segunda-feira, 27 de setembro de 2021

[Observatório de Benfica] A grande vitória de Lisboa

Mário Florentino

Carlos Moedas, contra tudo e contra todos, ganhou a Câmara Municipal de Lisboa. Ao início da noite, as projeções das empresas de sondagens adivinhavam um empate. Foi uma longa noite de espera, até que se confirmou a vitória do ex-comissário europeu. Está de parabéns pela coragem de ter avançado - deixando um cargo de prestígio na Fundação Gulbenkian - e lançar-se numa luta que sabia difícil. E pela excelente campanha que fez, no seu estilo sóbrio e moderado, sem ceder a populismos nem levantar a voz.

Medina é o grande derrotado da noite. Contando com uma vitória folgada, suportado pelas sondagens e por uma comunicação social amiga, apareceu nos debates com a arrogância e prepotência habituais. Os eleitores não lhe perdoaram. Com o desconfinamento, o caos voltou ao trânsito da cidade, agravado pelas ciclovias, em regra vazias.

Medina é natural do Porto e nunca entenderá a capital. A ciclovia da Almirante Reis terá sido um tiro no pé fatal. E a recente polémica com Margarida Martins - a presidente da Junta que utiliza o poder para proveito pessoal de forma descarada - terá ditado a sentença fatal.

António Costa é o outro grande derrotado da noite, por mais números e percentagens que venha agora debitar para tentar esconder o desaire. Não precisava, mas quis “nacionalizar” a campanha, percorrendo o país de lés-a-lés a prometer os milhões de Bruxelas, dando a entender que a "bazuca" só chegaria às câmaras do PS. O povo pode estar distraído, mas não é burro, e sabe que as coisas não são assim. Depois de quase meio século nestas andanças do voto, não se deixou enganar com tanta facilidade.

“Socialismo ou liberdade” foi o slogan com que Isabel Ayuso (do PP espanhol) ganhou a Câmara de Madrid. Moedas não precisou de usar esse mesmo slogan para ganhar, mas foi isso mesmo que esteve em causa em Lisboa. Os madrilenos já sentem o efeito dessa libertação do socialismo estatizante e asfixiante, com impostos mais baixos e crescimento econômico em alta. Em breve, nós, lisboetas, poderemos dizer o mesmo.

26 de setembro de 2021 foi um grande dia para Lisboa, para a democracia e para a liberdade. Esperemos que seja também o início de uma mudança política a nível nacional. Para isso será agora preciso afastar Rui Rio da liderança do PSD. Não será fácil, mas esse dia chegará.

Fica BEM

Os gatos têm sete vidas, mas Santana Lopes tem mais. Depois de ter sido presidente da Câmara em Lisboa (numa eleição que também ganhou ao PS, contra tudo e contra todos), de ter sido PM, de ter saído do PSD para fundar outro partido (o Aliança) que não vingou, volta a ganhar a Câmara da Figueira da Foz, onde já foi feliz. Mostra como em política nunca há mortes definitivas. Churchill também já o tinha demonstrado.

Fica MAL

Rui Tavares voltou a apostar todas as fichas na pessoa errada. Já tinha acontecido com a infeliz deputada Katar Moreira, que, pouco depois de eleita, o mandou "dar uma volta". Agora foi a aliança fracassada com Medina. Parece que este partido não acerta uma. Talvez fosse melhor mudar de nome. Em vez de Livre, será mais "Preso". Preso nas escolhas erradas do seu líder.

Benfica, 27 de setembro de 2021

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6 comentários:

  1. Julgo que associar (ou creditar) a vitória de Carlos Moedas ao atual Secretário-geral do PSD, Rui Rio, é má-intenção.
    Aliás, e a propósito, Mário lembra bem a tentativa de "nacionalização" desta campanha por parte de António Costa, recusada pelos eleitores locais.

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  2. No dia seguinte à posse de Carlos Moedas, este será rotulado de "reacionário", "fascista", "machista" e ista e aquila.
    A agência Lusa, a Ana Lourenço (não sei qual o canal atual da moça), TODOS os telejornais, "aqueles" jornais, particularmente o do irmão e aquele que teve de vender o prédio que tinha em Lisboa, mostrarão DIARIAMENTE aos portugueses e ao mundo como Lisboa está pobre, suja, violenta e gosmenta... tudo por responsabilidade de Carlos Moedas.
    Inté!

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    1. Ah! Se eu votasse em Lisboa meu voto não seria em Moedas.

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  3. Uns assim, outros assado

    Claro que se Moedas tivesse perdido e dissesse que não iria ser vereador, a imprensa não se cansaria de fazer notar a traição ao eleitorado que o tinha eleito vereador para representar os seus interesses.

    Claro também que o caso de Medina é diferente, não vai assumir o lugar para que foi eleito para não prejudicar o presidente eleito, Moedas, como diz a imprensa especializada no jornalismo de agenda.
    Henrique Pereira dos Santos, Corta-fitas, em 13.10.21

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  4. Carta aberta ao incompetente do Carlos Moedas
    Não estou na política há muito tempo, mas quero admitir que esse pouco que estou foi suficiente para ficar exausto deste mundo: afinal, nos últimos anos testemunhei o meu país, ano após ano, eleição após eleição, a afundar-se num esgoto a céu aberto que é o aparelho socialista, feito de perigosos narcisistas sem estratégia para além a da própria perpetuação no poder.
    Desde que aqui estou, vejo o meu país mergulhado em impostos sem crise ou Estado eficaz que os justifique, encharcado em escândalos, mentiras, ministros indestrutíveis, incompetência, desumanidade, nepotismo e um quase literal enterro de milhares de milhões de euros em negociatas parvas. Desde que aqui estou, vejo os mesmos que até 2011 ajudaram a enterrar a minha geração, venderem a mesma banha da cobra e assim lá continuarem, no topo de uma nação onde quem trabalha, poupa, investe ou sonha não são bem-vindos.
    Não ousem dizerem-me que “o passado é passado”, que “já não importa” ou que “não tiveram culpa” porque sabem bem que ainda está bem presente, que importa imenso e que têm culpa, por mais que tentem culpar outros. Atormenta-me a ideia de que esses mesmos ainda lá continuam, imperturbáveis. De que tenho de os ver para sempre fingir, todos os dias, que não vivemos as consequências das suas ações. De que tenho de os ver fingir que são heróis.
    O pior, é que mesmo depois de toda a resistência, comecei a dar como garantido que tudo isto é inevitável. De toda esta miséria pertence ao nosso país e de que este povo está simplesmente condenado a ser para sempre vassalo do partido socialista, do engodo dos políticos profissionais ou do aparente oposto, o puro populismo medíocre.
    Dei por mim (admito-o com genuína tristeza) exausto, confuso, constantemente enraivecido e perdido, como milhões de outros portugueses, num oceano de mero barulho que se ecoa pelo país desde Lisboa. Mas é exatamente de Lisboa que quero falar. É para ti, Carlos, que quero falar.
    É para ti Carlos, a quem chamaram de medíocre, neoliberal, incompetente, vendido, sem-alma, impopular, cromo ou boneco. É para ti Carlos, porque as mesmas pessoas que te batizaram logo de início como “uma simples anedota”, esperneiam-se agora engolidas pelo pânico de uma ideia: a ideia de que a direita moderada, reformista, credível e progressista está viva e que até em Lisboa pode ganhar eleições. Esses, que para proveito próprio, tentaram confundir-nos com a pura insanidade do extremismo e populismo, que vivem de explorar com falsidades a maldade que há em cada um de nós.
    A ideia para eles apavorante: a de que existe alternativa às oposições do mero “esperar pelo desgaste” ou do “explorar do ressentimento”. De que uma candidatura que não se foca em apontar o dedo só porque sim, que defende o bom-senso, que defende menos impostos, que defende políticas sociais fortes em vez de políticas de compadrio ou negociatas, que defende menos burocracia, que defende uma política ambiental que realmente protege o ambiente e não prejudique apenas o cidadão, que defende mais participação desse cidadão e menos do aparelho partidário, esse tipo de candidatura ainda pode ganhar eleições em Portugal. De que uma candidatura que passa mais tempo nas ruas e menos nos estúdios de televisão, pode ganhar a qualquer máquina instalada no poder.

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    1. Escrevo-te Carlos, porque no meio destes políticos profissionais: dos entendidos na inevitabilidade; dos peritos em negociar misérias; dos céticos; dos eternos possíveis candidatos; dos dogmáticos da meia dúzia de votos; dos técnicos de sondagens; dos compradores de votos; dos porcos enlameados que te atiram lama na esperança que atires de volta; no meio de toda esta falta de escrúpulos argumentada com um “sempre foi assim”, tu és o “mas não tem de ser para sempre. Tu és um incompetente porque jogas muito mal o jogo deles. Foi por isso que ganhaste e é por isso que te agradeço.
      A este rapaz e a muitos mais, que estávamos habituados a perder em várias frentes, deste-nos esperança de que neste país está a renascer a verdadeira alternativa à podridão, seja contra a estatização que nos esmaga e hipoteca, seja contra os iluminados dos interesses, seja contra o populismo do puro barulho e do nada de trabalho.
      Neste dia em que és empossado presidente da câmara de Lisboa, sem maioria, não deixo que me digam que não é assim tão importante. Onde muitos viram um candidato frouxo e depois uma vitória frouxa, pequena, eu vejo o primeiro raio de luz num país que me habituou a viver às escuras.
      Ficam estas palavras que não são minhas, mas que são um constante aviso a toda a normalidade anormal neste país:
      “Eles não sabem, nem sonham
      Que o sonho comanda a vida
      E que sempre que um homem sonha
      O mundo pula e avança…”
      Tenho dito.
      Do Facebook de Gaspar Macedo, 18-10-2021
      https://www.facebook.com/gaspar.macedo.1

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