domingo, 3 de outubro de 2021

Petistas fazem ‘emboscada’ e tentam agredir Ciro com pedaços de pau

Depois de ser vaiado durante seu discurso, pré-candidato do PDT ao Planalto quase foi agredido ao deixar a Avenida Paulista

Fábio Matos

Faltou gente na manifestação convocada pelo PT e seus satélites da esquerda no sábado 2, mas a baixa adesão não foi suficiente para arrefecer os ânimos da militância. Os petistas deram uma nova demonstração de intolerância, e desta vez uma das vítimas foi um antigo aliado: o ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

Depois de ser fortemente vaiado durante seu discurso na Avenida Paulista, em São Paulo — pela manhã, Ciro já havia participado do ato esquerdista no Rio de Janeiro —, o pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto foi vítima de uma “emboscada” armada por militantes do PT.

Quando se encaminhava para seu carro, Ciro voltou a ser hostilizado pelos manifestantes. Alguns petistas mais exaltados atiraram garrafas e pedaços de pau contra os vidros do veículo. Na sequência, depois de o pedetista deixar o local, houve uma briga entre os próprios militantes, que acabaram dispersados pela Polícia Militar (PM). Ninguém foi preso.

Ao discursar no caminhão de som, Ciro recebeu vaias e xingamentos de petistas, que entoaram o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ausente na manifestação. Depois de sofrer a tentativa de agressão, Ciro afirmou que o Brasil é maior do que o “fascismo travestido de vermelho e de verde e amarelo” e disse não ter ouvido as vaias. Segundo o ex-ministro, a ação violenta partiu de “meia dúzia de bandidos travestidos de esquerda que se acham donos da verdade”.

Prefeitura põe asfalto por cima de pedras portuguesas no Jardim do Méier

Moradores do tradicional bairro da Zona Norte protestam na internet contra asfaltamento da praça do Jardim do Méier. A prefeitura está colocando asfalto por cima das pedras portuguesas

Diário do Rio


Moradores do tradicional bairro do Méier, na Zona Norte do Rio, estão em polvorosa. A bonita praça do Jardim do Méier, que foi urbanizada em 1916, é um dos xodós do bairro. Arborizada e ampla, é uma das principais áreas de lazer do bairro, quase um parque, e fica bem na esquina das ruas Aristides Caire e Arquias Cordeiro.

A subprefeitura do Méier começou uma reforma na praça. Até aí, todos pareciam felizes. Só que um vídeo foi publicado nos grupos do Facebook em que se vê claramente que a prefeitura está asfaltando os largos caminhos de pedras portuguesas coloridas, cobrindo o bonito basalto com pistas negras de asfalto. Na foto abaixo, vê-se claramente em uso os equipamentos que executam o asfaltamento, inclusive o rolo compactador.

Frequentador do bairro, o internauta Keiv Lumiar, zombou da idéia. “O bom é que vai subir aquela “brisa leve e fresca” no Verão do Méier, quando esse pretume aí todo começar a amolecer do Sol no nível maçarico.” Antonio Carlos comentou abaixo do vídeo, logo em seguida: “Acabou a absorção da água, sem contar com o calor que vai aumentar, ignorância pura.” O assunto também está sendo abordado em grupos de patrimônio histórico, na rede social Facebook.

[As danações de Carina] Pequenas dicas para sermos felizes

Carina Bratt 

SAIBAM, MINHAS AMIGAS E LEITORAS, que a nós, mulheres, cabe, sem dúvida alguma, uma grande responsabilidade dentro do lar. Fazemos referências aquelas que se compenetram, se assenhoram e se dedicam, realmente, com os devidos esmeros aos seus deveres dentro dos papeis de esposas e mães. Enquanto seus maridos estão fora, seja no trabalho, ou com os amigos, jogando uma pelada, procurem tirar o necessário proveito e subsídio para mantê-lo em evidência e nos trilhos. Repetindo: ele quem?! O LAR!  

As mulheres devem, sem esmorecimentos, cuidar de tudo.  Muitas de nós acham que, no fim de um dia infindável, se sentirão cansadas, exaustas, querendo mais um bom sofá diante de uma tevê para esquecer todas as horas indigestas e insípidas, enervantes e fadigosas pelas quais tiveram que passar. É verdade, sem dúvida alguma. Entretanto, todas nós devemos compreender, este lado estropicioso e escuro se faz muitas vezes oriundo ou surge, do nada, originado de um estado mental que devemos curar, como a um machucado, reagindo energicamente com as próprias forças morais que existem com abundância farta dentro de nossos corpos. 

Talvez vocês, minhas amigas e leitoras, julguem que estamos sendo otimista demais.  Acreditem, não é tanto assim. Encarem, apesar dos pesares, os fatos dentro de uma realidade lógica e plena e verão que não somos tão exageradas em nossos julgamentos. É possível que algumas de vocês estejam cansadas e ‘pra baixo’, por levarem as coisas muito à sério, grosso modo, na ponta da faca. Talvez agravem ou vislumbrem os valores das situações surgidas, gastando energias naquilo que não valem a pena e poderiam ficar para um segundo momento, ou até mesmo, para depois.  

Se estiverem apenas chateadas, de saco cheio com seus trabalhos, não há dúvida que sentirão uma estafa acima do que se poderia cognominar de insuportavelmente suportável, como diria Danuza Leão. Entendam, caríssimas, ou pelo menos tentem, que não há necessidade de ficarem aborrecidas, pê da vida, querendo jogar tudo para o alto, abandonar o barco, chutar o pau da barraca. Com um pouco de esforço vocês acharão algo de interessante e aproveitável, de magnânimo e sutil em tudo o que fizerem ou que carecerá ser feito algum tempo logo à frente. 

Vamos dar dois exemplos simples, exemplos estes tirados, o primeiro, do livro ‘Experiência do lar: Como tornar sua casa um lugar de amor e paz’, de Devi Titos, em parceria com a sua filha Trina Titus Lozano, com a magnífica tradução de Susana Klassem. Os autores, sustentam que ‘o lar é onde o coração se forma’. E corroboram: ‘tenha calma. Adicione beleza e valor à tudo o que fizer para que a sua casa se torne um lugar de amor e paz’. 

Onde fica?

Foto: JP, 20 de abril de 2013

[Antigamente] Definitivos


Estes cigarros vinham em maços de 24, sem filtro. Quando voava para Lisboa comprava sempre dois pacotes.

Aí, nas incursões (ou excursões) noturnas cariocas, entre a Biblos, na Lagoa, e a People, na Bartolomeu Mitre, quando eu puxava um “Definitivos”, os olhos da galera ao redor se ampliavam. Uma vez, na Biblos, um cara elogiou a minha "coragem".

Porque o “Definitivos” parecia um cigarro... de maconha!

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O que é (foi) isto?
O desenho da casinha
Opala SS 4... 
Conga e Kichute

sábado, 2 de outubro de 2021

Os brasileiros saíram da caverna

Aqueles que vivem na ignorância resistem à verdade. Mas não tem jeito, muita gente já descobriu que as sombras refletidas na parede não eram reais

Ana Paula Henkel

Desde o começo de 2020, quando a pandemia assustou o mundo, uma nova rotina de viagens e protocolos draconianos foram instaurados, e eu não consegui mais ir ao Brasil. Depois de quase dois anos sem pisar na terra que habita o meu coração, finalmente pude passar três semanas entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além de uma rápida ida a Brasília. E que três semanas!

Logo nos primeiros dias, participei da edição brasileira do CPAC (Conservative Political Action Conference) em Brasília. O CPAC nos Estados Unidos, agora levando suas franquias por vários países do mundo, é uma conferência política anual com a presença de ativistas conservadores, políticos de todo os Estados Unidos e de outros lugares, e é organizado pela American Conservative Union (ACU). Fundado em 1974, o CPAC tem servido como um barômetro para o movimento conservador norte-americano — e agora mundial. Ronald Reagan, o 40º presidente norte-americano, discursou na cerimônia de estreia e, com 13 aparições, foi o presidente que mais participou do evento.

Já em Brasília, percebi que alguma coisa está transformando o brasileiro em um apaixonado por política. Política mesmo, com todo o pacote histórico global. Talvez a eleição de 2018 tenha contribuído com essa percepção, mas creio que há algo maior nesse “despertar”. Percebi que não havia uma idade média dos participantes nesta edição do CPAC, e isso foi muito marcante para mim. Tive a chance de bater bons papos com pessoas de 15, 20, 40 e até 75 anos! Adolescentes contando que haviam feito trabalhos na escola sobre o legado de Reagan, Winston Churchill, Margaret Thatcher e até sobre o brilhante pensador contemporâneo Thomas Sowell. Nem em meus mais profundos sonhos imaginei estar discutindo Reagan, que aprendi a admirar ouvindo histórias com o meu pai, com adolescentes no Brasil. Em Brasília, discutimos liberdade, responsabilidade, Constituição, perseverança para mudar os ares políticos no Brasil e planos, muitos planos. Saí da capital federal com o coração transbordando esperança e caí no histórico 7 de Setembro de 2021 na Avenida Paulista.

Ainda tento encontrar palavras para descrever o que vi e senti naquele dia. Como todos sabem, não foi um 7 de Setembro comum. Havia muito em jogo. Havia uma mensagem a ser entregue. Havia uma ferramenta de freios e contrapesos em nossa Constituição para ser usada entre os Poderes da República que foi ignorada. E há o povo, com seu poder supremo. E que povo! Quarteirões e quarteirões de povo. Não, não li na outrora relevante imprensa sobre o evento com “pouco mais de 100 mil pessoas”. Eu estava lá. E andei… e andei… e andei por muitos quarteirões lotados de gente de todas as idades até conseguir entrar na Avenida Paulista. As ruas pareciam o auditório do CPAC em Brasília elevado a sei lá que potência. Muita gente pequena, gente grande, gente jovem e idosos, negros, brancos, gays, héteros, pobres e ricos. Todos de verde e amarelo. Nunca havia visto nada igual.

O cavalheiro do liberalismo

Ludwig von Mises foi o maior expoente da Escola Austríaca e era intransigente com qualquer tipo de intervencionismo estatal

Rodrigo Constantino

Nesta semana foi celebrado o 140º aniversário de Ludwig von Mises, conhecido como “o último cavalheiro do liberalismo”. O economista foi o maior expoente da Escola Austríaca e era intransigente com qualquer tipo de intervencionismo estatal. Numa reunião da Mont Pelerin Society, chegou a lamentar que todos ali presentes fossem “socialistas”. Graças ao esforço de entidades como o Instituto Mises, seu nome se torna cada vez mais conhecido no Brasil, a ponto de vermos faixas em passeatas patriotas pedindo mais Mises e menos Marx.

Ludwig von Mises era filho de engenheiro ferroviário. Nascido em Lemberg, em 1881, à época território do Império Austro-Húngaro, sua família tinha origem judaica e título de nobreza, concedido pouco antes de seu nascimento pelo imperador Francisco José I. Entre 1909 e 1934, foi o principal conselheiro econômico do governo austríaco na Câmara de Comércio de Viena, onde afirmava que sua função era “dizer o que os políticos não poderiam fazer”. Nesse ínterim, também lecionou na Universidade de Viena.

Quando os nazistas avançavam pela França em 1940, Mises e sua esposa tiveram de fugir para os Estados Unidos. Sua casa em Viena foi saqueada pelos comandados de Adolf Hitler, que pilharam livros, documentos e seus ativos. O Reich Alemão o considerava “um arqui-inimigo do nacional-socialismo e de qualquer outro tipo de socialismo”. Após o final da guerra, descobriu-se que a Gestapo detinha 10 mil documentos de Mises, liberados apenas após o fim da União Soviética.

Ao chegar aos Estados Unidos, Mises deparou com a fama de um economista cujas teorias eram bem diferentes das suas. Tratava-se de John M. Keynes, que acabou popularizando a macroeconomia e defendendo um ativismo estatal que Mises e seu colega austríaco Hayek consideravam bastante prejudiciais à economia, especialmente aos mais pobres. Ambos publicaram diversos livros refutando essas teorias e embasando uma defesa filosófica e econômica do liberalismo.

Mises foi um defensor ferrenho da liberdade individual. Ele acreditava que o liberalismo tinha de triunfar por meio do poder das ideias, da persuasão com base em sólidos argumentos. Somente pelas vias democráticas o liberalismo poderia vencer seus inimigos no longo prazo. Mises sempre soube das inúmeras imperfeições da democracia, que não é exatamente louvável por sua capacidade de boas escolhas, mas ainda assim defendeu com unhas e dentes o modelo democrático. O principal motivo era semelhante ao que Karl Popper tinha em mente: a democracia é a forma mais pacífica que conhecemos para eliminar erros e trocar governantes, sem derramamento de sangue.

Popper resumiu bem a questão quando disse que “não somos democratas porque a maioria sempre está certa, mas porque as instituições democráticas, se estão enraizadas em tradições democráticas, são de longe as menos nocivas que conhecemos”. Mises estava de acordo, e defendeu a democracia em diversos livros. Em Liberalismo, por exemplo, ele escreveu: “A democracia é aquela forma de constituição política que torna possível a adaptação do governo aos anseios dos governados sem lutas violentas”. Para Mises, que depositava enorme relevância no poder das ideias, somente a democracia poderia garantir a paz no longo prazo.

Um liberal seguidor de Mises irá sempre lutar pelas vias democráticas

Em sua obra-prima, Ação Humana, Mises reforça essa visão em prol da democracia: “Por causa da paz doméstica, o liberalismo visa a um governo democrático. Democracia não é, portanto, uma instituição revolucionária. Pelo contrário, ela é o próprio meio para evitar revoluções e guerras civis. Ela fornece um método para o ajuste pacífico do governo à vontade da maioria. […] Se a maioria da nação está comprometida com princípios frágeis e prefere candidatos sem valor, não há outro remédio além de tentar mudar sua mente, expondo princípios mais razoáveis e recomendando homens melhores. Uma minoria nunca vai ganhar um sucesso duradouro por outros meios”.

A insolência dos farsantes

Os comandantes da CPI tentam provar que quem morreu de covid foi assassinado por um genocida

Augusto Nunes

Montagem com Imagens Shutterstock

A trinca faria bonito num filme sobre a máfia. Omar Aziz seria o chefão da famiglia, recomendam a expressão arrogante, a arroba que sobra na silhueta e os ternos mal-ajambrados que procuram escondê-la. Os óculos de primeiro da classe sugerem que Renan Calheiros iria bem como advogado e conselheiro do bando — mesmo que pareça nascido para interpretar um cangaceiro fashion, avisam os cabelos alisados à força e o implante que tenta inutilmente socorrer a cobertura capilar em retirada. Randolfe Rodrigues brilharia no papel do filho do chefão sem chances de tornar-se herdeiro: ordens emitidas com voz de castrato, ainda mais se reforçadas por chiliques e faniquitos, não são cumpridas sequer por sabujos capazes de passar a vida ajoelhados no altar do líder ladrão.

Para aflição do Brasil sensato, os três canastrões — todos especializados em cenas de cafajestagem explícita — são senadores do País do Carnaval, estão satisfeitos com a vida mansa no Congresso e, no momento, atuam em tempo integral na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid. Presidente, Omar Aziz tem a cumplicidade majoritária de cinco dos 11 pais-da-pátria titulares. Relator, Renan Calheiros abriu os trabalhos com as conclusões já concluídas — e o parecer todo pronto, provavelmente encadernado. Vice-presidente, Randolfe Rodrigues é um esforçado ajudante de ordens dos generais de cordão carnavalesco. Em perfeita sintonia, o trio luta para provar que, diferentemente do que ocorreu no restante do planeta, não foi a pandemia de coronavírus que encurtou quase 600 mil vidas. Foram quatro surtos da variante JB.

Nessa linha de raciocínio, o primeiro surto obrigou cada nativo a engolir diariamente um barril de cloroquina. O segundo proibiu o uso de máscaras. O terceiro transformou a compra de vacinas em ameaça à soberania nacional. O quarto botou na cabeça dos nativos que é melhor morrer numa aglomeração provocada por Bolsonaro do que passar dos 90 anos sem beijos no rosto, abraços e apertos de mão. O Alto Comando da CPI tem reiterado nas últimas semanas que a luta continua. Aziz, Renan e Randolfe seguem à caça da prova definitiva de que só no Brasil o vírus chinês pôde dispensar-se de matar os que morreram. O presidente genocida fez o serviço por ele.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Três farsantes insolentes às voltas com uma missão impossível — eis aí uma fórmula que decididamente não pode funcionar. Adicione-se a aproximação das eleições, a afobação dos candidatos a candidato da terceira via, a angústia dos que pretendem mais um mandato, a transmissão ao vivo das sessões por emissoras de TV e redes sociais, a polarização política, a nenhuma simpatia dos oradores pela língua portuguesa — e pronto: só podia dar no que deu. Pelo que fez e deixou de fazer, a CPI da Covid já assegurou um asterisco no capítulo brasileiro da história universal da infâmia. Nele será lembrado, por exemplo, que os filhotes degenerados do Inspetor Clouseau excluíram das investigações a roubalheira bilionária promovida por governos estaduais. Também se registrará que foi criada uma versão parlamentar para o velho “Você sabe com quem está falando?”, interrogação que escancara a arrogância de quem se julga condenado à perpétua impunidade. “Me respeite, sou um senador da República!”, exclamam agora os integrantes da CPI quando algum depoente diz ou faz qualquer coisa que a eles desagrade.

O problema se chama Bolsonaro

É possível que o presidente tenha mais voto que os adversários — mas os seus inimigos políticos já decidiram que ele não pode ganhar  

J. R. Guzzo

Eis aí: o governo Bolsonaro acaba de completar três anos e começa a entrar na sua reta final. Tanto se fala desse governo, mas tanto, que até parece, às vezes, que o Brasil nunca teve outro. Mas teve, com toda a certeza, e vai ter outros ainda — o próximo, por sinal, já daqui a um ano, com as eleições presidenciais de 2022. Está nisso, a propósito, o começo, o meio e o fim de toda a discussão política do Brasil neste momento. Falam, falam, falam, mas a questão é essa; não adianta fingir que não é. Quem vai ganhar o raio da eleição? Jair Bolsonaro vai continuar presidente por mais quatro anos, até 2026?

Foto: Anderson Riedel/PR

Em condições normais de temperatura e pressão, uma eleição a mais não deveria ser dificuldade nenhuma. Afinal, é assim que o país vem escolhendo os seus presidentes, com eleições livres e diretas, desde 1989 — quando chegou à conclusão de que o homem certo para o cargo era Fernando Collor. Mas as condições de temperatura e pressão não são normais neste momento; na verdade, são tudo, menos normais. O motivo dessa desordem é um só: uma parte do mundo político do Brasil, justamente a parte que faz mais barulho, não aceita, simplesmente não aceita a ideia de que Bolsonaro possa ser reeleito. E a democracia? É o diabo. Democracia tem esse grande inconveniente: ganha quem tiver mais voto. É possível que Bolsonaro, se for mesmo candidato, tenha mais voto que os adversários — e os seus inimigos políticos já decidiram que ele não pode ganhar. Como é que fica, então? Ainda não está claro como vão resolver essa charada.

Bolsonaro não é visto por seus inimigos como um competidor, mas como um mal que não pode ser permitido

Bolsonaro deveria ganhar ou perder de acordo com os resultados concretos que o seu governo conseguiu durante os três anos que acaba de completar no Palácio do Planalto. Nada mais simples, não é mesmo? De duas uma. Ou o governo foi bom ou o governo foi ruim, na opinião dos brasileiros que vão votar em outubro de 2022; também é possível que não tenha sido nem uma coisa nem outra. Muito bem. Se os eleitores acharam que Bolsonaro fez um bom governo, eles vão votar nele outra vez; se acharam que fez um mau governo, vão votar nos adversários. Se não acharem bom nem ruim, a decisão vai depender do grau de entusiasmo que os outros candidatos conseguirem despertar na população. É assim que deveria ser, se houvesse de fato uma democracia no Brasil; mas não é assim que está sendo. Bolsonaro não é visto por seus inimigos como um competidor, numa disputa que será decidida pelo povo. É visto como um mal que não pode ser permitido. “O país não aguenta” – esse é argumento final que se usa contra ele. A Constituição não diz nada a respeito disso — se o país aguenta ou não aguenta. Mas a frase virou um salmo das Santas Escrituras da esquerda, do “centro liberal” e das suas vizinhanças.

O Brasil dos institutos de pesquisas foi às ruas

Atos contra Bolsonaro fracassam mais uma vez e deixam um recado: com ou sem Lula, a bandeira do atraso é pesada demais

Oeste


Manifestantes voltaram às ruas neste sábado, 2, em protesto contra o governo de Jair Bolsonaro. Foram registrados atos em algumas capitais do país, como no Rio de Janeiro pela manhã, em Salvador e Recife. Em São Paulo, onde foi contratado um carro de som próximo ao Masp para recepcionar o público, a passeata teve como atração a presença de Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL) e Fernando Haddad (PT). Faixas foram estendidas nas pistas pedindo o impeachment do presidente. A principal crítica foi a alta de preços de gêneros alimentícios e, especialmente, do botijão de gás.

Uma premissa irrevogável do jornalismo é não brigar com os fatos. Diferentemente de alguns sites e emissoras de TV que fizeram ginástica para tentar manter aquecida a cobertura de uma manifestação sem gente e convocaram especialistas para dobrar a aposta, a Oeste optou pelas imagens aéreas da Polícia Militar de São Paulo.

Neste sábado, dois helicópteros “Águia” se revezaram no monitoramento, junto com uma inovação que a polícia tem testado com eficácia: drones — hoje foram cinco. A PM colocou mil homens nas cercanias da Paulista, no Centro e nas revistas nas catracas das estações do Metrô, além de 150 viaturas e 60 cavalos. Veja abaixo. 

Trump vai à Justiça pela retomada de sua conta no Twitter

Ex-presidente alega que a empresa foi coagida por integrantes do Congresso dos EUA para que o perfil fosse suspenso da rede

Fábio Matos

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump recorreu a um juiz federal na Flórida para que sua conta oficial no Twitter seja restaurada. Alegando suposta incitação a atos de violência por parte do republicano, a plataforma baniu o perfil de suas redes em janeiro deste ano.

O pedido de liminar foi apresentado na sexta-feira 1º pelos advogados de Trump em um tribunal distrital. O ex-presidente alega que a empresa foi coagida por integrantes do Congresso dos EUA para que a conta fosse suspensa.
O Twitter e outras plataformas de mídia social baniram Trump depois do episódio da invasão ao Capitólio, no dia 6 de janeiro, por simpatizantes do ex-presidente norte-americano. Segundo as big techs, o republicano incitou a multidão a causar o tumulto no prédio do Congresso.

De acordo com a defesa de Trump, o Twitter “exerce um grau de poder e controle sobre o discurso político neste país que é incomensurável, historicamente sem precedentes e profundamente perigoso para abrir o debate democrático”.

Título e Texto: Fábio Matos, revista OESTE, 2-10-2021, 12h40

Mascarada institucional

Henrique Pereira dos Santos

É raro escrever sobre máscaras, vacinas, remédios, testes e coisas que tais.

A razão é simples: são assuntos técnicos demais para o que eu sei, de maneira que as minhas opiniões são irrelevantes (nos outros assuntos, provavelmente, também, mas o que conta, para eu decidir escrever alguma coisa, não é as coisas serem assim ou assado, mas eu achar que são assim ou assado e nos assuntos que listei eu não acho grande coisa).

Este post também não é sobre máscaras, mas sobre as instituições que decidem sobre as máscaras.


Deixemos de lado o argumento dos que estão contra a ciência e outros argumentos de autoridade semelhantes e olhemos para a situação atual.

Neste momento não é obrigatório usar máscaras numa discoteca, mas é num estádio de futebol ao ar livre, num cinema ou numa sala de aula. Da mesma forma, não é obrigatório usar máscara enquanto se faz exercício num ginásio, mas é enquanto se circula no ginásio.

Como é evidente, estas diferenças não se devem a qualquer ciência sobre a eficácia das máscaras, mas à mera ponderação de fatores sociais e econômicos das decisões tomadas, como aliás deveria ter sido claro para todos, desde o princípio.

Usar ou não máscara não é um sinal de amor ou desamor pela ciência, é o resultado de uma ponderação de fatores que todos fazemos a propósito de tudo, todos os dias, incluindo a percepção que cada um de nós tem sobre o que dizem diferentes fontes de informação científica sobre o uso de máscaras no controlo de infecções respiratórias muito contagiosas.

A ciência não diz nada sobre assunto nenhum, a ciência é o que em cada momento resulta da interpretação do conjunto de fontes de informação que usam o método científico para tentar responder às perguntas e angústias dos diferentes investigadores.

Quem explicou a razão pela qual não é obrigatório o uso de máscaras numa discoteca foi António Costa, cuja classificação como cientista só poderia ser manifestamente irónica, e explicou-o racional e ponderadamente: seria uma decisão tão evidentemente inútil que mais valia não a tomar.

O custo político está na decisão de abrir as discotecas, e, portanto, não obrigar a usar máscara é politicamente irrelevante e sempre se dá um rebuçado ao pessoal que vai para a noite, que ainda são uns milhares de votos.

[Versos de través] Num leque

Auta de Souza

Na gaze loura deste leque adeja
Não sei que amora místico e encantado...
Doce morena! Abençoado seja
O doce aroma de teu leque amado

Quando o entreabres, a sorrir, na Igreja, 
O templo inteiro fica embalsamado... 
Até minh'alma carinhosa o beija, 
Como a toalha de um altar sagrado.

E enquanto o aroma inebriante voa, 
Unido aos hinos que, no coro, entoa 
A voz de um órgão soluçando dores,

Só me parece que o choroso canto 
Sobe da gaze de teu leque santo, 
Cheio de luz e de perfume e flores!


Título e Texto: Auta de Souza

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sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Pavilhão brasileiro na Expo 2020 oferece refresco ao calor de Dubai

Brasil está entre os 190 países que expõem na feira internacional

Vitor Abdala

Composto por um imenso espelho d'água sob uma estrutura de aço e lona branca, com música e sons da natureza, o Pavilhão do Brasil na Expo 2020 ofereceu refresco para quem buscava refúgio ao calor impiedoso de Dubai. 

Centenas de pessoas tiraram seus calçados e entraram no imenso lago, com profundidade suficiente apenas para molhar a parte baixa da canela. 

Alguns arregaçaram as bainhas de suas calças e vestidos. Outros, nem isso: encararam a água e saíram, satisfeitas, com as roupas molhadas. 

Como um Piscinão de Ramos no meio da aridez da Expo 2020, o lago brasileiro em Dubai é democrático. Aceita de crianças - que pulam, correm e até mergulham - a adultos com as sisudas vestimentas árabes. 

"Achei o pavilhão muito animado. E, nesse calor, colocar o pé na água é muito refrescante", contou a brasileira Marlene Delaquis, que viajou com o marido suíço para Dubai especialmente para o evento. 

Cheios de ideias

Manuel Rezende

Estávamos eu e a minha noiva em contemplação televisiva quando começou a dar o programa do Júdice [foto]. Já foi aqui há uns tempos atrás, já agora.

Começou o vetusto senhor a derramar sobre nós as suas habituais asneiradas quando aconteceu uma coisa muito engraçada.

A jornalista que o entrevistava, a Clara de Sousa, sentindo-se particularmente investida nos assuntos que o respeitável comentador comentava, decidiu interromper aqui e ali a oratória do dito com as suas próprias pontilhadas. O Júdice, que não gosta nada dessas coisas, irritado exlamou:

“A menina hoje está cheia de ideias!”

Nunca ninguém mencionou isto, nem nas redes sociais nem nos canais de tv. Eu achei brilhante. Aliás, desde 1978 que o Júdice não dizia nada tão interessante mesmo. Ponto.

De tal maneira que agora, lá em casa e na vida, sempre que alguém se põe com invenções, lá me sai uma citação do Júdice:

“A menina hoje está cheia de ideias!”

Nunca falha.

Título e Texto: Manuel Rezende, o Diabo, nº 2335, 1-10-2021 
Digitação: JP

Putz! Já começaram!

Anteontem, quarta-feira, 29 de setembro, apus este comentário na coluna de Mário Florentino, [Observatório de Benfica] A grande vitória de Lisboa:

No dia seguinte à posse de Carlos Moedas, este será rotulado de "reacionário", "fascista", "machista" e "ista" e "aquila".

A agência Lusa, a Ana Lourenço (não sei qual o canal atual da moça), TODOS os telejornais, "aqueles" jornais, particularmente o do irmão e aquele que teve de vender o prédio que tinha em Lisboa, mostrarão DIARIAMENTE aos portugueses e ao mundo como Lisboa está pobre, suja, violenta e gosmenta... tudo por responsabilidade de Carlos Moedas.

Inté! 

Errei! Eles não esperaram!

Criaram o crime de opinião no Brasil


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Declaração do jornalista foi proferida durante o programa Os Pingos nos Is, da rádio Jovem Pan, exibido nesta quinta-feira, 30

Edilson Salgueiro

O jornalista Alexandre Garcia concedeu entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da rádio Jovem Pan, exibido nesta quinta-feira, 30. Durante a conversa, o ex-diretor de jornalismo da TV Globo em Brasília falou sobre CPI da Covid, fake news, liberdade de opinião, corrupção intelectual no jornalismo, dominação ideológica e mil dias de governo do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Fake news

“Precisamos saber o que é notícia falsa, antes de mais nada”, disse Garcia. “Opinião não é notícia falsa, porque não contraria os fatos. A liberdade de expressão está prevista na Constituição Federal, no Artigo 5º e no Artigo 220. Trata-se de uma garantia do Estado Democrático de Direito. Essa garantia não existia apenas na União Soviética, não existe em Cuba, na Venezuela e nos demais países com regimes totalitários.”

Segundo o jornalista, as fake news são parte de uma narrativa para rotular as pessoas que contrariam pensamentos dogmáticos. “O totalitarismo funciona apenas com pensamento único”, observou. “Infelizmente, é isso que estamos vivendo agora. Em 50 anos de jornalismo mais 80 anos de vida, nunca vi uma situação como essa, em que se estabelece o que é falso e o que não é. Quem faz isso é um personagem de George Orwell, do livro 1984.”

Liberdade de expressão

Garcia argumenta que a ofensiva contra a liberdade de expressão é praticada por profissionais que deixaram de captar verbas públicas. “Alguns perderam a oportunidade de receber dinheiro fácil do governo federal por meio da Lei Rouanet, do BNDES, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, da Petrobras e das empreiteiras”, disse. “Isso cessou. Há mil dias de abstinência, e essa abstinência faz roncar o estômago e as bocas. É desespero.”

O ‘crime’ de Luciano Hang

O empresário tornou-se alvo da CPI da Covid apenas por ser admirador eloquente de Jair Bolsonaro

J. R. Guzzo

De depravação em depravação, num surto extremado e contínuo de agressões às normas mais elementares da atividade parlamentar, o relator e o presidente da CPI da Covid, mais o grupo de senadores que agem a seu serviço, construíram nos últimos meses um desastre — um insulto, na verdade, à população brasileira que paga seus salários e privilégios, e o mais deprimente episódio de desmoralização da história recente do Senado Federal.

Foto: Mateus Bonomi/Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

Como esperar qualquer seriedade da ação política no Brasil depois da exibição pública, repetida e cada vez mais grosseira de atos de banditismo — contra as testemunhas, contra os inimigos e principalmente contra os fatos — por parte dos responsáveis pela CPI? Pior: esses acessos de delinquência serial foram praticados com o objetivo específico de atacar o governo diante da mídia. Tiveram o apoio militante da maioria dos veículos de comunicação. A CPI foi montada para agredir o presidente da República e seu governo — e se alguma coisa é “contra o Bolsonaro”, o apoio dos jornalistas é automático e absoluto, sem questionamento algum.

Pensava-se, já há tempo, que a CPI do senador do Amazonas e do senador de Alagoas, mais seus coadjuvantes, tinha chegado ao fundo do poço em matéria de sordidez explícita. Mas os fatos mostram que o fundo do poço, quando se trata desta abjeção, ainda é muito mais embaixo — e só deve ser atingido, mesmo, quando a CPI fizer sua última sessão. É como diz o velho provérbio: não há limite para o pior.

Enquanto isso, na França, de Macron...

JEAN CASTEX ANNONCE "UN BOUCLIER TARIFAIRE" POUR LIMITER LA HAUSSE DES PRIX DU GAZ ET DE L'ÉLECTRICITÉ

Paul Louis avec AFP

Le 30/09/2021 à 20:20

Invité du journal télévisé de TF1 ce jeudi soir, le Premier ministre a annoncé le blocage des prix du gaz jusqu'à la fin de l'hiver. Tandis que la hausse des tarifs de l'électricité qui devait avoir lieu en février prochain sera plafonnée à 4%.


Le gouvernement prend des mesures pour faire baisser la facture des Français et éviter la crise énergétique. Alors que les tarifs réglementés du gaz vont augmenter de 12,6% ce vendredi en raison d'une flambée des prix de l'énergie sur les marchés mondiaux, Jean Castex a annoncé la mise en place d'un "véritable bouclier tarifaire".

Cela passera en premier lieu par un blocage de prix du gaz qui ne dépasseront pas ceux d'octobre 2021 durant toute la durée de l'hiver. "Il n'y aura plus d'augmentation du prix du gaz", a assuré le Premier ministre ce jeudi sur TF1, en fixant l'échéance à avril, horizon à partir duquel "le prix du gaz devrait dégringoler".

BFMTV

[Aparecido rasga o verbo] Pivô

Aparecido Raimundo de Souza 

RODRIGO COMPLETARIA
seis anos de casado. Para comemorar o evento, programou uma festinha íntima: só parentes e amigos mais chegados. O encontro aconteceria no domingo, na casa dos sogros, os
  pais de Laura, a esposa, com quem tinha dois filhos: Thiago, o caçula, de três anos, e Luciana, de cinco. Durante a semana, a dupla ficou por conta dos preparativos. Carne para o churrasco, carvão, bebidas, convites, refrigerantes, além dos docinhos e salgadinhos, o que seria servido no almoço, na sobremesa... enfim, tudo precisava estar nos conformes, nos mínimos detalhes. E, assim, foram vistos, revistos e repassados, cada etapa, para dar certo e a comemoração se tornar inesquecível e marcar o momento, para sempre. E, de fato, marcou.

De fato, no domingo, a casa se apinhou de encômios e júbilos exultantes. Tinha gente saindo pelo ladrão. O Rodrigo e a Laura não contavam com um número tão expressivo de amigos e amigas que pintaram, de última hora, tanto da sua parte como das relações da esposa. Até um tio que residia nos cafundós do interior de Minas Gerais resolveu dar os ares da graça, trazendo, a tiracolo, a família. Telefonou confirmando a presença. Não deu para trás. Viajou mais de oito horas e chegou logo depois das cinco da tarde. Quando a buzina do seu carro soou forte e, em seguida a campainha, Rodrigo pediu licença à turba animada e se dirigiu à porta principal para receber os ilustres convidados.
— Tio Léo, quanto tempo?
Em meio a desenfreada aglomeração dos tresloucados, tio e sobrinho trocaram fortes e fraternos abraços.
— Espera ai, cadê a tia?

— Ficou para traz tirando os seus presentes do carro.
— Presentes, tio?
— Claro, trouxemos três. O nosso e o de sua prima Keylla. Acaso você se esqueceu dela?
— Meu Deus, tio, faz tanto tempo que não nos vemos...
— Exatamente meu caro sobrinho. Dezoito anos. Na derradeira vez, a Keylla contava apenas doze e, você, quinze!
Mal acabara de pronunciar estas palavras, surgiu, na varanda, à tia Helena, cheia de bolsas e, atrás dela, Keylla, a prima.
Rodrigo se abriu num sorriso grandioso e correu para saudar a velha tia.
— Tia Helena! Que prazer em revê-la.

— Você continua um gato. Aliás mais bonito até que da última vez em que te dei a benção. Lembra da Keylla?
Rodrigo então desviou os olhos para a prima. Neste momento o céu desabou sobre a sua cabeça. Literalmente. Ele se deparou com uma figura fascinante e inimitável. Uma menina ingênua que se tornou mais bela, à medida em que os seus pensamentos e lembranças iam despindo cada centímetro do seu corpo escultural. Rodrigo pensou, de repente, estar diante de uma fada madrinha, caída de algum lugar do espaço. Nossa! Aquele mulherão que estava ali, bem diante do seu nariz, carregava uma formosura estonteante. Keylla, a prima distante, agora aos trinta, destoava de tudo o que estava acostumado a ver em reuniões daquela natureza. A moça, por seu turno, parecia, na verdade, um diamante brilhando entre cascalhos e pedregulhos.

[Foco no fosso] Susto global

Haroldo Barboza

Cada leitor determinará em que categoria este relato se enquadra. Tais como:
a) Suspeita não descartável;
b) teoria conspiratória;
c) roteiro de filme de ficção;
d) falta de assunto mais útil.

Nosso planeta é gerenciado por algumas famílias (talvez 300) que supostamente se reúnem anualmente, secretamente, sob o rótulo “bilderberg” para analisar os rumos que os habitantes devem seguir para manutenção da espécie sem destruir o planeta totalmente (e a própria população).

Certamente (seja lá qual for o nome do grupo) sabem qual o limite máximo de habitantes que o planeta suporta sem reduzir os recursos naturais a níveis irrecuperáveis. Ouso dizer que o limite deve estar perto de 10 BILHÕES. Mas é adequado deixar uma “folga” de 10% pelo menos.

Como países incivilizados (mais de 75%) não adotam as medidas naturais para controle de natalidade, os gestores são obrigados a agir de forma mais pesada. As táticas de promover guerras pontuais já não produzem resultados adequados em virtude de não ser mais preciso uso de pelotões de soldados para sucumbirem em terrenos inóspitos. Além do que, tal formato custa caro e deixa os parentes sobreviventes “deprimidos”, comprometendo a produtividade geral de artefatos “recicláveis”.

A situação atual que acena um crescimento populacional perigoso nos próximos 50 anos, pede medidas mais abrangentes. Que causem menor “depressão”, que são mais profundas diante de imagens de prédios derrubados com centenas de corpos dilacerados.

Uma primeira ideia não descartável é a disseminação de alguma “doença” global, mesmo com risco de atingir alguns entes próximos que não se protegeram de forma correta. Os resultados são positivos, porém tímidos. Talvez morram 5 milhões de reprodutores em 1 ano. É um valor baixo e ainda cria o clima de “tristeza” naturalmente oriundo da perda de pessoas que de alguma forma criaram boa imagem dentro de sua comunidade.