carapeba verdadeira da Lagoa Encantada e bebeu mel de cacau, fresquinho, coletado de uma “bandeira” recém-quebrada. A propósito disso, sempre que passo pela drawbridge (ponte levadiça) que liga Sunny Isles Beach a North Miami Beach, próximo daqui de casa, leio um outdoor onde está escrito “IF YOU DON´T INDULGE YOURSELF WHO WILL?”. Para mim é um dístico instigante. Tantas vezes por lá passe, tantas vezes leio e reflito positivamente essa gostosa verdade.


Voltando aos trilhos, hei de dizer e vocês estão cansados de saber, não há nada mais americano e menos americano do que New York, a Babel do mundo. Lá se encontra de tudo, gente vinda de todos os cantos do planeta, embora por ali não esteja fincada a profunda alma americana. Quem na vida não conheceu aquela cidade nunca terá a verdadeira dimensão das palavras metrópole e cosmopolitismo.